Brasil
Da TV para o espaço: conheça o SCD-1, primeiro e mais antigo satélite brasileiro em operação
Uma pergunta feita no quadro “Quem quer ser um milionário?”, do programa de TV Domingão com Huck, reacendeu a curiosidade: você sabe qual foi o primeiro satélite brasileiro lançado ao espaço? Na ocasião, as seguintes opções foram dispostas como respostas: Amazonia-1; Brasilsat; CBERS-1 e SCD-1. A resposta correta (o SCD-1) relembrou um importante capítulo do Programa Espacial Brasileiro.
Desenvolvido e operado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) — unidade de pesquisa vinculada ao MCTI —, o satélite é o mais antigo ainda ativo no mundo.
Lançado em 9 de fevereiro de 1993, a bordo do foguete Pegasus, o Satélite de Coleta de Dados-1 (SCD-1) havia sido programado para operar entre um e dois anos; no entanto, segue ativo até hoje. Ele é responsável por integrar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, operado pelo INPE, e recebe e retransmite dados ambientais produzidos por plataformas em solo, como a temperatura do ar, o índice de chuvas, a umidade, o nível de rios, a qualidade da água e diversas informações ambientais que subsidiam pesquisas e a produção de políticas públicas.
A controladora de satélites do INPE, Cláudia Medeiros, explica as características do objeto. “Ele viaja a cerca de 27 mil quilômetros por hora e dá uma volta em torno da Terra a cada 1 hora e 40 minutos, aproximadamente. Ele completou, neste ano, 33 anos em operação. O nosso primeiro satélite entrou para o Guinness Book como o satélite de operação mais longevo do mundo”, conta.
O equipamento, que possui cerca de 1 metro de altura e 115 kg, abriu caminho para novas missões espaciais brasileiras e foi o primeiro satélite totalmente desenvolvido no Brasil. Em seguida, foi lançado o SCD-2, que pertence à mesma área de coleta de dados ambientais. “Em 1998, o SCD-2 também foi para o espaço e ele também segue em operação até hoje. E o trabalho do SCD-1 e do SCD-2 é simples e essencial ao mesmo tempo”, conta Medeiros.
Como funciona?
Ao entrar em órbita, os satélites passam a atuar na recepção e retransmissão dos dados ambientais produzidos pelas plataformas em solo. Em Terra, são mantidas as estações automáticas, conhecidas como PCDs – Plataformas de Coleta de Dados, que produzem e fazem as medições hidrológicas, meteorológicas e oceanográficas necessárias.
Essas estações, entretanto, podem ser mantidas em espaços de difícil acesso, como rios isolados, regiões oceânicas ou áreas sem internet e telefonia; é aí que os dois satélites atuam.
As PCDs enviam sinais de rádio para os satélites quando eles passam sobre a região. Os aparelhos recebem os dados e os retransmitem para a Estação Receptora do INPE, em Cuiabá (MT). Sem os satélites, os dados precisariam ser recolhidos manualmente, podendo perder utilidade pelo tempo necessário até a coleta manual. O SCD-1 e o SCD-2 permitem um monitoramento mais ágil em apoio à pesquisa ambiental.
Dos satélites indicados como possíveis respostas no programa televisivo, três foram desenvolvidos e são operados pelo INPE: Amazônia-1, SCD-1 e CBERS-1, que integra uma colaboração com a China. No lado brasileiro, o INPE participa da operação e recepção de dados.
O próximo satélite brasileiro já possui data de lançamento prevista: 2027. Chamado Amazônia-1B, em continuidade ao Amazônia-1, o satélite atuará em observação da Terra, voltado ao monitoramento ambiental e de recursos hídricos. Com missão distinta do SCD-1 e do SCD-2, o Amazônia-1B produzirá imagens da Terra, ampliando o monitoramento ambiental brasileiro e apoiando a previsão do tempo e estudos climáticos.
O desenvolvimento dos satélites brasileiros consolidou capacidades nacionais em monitoramento ambiental, coleta de dados e observação da Terra, fortalecendo a atuação conjunta entre MCTI, INPE e Agência Espacial Brasileira (AEB), que coordena o Programa Espacial Brasileiro e é uma autarquia federal vinculada ao MCTI.
Brasil
Ministério da Saúde apresenta modelo de atenção à saúde indígena no México
Em agenda oficial na Cidade do México, a comitiva do Ministério da Saúde compartilhou a experiência do Brasil na gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). O encontro acontece na mesma semana em que a política pública voltada à saúde dos povos indígenas completa 27 anos. No Brasil, o subsistema integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) atende a mais de 821 mil indígenas, em todas as cinco regiões do país.
A Secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, esteve à frente da apresentação do tema durante reunião com representantes do governo mexicano. Segundo ela, o SasiSUS possui princípios que promovem a escuta ativa, fomentam o diálogo e a participação direta dos povos indígenas nas decisões.
“O acesso à saúde é um direito de todos e o Brasil construiu um subsistema que realmente prioriza e valoriza a história dos povos indígenas, e é por isso que nossas experiências interessam a outras nações. O SasiSUS é mais do que uma política de Estado; esse modelo fortalece a saúde com equidade, promove a cidadania e o controle social, com respeito às especificidades, às culturas e aos saberes tradicionais”, ressaltou.
O diálogo entre representantes do Brasil e do México também abordou temas como medicina tradicional indígena, participação de parteiras nos sistemas de saúde, direitos humanos, formação de especialistas e interculturalidade. O intercâmbio de conhecimentos sobre desafios e experiências amplia as possibilidades futuras de cooperação técnica entre os países.
Como funciona o SasiSUS
Criado em 23 de setembro de 1999, o SasiSUS conta com 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (DSEI), que estão distribuídos em todo o território nacional. Esse modelo promove a atenção integral à saúde de forma intercultural e alinha a medicina contemporânea com os saberes tradicionais. Dentro das aldeias, as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) são o ponto inicial de atenção primária para os povos indígenas.
A rede de assistência ligada ao subsistema também contempla o suporte de polos-base, localizados em aldeias estratégicas e possuem a função de organizar os fluxos de atendimentos, além de prestar apoio administrativo e assistencial para as equipes de saúde. Quando são necessários serviços especializados ou de média e alta complexidade, os usuários indígenas são encaminhados para as unidades de média e alta complexidade do SUS. Enquanto recebem atendimento nos centros urbanos, os pacientes indígenas e seus acompanhantes são acolhidos pelas Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) até o retorno às suas aldeias de origem.
Ao todo, são 1.211 UBSI, 388 polos-base e 70 Casai. Os atendimentos no SasiSUS são realizados por equipes multidisciplinares de saúde indígena, compostas por médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Também há atuação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e de Saneamento (AISAN), que promovem a ponte linguística e cultural entre os povos e os demais profissionais de saúde.
Rayane Bueno
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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