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Brasil

Curso qualifica profissionais do SUS para análise de indicadores de saúde da população negra

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Com o objetivo de fortalecer a equidade no Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde oferece o Curso de Análise de Indicadores de Saúde da População Negra, voltado a trabalhadores, gestores e demais profissionais da área. A iniciativa parte do reconhecimento de que o racismo, em suas diferentes formas, afeta diretamente as condições de vida e saúde da população negra no Brasil, ampliando a exposição a agravos e mortes evitáveis.

Mais do que intensificar vulnerabilidades, o racismo também restringe o acesso a direitos, serviços e políticas públicas. Por isso, qualificar profissionais do SUS é um passo fundamental para compreender o racismo como determinante social da saúde e, a partir disso, desenvolver estratégias que contribuam para reduzir seus impactos no dia a dia dos serviços.

Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, iniciativas como essa são essenciais para transformar a realidade do sistema de saúde. “Fortalecer a análise de dados e a produção de informações qualificadas é fundamental para enfrentar as desigualdades raciais em saúde. Isso passa, necessariamente, pela inclusão e pelo acolhimento da população negra no SUS, garantindo acesso mais justo, cuidado adequado e respeito às especificidades dessa população”, destaca.

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A formação apresenta uma abordagem introdutória sobre os processos históricos e socioculturais do racismo e seus impactos na saúde da população negra. Também prepara os participantes para analisar e construir indicadores epidemiológicos, fortalecendo a produção de informações qualificadas e subsidiando o aprimoramento das políticas públicas.

Entre os desafios atuais está a ausência de monitoramento adequado e o preenchimento incompleto do quesito raça/cor nos sistemas de informação em saúde. Essa lacuna compromete o cumprimento de normativas legais e dificulta a formulação de estratégias efetivas para enfrentar as iniquidades. Ao contribuir para o registro e a análise qualificada desses dados, o curso se torna uma ferramenta importante para a promoção da equidade no SUS.

Com carga horária de 40 horas, o curso é  autoinstrucional e totalmente on-line, realizado por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem do PROFEPI (AVA PROFEPI). As inscrições estão abertas, ampliando o acesso de profissionais interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre o tema.

João Moraes
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Brasil avança em projeto de gêmeo digital do oceano para monitorar o Atlântico Sul em tempo real

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O Brasil deu mais um passo na construção de sistemas avançados de monitoramento oceânico com o workshop internacional Data to Decision: Towards a Digital Twin Ocean Platform for the South Atlantic, nessa segunda-feira (4)O objetivo é colaborar para o projeto global Gêmeo Digital do Oceano, que consiste em uma representação virtual de alta resolução que combina dados observacionais, modelagem numérica e simulações preditivas. O País quer aumentar a capacidade de prever fenômenos oceânicos, monitorar mudanças ambientais e responder a eventos extremos. 

O encontro foi promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a organização europeia Mercator Ocean International. 

Durante a abertura, o diretor-geral do Inpo, Segen Estefen, destacou que o projeto é um avanço na articulação entre ciência e aplicação prática. Segundo ele, a proposta é construir uma plataforma colaborativa, conectando infraestrutura de dados, modelagem e usuários finais. “Estamos falando de integrar dados, desenvolver modelos regionais mais precisos e garantir que o sistema seja construído a partir das necessidades reais dos usuários.” 

Na parte da manhã, a discussão foi dedicada a uma visão geral dos sistemas oceânicos digitais desenvolvidos pela Mercator Ocean International. No período da tarde, as apresentações abordaram aspectos técnicos dos sistemas de previsão oceânica operacional e os requisitos dos usuários, além de dar um panorama das iniciativas já existentes no Brasil e possíveis frentes de colaboração internacional. 

O workshop está inserido na estratégia brasileira de colaborar para projetos como o Copernicus Marine Service — ou Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus. Este é o instrumento marítimo do programa de observação da Terra da União Europeia (UE), executado pela Mercator Ocean International

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Estavam presentes representantes do Governo do Brasil, da marinha, da academia e de instituições internacionais para discutir a criação de uma plataforma digital capaz de integrar dados oceânicos em tempo real e transformá-los em suporte à tomada de decisão. 

De dados a decisões: o desafio central 

Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de transformar grandes volumes de dados em inteligência acionável. A proposta do gêmeo digital vai além de um repositório de informações: trata-se de uma plataforma que permite simular cenários e antecipar impactos. 

Na prática, isso significa prever eventos extremos com maior antecedência; monitorar deslocamento de espécies marinhas; apoiar a navegação e operações offshore; e orientar políticas de adaptação climática.  

A Marinha do Brasil destacou que já tem papel estruturante nesse processo, especialmente na gestão e consolidação de dados oceanográficos. Segundo o vice-almirante Ricardo Jaques, o País ainda precisa avançar na integração e compartilhamento dessas informações. “O desafio de transformar dados em decisões requer confiança, coordenação e clareza de objetivos”, afirmou. 

Segundo interlocutores do Inpo, tecnologias desse tipo permitem: 

  • Antecipar eventos extremos como tempestades e ciclones 

  • Monitorar vazamentos de óleo 

  • Acompanhar mudanças na temperatura do mar que afetam o clima 

  • Entender impactos econômicos, como a migração de peixes e efeitos sobre a pesca 

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A relação com fenômenos climáticos como o El Niño também foi citada como exemplo da relevância do monitoramento oceânico. 

Integração internacional e papel estratégico do Brasil 

A parceria com a Mercator Ocean International é central para o projeto. A organização lidera, há três décadas, o desenvolvimento de sistemas operacionais de oceanografia digital, capazes de monitorar variáveis como temperatura, salinidade, correntes e oxigênio em escala global. 

Segundo o diretor-geral da Mercator, Pierre Bahurel, o desafio atual não é mais apenas produzir dados, mas torná-los operacionais. “Estamos entrando em uma nova fase, em que precisamos transformar conhecimento em sistemas capazes de entregar informação confiável no momento em que ela é necessária”, afirmou. 

Hoje, os sistemas da Mercator operam com dezenas de variáveis oceânicas atualizadas em alta frequência, a partir da integração entre satélites, medições in situ e modelagem computacional. Esses dados alimentam serviços utilizados por governos, empresas e pesquisadores em todo o mundo. 

Nesse contexto, o Brasil é visto como um parceiro estratégico, especialmente pela relevância do Atlântico Sul no sistema climático global e pela capacidade científica já instalada no País. 

O workshop marca a implementação do acordo firmado entre Inpo e Mercator em 2025 e deve resultar na elaboração de um plano de ação com metas concretas. A proposta é apresentar avanços na Conferência da Década do Oceano, prevista para 2027, no Rio de Janeiro.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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