Política Nacional
CTFC vai ouvir Alexandre Padilha sobre transferência de médicos
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deve comparecer à Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC) em 17 de dezembro para falar sobre iniciativa do governo que prevê a transferência dos médicos bolsistas ativos no âmbito do Programa Médicos pelo Brasil (PMpB) para o projeto Mais Médicos para o Brasil. O requerimento de convocação, transformado em convite, foi apresentado pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), que preside a comissão (REQ 51/2025 – CTFC).
Dr. Hiran disse que o Ministério da Saúde “está migrando médicos contratados pelo Programa Médicos pelo Brasil, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para o Programa Mais Médicos para o Brasil, que é um programa de bolsas, tornando a relação de trabalho ainda mais precária possível”.
— Estou convocando o ministro para explicar a razão dessa migração e manifestar a nossa preocupação com a questão. O Mais Médicos inclusive autoriza médicos formados no exterior a praticar medicina no Brasil por quatro anos, sem passar pelo revalida e sem CRM [registro no Conselho Regional de Medicina], enquanto o Médicos pelo Brasil tem CRM e uma relação de trabalho muito mais segura com o Ministério da Saúde — disse Dr. Hiran.
Foram aprovados ainda outros três requerimentos de Dr. Hiran sobre o mesmo tema. O senador solicita:
- avaliação do Tribunal de Constas da União (TCU) sobre o edital que promove a transferência dos médicos (REQ 52/2025 – CTFC).
- realização de audiência pública para discutir critérios, fundamentos e impactos da iniciativa (REQ 53-2025 – CTFC).
- informações ao Ministério da Saúde sobre a matéria (REQ 54/2025 – CTFC).
Alimentação infantil
A CTFC adiou a votação do projeto de lei que proíbe a venda de alimentos e bebidas ultraprocessados no ambiente escolar. O texto, que estava na pauta da comissão, deverá ser votado na próxima reunião do colegiado.
O pedido de vista foi apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR), após a leitura do relatório do PL 4.501/2020 pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP). O projeto é de autoria do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo.
— Como municipalista e em respeito à autonomia dos estados, fico um pouco preocupado com lei federal fazendo imposições relacionados a escolas e atribuições de outros municípios e estados, que podem ter as suas próprias regras, e vários já têm regras nesse sentido — disse Moro, ao justificar o pedido de vista.
Em resposta, Mara Gabrilli defendeu o projeto.
— Já foi concedida vista do projeto em 13 de novembro de 2024. A gente passou um ano fazendo a discussão desse projeto. É uma matéria urgente que foi extremamente discutida. E já foi exaurida a discussão, de tal forma que eu poderia citar organizações que participaram dessa discussão para eliminar todas as dúvidas que o projeto poderia trazer — afirmou.
Dr. Hiran esclareceu que o pedido de vista é “pertinente”, já que Mara Gabrilli alterou o relatório apresentado em 2024. O senador, porém, comprometeu-se a votar o projeto na próxima quarta-feira (10) como primeiro item da pauta.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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