Agro
Crédito rural sustentável registra queda no 1º trimestre do Plano Safra 2025/2026, alerta Agroicone
Faturamento do crédito rural sustentável diminui no início da safra 2025/2026
O crédito rural com potencial sustentável apresentou queda no primeiro trimestre do Plano Safra 2025/2026, totalizando R$ 19 bilhões, aproximadamente R$ 5 bilhões a menos em relação ao mesmo período da safra anterior. A constatação é do boletim trimestral Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, produzido pela consultoria Agroicone.
Pela primeira vez desde o lançamento do estudo, a proporção do crédito rural com foco em sustentabilidade recuou ligeiramente, passando de 22,8% para 22,6%. Segundo os pesquisadores Gustavo Lobo e Lauro Vicari, essa redução indica menos espaço para intervenções com objetivos sustentáveis, acendendo um alerta sobre a trajetória do financiamento climático na agropecuária.
Impactos das altas taxas de juros e custos de transação
O boletim aponta que a queda geral no crédito rural está associada a três fatores principais:
- Custo elevado do capital devido à alta da taxa básica de juros.
- Endividamento dos produtores, que limita a tomada de novos empréstimos.
- Aumento dos custos de transação, com exigências maiores de garantias reais pelo setor financeiro.
Entre os produtores, os efeitos foram diferenciados:
- No Pronaf, o crédito para custeio e investimento recuou 3,2%.
- Para médios e grandes produtores, a redução chegou a 25,6%, evidenciando maior vulnerabilidade ao aumento das taxas de juros.
Programas RenovAgro e queda em produtos de manejo de solo
No primeiro trimestre da safra 2025/2026, o subprograma RenovAgro Plantio Direto liderou as contratações, substituindo o RenovAgro Manejo de Solos, enquanto o produto “Correção Intensiva de Solos” sofreu queda de 80%. Segundo Vicari, isso indica redução na incorporação de práticas conservacionistas, como manejo do solo e proteção de recursos naturais.
Entre os recursos destinados a investimento, R$ 2,1 bilhões foram aplicados em programas com finalidade sustentável, representando 39,6% do total de R$ 5,3 bilhões disponíveis para investimento. O RenovAgro concentrou R$ 1,3 bilhão, sendo destaque o Plantio Direto (R$ 426,2 mi) e Recuperação/Conversão (R$ 350,5 mi).
Diferenças entre Pronaf e demais produtores
A análise por grupo mostra cenários distintos:
- Pronaf: aumento de crédito sustentável de R$ 1,58 bi para R$ 1,61 bi, crescimento de 1,8%, com aumento de 2 pontos percentuais no peso das linhas sustentáveis.
- Demais produtores: queda de R$ 7,2 bi para R$ 3,6 bi, redução de 50% no crédito sustentável, refletindo o impacto do aumento das taxas de juros sobre investimentos.
Lobo destaca que a maior queda relativa ocorreu na pecuária (-27,2%), enquanto na agricultura a redução foi de 24,2%, indicando menor velocidade na transição para sistemas produtivos resilientes e de baixa emissão de carbono.
Distribuição por finalidade e produtos contratados
No período, o total de R$ 85 bilhões foi contratado para custeio e investimento, queda de R$ 24,6 bilhões (-22,5%) em relação à safra anterior. Entre os recursos sustentáveis:
- Custeio: R$ 13,8 bilhões
- Investimento: R$ 5,3 bilhões
- Agricultura: R$ 17,4 bilhões
- Pecuária: R$ 1,6 bilhão
Os produtos mais contratados foram:
- Investimento: “Correção intensiva do solo” (R$ 1,5 bi), “Máquinas e implementos” (R$ 662,1 mi), “Pastagem” (R$ 596,4 mi)
- Custeio: Soja (R$ 5,4 bi), Café (R$ 2,2 bi), Milho (R$ 2,2 bi)
Principais fontes de recursos e distribuição regional
As fontes mais utilizadas para crédito sustentável foram:
- Obrigatórios: R$ 5,4 bi
- Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) – Controlados – Subvenção Econômica: R$ 5,3 bi
- Poupança Rural – Controlados – Subvenção Econômica: R$ 1,9 bi
Em relação à variação anual, destacam-se: LCA – Controlados – Subvenção Econômica (+12.943,8%), BNDES/Finame (-64,6%) e LCA – Taxa Livre (-62,4%).
Entre os estados, os maiores volumes em jornada de sustentabilidade foram:
- Rio Grande do Sul – R$ 5,1 bilhões
- Minas Gerais – R$ 2,5 bilhões
- Paraná – R$ 2,2 bilhões
- Espírito Santo – R$ 1,3 bilhão
- São Paulo – R$ 1,3 bilhão
Conclusão e alerta para o setor
Segundo Lobo e Vicari, o início da safra 2025/2026 aponta ritmo mais lento na transição para sistemas produtivos sustentáveis, impactado pelo custo elevado do capital. Eles reforçam a importância de soluções de longo prazo e estáveis, especialmente em instrumentos de financiamento essenciais para a adaptação climática da agropecuária.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Negociação entre os dois países vai discutir sobretaxas de até 37,5%
Açúcar, pescados e produtos de madeira estão entre os segmentos do agronegócio que poderão se beneficiar de um eventual acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos. Os dois países decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as barreiras ao comércio bilateral, abrindo uma nova etapa de negociação sobre cobranças adicionais que, para determinados produtos, chegam a 37,5%. Ainda não houve anúncio de redução das tarifas.
O peso dessas medidas é desigual dentro do setor. Enquanto o açúcar enfrenta sobretaxa de 25% e os pescados estão sujeitos à cobrança adicional de 12,5%, vários tipos de madeira, gorduras e óleos podem ser alcançados pela soma das duas alíquotas. Para esses exportadores, a negociação representa a possibilidade de recuperar competitividade no mercado americano.
Outras cadeias importantes do agro foram preservadas das medidas. Segundo levantamento divulgado em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), café, carnes, suco de laranja, frutas e a maior parte das exportações de celulose estão entre as mercadorias excluídas dessas sobretaxas. A distinção é relevante porque as restrições não atingem todos os produtos brasileiros da mesma forma.
A criação do grupo foi acertada na quarta-feira (30), em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin. Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Mdic, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu durante a reunião de ministros do Comércio do G20.
O próximo movimento cabe a Washington, que deverá apresentar nas próximas semanas um documento com os temas propostos para a negociação. Além das tarifas, o trabalho deverá abranger outros entraves às trocas comerciais. O comunicado brasileiro não detalhou quais produtos serão discutidos nem estabeleceu uma data para a conclusão de um acordo.
As sobretaxas anunciadas em julho resultam de duas investigações conduzidas pelos Estados Unidos. Uma delas trata de práticas comerciais brasileiras contestadas pelo governo americano, incluindo as condições de acesso ao mercado de etanol. A outra envolve exigências americanas para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forç
Fonte: Pensar Agro
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