Connect with us


Agro

Corte de área deve reduzir oferta de algodão no Brasil em 2026/27, aponta Safras & Mercado

Publicado em

A safra brasileira de algodão 2026/27 deve registrar menor oferta em função do corte de área, segundo avaliação do analista e consultor da Safras & Mercado, Gil Barabach. Ele explica que a redução no plantio tende a refletir diretamente na disponibilidade do produto no próximo ciclo.

Apesar disso, o especialista pondera que os preços do algodão ainda devem enfrentar limitações para altas expressivas, especialmente no início de 2026. Contudo, os níveis historicamente baixos atuais podem abrir espaço para correções técnicas ao longo do período.

Consumo global e juros podem influenciar reajuste nos preços

De acordo com Barabach, sinais de recuperação no consumo mundial podem servir de gatilho para o reajuste das cotações, especialmente em um cenário de juros mais baixos nos Estados Unidos e retomada das compras pela China.

Esse ambiente tende a favorecer a indústria têxtil e o consumo de fios e algodão, contribuindo para um novo ponto de equilíbrio de preços e afastando o mercado das mínimas registradas recentemente.

Ajustes estruturais serão fundamentais para a recuperação

O analista destaca que uma recuperação consistente do mercado dependerá de mudanças estruturais na oferta global. Entre os fatores que poderiam favorecer esse reequilíbrio, estão uma safra menor no Brasil e uma possível redução dos subsídios à produção na China.

Leia mais:  Resistência parasitária na pecuária avança e acende alerta no controle sanitário dos rebanhos

Barabach lembrou que a alta produção chinesa, combinada ao menor ritmo de importações do país, foi um dos principais fatores de pressão baixista sobre os preços internacionais de algodão no último ciclo.

Produção brasileira deve cair em 2025/26, segundo Conab

Dados do 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção brasileira de algodão em pluma na safra 2025/26 deve alcançar 3,959 milhões de toneladas, abaixo das 4,076 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.

A produtividade média está estimada em 1.885 quilos por hectare, recuo frente aos 1.954 quilos por hectare observados em 2024/25. Já a área plantada deve crescer levemente, passando de 2,085 milhões para 2,1 milhões de hectares, alta de 0,7%.

Mato Grosso lidera, mas deve ter queda na produção

O Mato Grosso, maior produtor nacional, deverá colher 2,669 milhões de toneladas de algodão em pluma, redução de 5,4% em relação à safra anterior (2,852 milhões de toneladas).

Na Bahia, segunda maior produtora, a expectativa é de alta de 2,5%, com produção de 859,4 mil toneladas, ante 838,4 mil toneladas em 2024/25.

Leia mais:  AGCO Brasil se destaca globalmente no desenvolvimento de plantadeiras inovadoras

Já Goiás deve registrar leve retração de 1,1%, com 54,6 mil toneladas, frente às 55,2 mil toneladas da safra passada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Projeção de safra recorde de soja pode esbarrar na falta de crédito para o plantio

Published

on

O acesso ao crédito poderá ser tão decisivo quanto o clima para o desempenho da safra brasileira de soja 2026/27. A avaliação é do presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, em artigo publicado no LinkedIn.

A produção nacional é projetada em cerca de 185,6 milhões de toneladas, mas, segundo os cálculos apresentados por Rezende, o custeio necessário para colocar a soja no campo pode superar R$ 212 bilhões. A conta inclui sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis, mão de obra, manutenção, serviços e tecnologia.

O Plano Safra 2026/27 disponibilizou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, dos quais R$ 384,9 bilhões são destinados a custeio e comercialização. Rezende pondera, porém, que esses recursos atendem a todas as atividades agropecuárias e que o volume anunciado não significa dinheiro automaticamente disponível para cada produtor.

“O problema não é apenas quanto dinheiro existe, mas quanto efetivamente chega à ponta. Produtor endividado por safra perdida não planta com estatística de bilhões. Ele precisa de crédito aprovado, de recurso liberado e desse dinheiro no momento correto”, afirma.

Leia mais:  Mercado de frango indica novas quedas nos preços no curto prazo, aponta Safras & Mercado

Segundo Rezende, muitos agricultores iniciam o novo plantio depois de enfrentar perdas de produtividade, custos elevados, margens reduzidas e dívidas acumuladas. Como a concessão de crédito depende da capacidade de pagamento, das garantias e da análise de risco realizada pelos bancos, parte desses produtores pode encontrar dificuldades para contratar novos financiamentos.

A restrição financeira pode levar à redução da área cultivada, à troca de insumos, ao menor uso de tecnologia e ao adiamento de investimentos. Essas decisões diminuem o desembolso imediato, mas também podem limitar a produtividade e impedir que a projeção de uma nova safra recorde se confirme.

“Uma safra recorde exige uma quantidade igualmente elevada de capital antecipado. O produtor compra, prepara o solo, planta e conduz a lavoura durante meses antes de receber pela produção. Não existe safra recorde sem investimento, e não existe investimento sustentável sem acesso ao crédito”, diz Rezende.

O presidente do Instituto do Agronegócio também chama a atenção para a diferença entre renegociar dívidas antigas e obter financiamento para uma nova temporada. A Medida Provisória 1.376/2026 pode aliviar o fluxo de caixa dos produtores atingidos por perdas, mas não garante a aprovação de novas operações pelos bancos.

Leia mais:  Agronegócio responde por 15% da energia solar produzida no Brasil

“Se o produtor ganha prazo para pagar, mas perde a capacidade de financiar o próximo plantio, apenas transferimos o problema de uma safra para outra. O risco da próxima temporada não está apenas na chuva, na seca, nas pragas ou nas doenças. O risco financeiro também pode impedir que o potencial produtivo se transforme em produção”, avalia.

Para Rezende, o crédito rural deve ser tratado como parte da infraestrutura econômica do país, pois os recursos liberados para a fazenda movimentam fornecedores de insumos, fabricantes de máquinas, cooperativas, prestadores de serviços, transportadoras, armazéns, indústrias e exportadores.

“A projeção mostra que o Brasil tem capacidade técnica e produtiva para alcançar mais um recorde. Mas nenhuma estimativa colhe soja. Quem transforma o número em produção é o agricultor, e essa decisão começa muito antes da colheita. Começa no financiamento”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262