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COP30: No Pavilhão Brasil, países discutem caminhos para realizar transição para longe dos combustíveis fósseis

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Representantes dos governos do Brasil, Colômbia, Quênia, Reino Unido, Alemanha, França e Dinamarca e pesquisadores discutiram caminhos para realizar a transição para longe dos combustíveis fósseis em painel realizado nesta quarta-feira (12/11) no Pavilhão Brasil da Zona Azul na COP30 em Belém (PA).

A medida foi acordada no parágrafo 28 do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, concluído na COP28, em Dubai, em 2023. Por meio do texto, quase 200 países concordaram em triplicar as energias renováveis, duplicar sua eficiência e fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa. Essas fontes de energia – petróleo, gás e carvão – são responsáveis por 73% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, cuja alta concentração na atmosfera provoca o aquecimento do planeta e a alteração de seus padrões climáticos.

A necessidade de promover a transição foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos ao longo da Cúpula do Clima de Belém, que antecedeu a COP30, e na abertura da conferência, na última segunda-feira (10/11). “Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, disse o presidente em 6 de novembro, na abertura da cúpula.

Participaram do encontro a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva; a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez; o vice-ministro do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Jochen Flasbarth; os enviados especiais para Mudança do Clima do Quênia, Ali Mohammed, da França, Benoit Faraco, e do Reino Unido, Rachel Kyte; o embaixador para Clima e subsecretário para Políticas para o Desenvolvimento do Ministério de Relações Exteriores da Dinamarca, Ole Thonke; além dos presidentes do Instituto Grantham de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente do Reino Unido, Nicholas Stern, e do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água da Índia, Arunabha Ghosh.

Marina Silva destacou que o “mapa do caminho só será possível a partir da colaboração entre países e atores-chave”. “Precisamos evitar dois pontos de não retorno: em relação ao clima e ao multilateralismo climático. Essa resposta virá da nossa capacidade não de terminar, mas de iniciar, com a clareza de que a resposta não está em nenhum de nós individualmente, mas entre nós”, completou.

“O que queremos é que esse mapa seja a nossa bússola para superarmos a dependência dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e planejada, fruto de um diálogo com todos, para que ninguém fique para trás, em nenhuma direção”, afirmou.

Rachel Kyte, do Reino Unido, saudou as menções do presidente brasileiro à necessidade de criação do mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis em seus discursos na última semana. “O sinal de Lula foi extraordinário, e existe uma maneira de sairmos daqui com um mapa do caminho que ajudará os países a administrar suas transições”, disse.

Benoit Faraco, da França, também defendeu a medida. “Por que precisamos de um mapa do caminho? Por que precisamos de colaboração internacional? Porque Belém é sobre implementação e colaboração internacional, porque juntos podemos agir melhor e mais rápido”, declarou.

“Para ser muito explícito, nós vamos apoiar qualquer decisão de criar, de dar o pontapé inicial, em um mapa do caminho para transitar para longe dos combustíveis fósseis neste ano, aqui em Belém. Seria um ótimo sinal e espero que consigamos”, pontuou o vice-ministro do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Jochen Flasbarth.

Ole Thonke citou como exemplo o mapa do caminho para mobilizar US$ 1,3 trilhão de financiamento climático anual, elaborado por Brasil e Azerbaijão como resultado da decisão da COP29, em Baku, no ano passado. “Poderíamos fazer algo similar? Poderíamos nos inspirar nesse processo [para fazer o mesmo] com os combustíveis fósseis? Eu vejo muitas oportunidades de levar isso adiante e agradeço ao Brasil por tomar a liderança”, apontou.

“Se continuarmos com os combustíveis fósseis, ficaremos presos ao passado”, indicou o enviado especial do Quênia para Mudanças do Clima, Ali Mohamed. “Mas não podemos simplesmente fazer a transição de imediato”, frisou, referindo-se à necessidade de países em desenvolvimento receberem financiamento para promover suas transições energéticas.

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Irene Velez defendeu que o mapa do caminho seria um sinal importante de que o regime climático internacional é efetivo: “Já tivemos muitas reuniões e discursos, três décadas de tratados multilaterais e COPs, e não houve materialização suficiente, o que coloca o multilateralismo em uma crise que estamos enfrentando atualmente. Isso é algo que precisamos superar, é tão importante o esforço que o Brasil tem feito de tentar juntar diferentes opiniões e posicionamentos políticos em um mapa do caminho.”

“Conseguimos [fazer a transição energética]? Claro que sim. Precisamos de decisões e determinação. O mapa do caminho para nos afastarmos dos combustíveis fósseis é liderado pelo investimento em energia limpa, e se não conseguirmos esses investimentos, não alcançaremos os objetivos do Acordo de Paris”, reforçou Nicholas Stern. 

Arunabha Ghosh salientou a relevância dos meios de implementação – financiamento e tecnologia, por exemplo – nessa discussão. “Enquanto países desenvolvidos precisam liderar a transição para longe dos combustíveis fósseis, os países em desenvolvimento precisam do apoio nesta transição também”, ponderou.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Indígenas Pirahã terão acesso a consultas e exames especializados durante expedição do SUS no Amazonas

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Entre os dias 9 e 16 de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizará mais uma expedição para levar consultas médicas especializadas, exames e procedimentos ao território do povo indígena Pirahã, no sul do Amazonas. A ação prevê 1.155 atendimentos especializados para os 478 indígenas que vivem na região, ampliando o acesso aos serviços de média complexidade sem a necessidade de deslocamento para centros urbanos.

Ao longo dos oito dias de atendimento, estão previstas 210 consultas em oftalmologia, 200 em clínica médica, 130 em pediatria, 60 em saúde da mulher, além da realização de 555 exames, entre análises bioquímicas, exames oftalmológicos e ultrassonografias. Os atendimentos serão eletivos e voltados à redução da demanda reprimida por serviços especializados na região.

A iniciativa será realizada no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Porto Velho e integra a estratégia do programa Agora Tem Especialistas, coordenada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e a Associação Médicos da Floresta (AMDAF). Ao todo, 41 profissionais participarão dos trabalhos.

O DSEI Porto Velho atuará com 24 profissionais, responsáveis pela triagem, busca ativa de pacientes, administração de medicamentos, apoio aos pacientes e acompanhantes e toda a logística necessária para a operação, enquanto a AMDAF disponibilizará 17 integrantes, entre médicos especialistas, enfermeira, biomédica e equipe operacional.

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Ampliação dos atendimentos em áreas de difícil acesso

A estratégia integra a segunda etapa das expedições do SUS voltadas à ampliação do acesso à assistência especializada em áreas indígenas de difícil acesso. “Esta etapa das expedições amplia uma estratégia que tem levado atendimento especializado a territórios onde o acesso aos serviços de saúde exige planejamento e grande mobilização das equipes. Nosso objetivo é garantir que os povos indígenas recebam consultas, exames e procedimentos diretamente em suas comunidades, fortalecendo o acesso ao SUS de forma adequada às realidades de cada território”, afirma a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé.

Território Pirahã

A população Pirahã está distribuída em cinco aldeias e duas roças. Os atendimentos ocorrerão prioritariamente nas aldeias Forquilha Grande e Piquiá, que concentram cerca de 68% dos moradores, além de equipes atuarem em pontos de migração sazonal utilizados pela comunidade ao longo do ano.

Chegar ao território exige uma operação logística que combina transporte terrestre e fluvial. O deslocamento das equipes começa em Porto Velho (RO), segue até Humaitá (AM) e continua por aproximadamente 85 quilômetros pela Rodovia Transamazônica até a Ponte do Maici. A partir desse ponto, o acesso é exclusivamente por via fluvial, em cerca de quatro horas de navegação pelo rio Maici até as aldeias.

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 Expedições ampliam o acesso à assistência especializada

A atuação no território Pirahã dá continuidade à estratégia do SUS de levar atendimento especializado a regiões remotas do país, onde fatores geográficos dificultam o acesso aos serviços de média complexidade. A iniciativa sucede a expedição realizada entre 23 e 30 de julho na Terra Indígena Andirá-Marau, em Maués (AM), quando equipes de saúde realizaram 1.326 consultas especializadas, 2.850 exames e procedimentos, 198 cirurgias e produziram e entregaram cerca de 300 óculos para a população indígena atendida.

Assim como ocorreu em Maués, a ação no território Pirahã será realizada diretamente nas aldeias, com estruturas temporárias de atendimento e equipes multiprofissionais. A estratégia fortalece a capacidade de resposta da atenção à saúde indígena, reduz a necessidade de remoções para centros urbanos e assegura acesso aos serviços especializados de forma adequada.

A iniciativa está em consonância com os princípios estabelecidos pela Portaria Conjunta nº 4.094, de 20 de dezembro de 2018, que orienta que as ações de atenção à saúde dos povos indígenas isolados e de recente contato respeitem sua organização social, seus modos de vida, sua autonomia e sua autodeterminação, priorizando intervenções realizadas no próprio território e minimizando impactos decorrentes de deslocamentos desnecessários.

 Edjalma Borges
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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