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Agro

Conflito no Oriente Médio aumenta volatilidade no mercado do boi gordo no Brasil

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Mercado do boi gordo enfrenta semana de forte volatilidade

O mercado físico do boi gordo no Brasil registrou uma semana marcada por oscilações de preços, influenciadas principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário internacional obrigou frigoríficos a ajustarem rapidamente suas estratégias de compra de gado.

No início da semana, algumas indústrias em São Paulo voltaram a negociar animais em patamares mais elevados, mas posteriormente retomaram tentativas de aquisição em valores mais baixos, refletindo a instabilidade do mercado.

Conflito no Oriente Médio afeta logística global da carne

Segundo Iglesias, uma das principais preocupações do setor está relacionada aos impactos logísticos no comércio internacional de carne bovina.

O analista destaca que a paralisação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, pode provocar:

  • necessidade de reavaliação das rotas de exportação
  • aumento do tempo de transporte das cargas no oceano
  • elevação de custos logísticos para exportadores

Esse cenário aumenta o nível de incerteza no mercado internacional de proteína animal e repercute diretamente na formação de preços no Brasil.

Preços da arroba registram variações nas principais praças

No mercado físico, os preços da arroba do boi gordo apresentaram movimentos distintos nas principais regiões produtoras do país até 12 de março, na modalidade a prazo.

Cotações do boi gordo:

  • São Paulo (Capital): R$ 345,00/@ — queda de 1,43% frente aos R$ 350,00 do fim da semana anterior
  • Goiás (Goiânia): R$ 330,00/@ — estável em relação à semana passada
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 345,00/@ — sem alteração
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335,00/@ — recuo de 1,47% frente aos R$ 340,00 anteriores
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 340,00/@ — estável
  • Rondônia (Vilhena): R$ 310,00/@ — queda de 1,59% ante os R$ 315,00 da semana passada
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Em estados como Mato Grosso do Sul, frigoríficos seguem tentando adquirir gado em patamares mais baixos, o que mantém pressão sobre os preços.

Carne bovina perde espaço no consumo interno

No mercado atacadista, os preços da carne bovina registraram acomodação ao longo da semana.

Segundo Fernando Iglesias, nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para estimular novos reajustes nos preços da proteína.

Isso ocorre porque a carne bovina já atingiu patamares elevados para grande parte da população brasileira, especialmente para famílias com renda entre um e dois salários mínimos.

Nesse contexto, muitos consumidores têm priorizado proteínas mais acessíveis, como:

  • carne de frango
  • embutidos
  • ovos
Preços dos cortes bovinos no atacado

Entre os principais cortes comercializados no atacado, foram registrados os seguintes valores:

  • Quarto dianteiro: R$ 20,50/kg — queda de 2,38% frente aos R$ 21,00 da semana anterior
  • Cortes do traseiro: R$ 27,00/kg — estáveis na comparação semanal

A redução no dianteiro reflete a menor demanda interna por cortes bovinos, principalmente entre consumidores mais sensíveis ao preço.

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Exportações de carne bovina seguem em alta

Apesar da volatilidade no mercado doméstico, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina segue positivo.

Nos primeiros cinco dias úteis de março, o país registrou:

  • US$ 341,193 milhões em receita com exportações
  • 59,986 mil toneladas embarcadas
  • média diária de 11,997 mil toneladas

A média diária de faturamento foi de US$ 68,238 milhões, com preço médio de US$ 5.687,80 por tonelada.

Desempenho supera resultados de 2025

Na comparação com março de 2025, os dados apontam crescimento relevante no comércio internacional da proteína bovina brasileira:

  • Alta de 22,9% no valor médio diário exportado
  • Aumento de 5,9% na quantidade média diária embarcada
  • Avanço de 16,1% no preço médio da tonelada

Os números foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Mercado segue atento ao cenário internacional

Para as próximas semanas, o mercado pecuário brasileiro deve permanecer atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que podem continuar influenciando a logística global e a dinâmica das exportações.

Enquanto isso, o setor segue dividido entre boa demanda externa e consumo doméstico mais restrito, fatores que devem continuar gerando oscilações nos preços da arroba do boi gordo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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