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Com reflorestamento, Rio Iguaçu tem maior volume de água em 12 anos

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Maior rio do Paraná, com uma superfície de mais de 55 mil km² que praticamente corta o Estado de ponta a ponta, o Iguaçu voltou a respirar sem a ajuda de aparelhos. Políticas ambientais implementadas a partir de 2019 pelo Governo do Paraná fizeram com que a superfície da água ultrapassasse os 98 mil hectares de extensão em 2022, 10% superior ao índice do ano anterior e maior volume observado nos últimos 12 anos. O levantamento é da rede colaborativa MapBiomas, especializada em meio ambiente e vinculada ao Observatório do Clima.

A revitalização do rio está diretamente ligada à recuperação da mata ciliar com mudas de espécies nativas, uma das plataformas do programa Paraná Mais Verde. Criado em 2019 pelo Instituto Água e Terra (IAT), o projeto já destinou mais de 600 mil mudas de diferentes espécies de árvores para plantio às margens do Iguaçu, com destaque para as mudas de Araucária ou Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia), Angico-branco (Anadenanthera colubrina), Ipê-amarelo (Handroanthuschrysotrichus) e Erva-mate (Ilexparaguariensis).

A ação já regenerou uma área superior a 660 hectares ou 924 campos de futebol. Boa parte, nos trechos que cortam a Região Metropolitana de Curitiba, em cidades como São José dos Pinhais, Araucária, Contenda e Balsa Nova, entre outras, locais em que o rio sofre os efeitos da expansão urbana e imobiliária.

Engenheiro civil responsável pela gestão de bacias hidrográficas dentro da diretoria de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do IAT, João Samek destacou que a implantação de ações que preservem os recursos hídricos é fundamental para contribuir para segurança hídrica em um futuro próximo, como a conservação de nascentes, a minimização dos problemas de erosão e voçorocas, além de criar alternativas à reservação de água e à distribuição do recurso para as atividades rurais.

“As bacias que possuem mais vegetação, como matas ciliares por exemplo, têm uma dinâmica da água mais equilibrada, ajudando no fluxo e na retenção da água do rio”, afirmou Samek. “No IAT, trabalhamos com ações que ajudam na recuperação dessas matas, mas é um trabalho contínuo de recuperação e fiscalização. Para o Rio Iguaçu, há um projeto de revitalização dos pontos onde o rio passa pelos meios urbanos, que concentram uma maior quantidade de poluentes”, acrescentou.

Um desses projetos é o corredor ecológico que será implementado ao longo do Iguaçu, com preservação da fauna e da flora e a implementação de elementos urbanísticos e áreas de lazer e turismo. A área total da Reserva Hídrica é de 200 quilômetros quadrados, com 50 km² de área de águas e lagos. O projeto é desenvolvido pelo IAT e Sanepar e pretende estabelecer parcerias com os municípios da Região Metropolitana.

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“O projeto Reserva Hídrica do Iguaçu vai contribuir para que a Região Metropolitana de Curitiba tenha resiliência hídrica, deixando um legado de conservação dos recursos naturais para as próximas gerações”, destacou o diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile.

Outro ponto importante que contribuiu para o aumento da superfície de água diz respeito à vigilância. Levantamento do IAT revelou que foram aplicadas R$ 4,3 milhões em multas por ações contra o rio desde 2000, decorrentes de 864 Autos de Infração Ambiental (AIA), em sua maioria por desmate sem autorização (336), pesca ilegal (334) e prejuízo à fauna (45). “Nossos funcionários seguem com fiscalizações de rotina e forças-tarefas para coibir crimes como a pesca predatória”, ressaltou o gerente de Monitoramento e Fiscalização do IAT, Álvaro Cesar de Góes.

CARACTERÍSTICAS – O Rio Iguaçu é formado pelo encontro dos rios Ivaí e Atuba. São 1.320 quilômetros de curso, ligando a Serra do Mar ao extremo Oeste do Paraná, em Foz do Iguaçu, passando por três planaltos do Estado até desaguar no Rio Paraná (cerca de 28% do território paranaense).

O Iguaçu colabora também na proteção de espécies do bioma da Mata Atlântica. O Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, abriga nos 225 mil hectares de floresta mais de 340 espécies de aves, 70 espécies de mamíferos e 700 espécies de borboletas.

OUTROS PONTOS – O relatório do MapBiomas apontou ainda que a Região Hidrográfica do Paraná também teve um aumento significativo na superfície de água entre 2021 e 2022, passando de 1,639 milhão de hectares para 1,737 milhão de hectares, um incremento de mais 39 mil hectares em relação à média histórica registrada pela rede.

“Os recursos hídricos sempre passam por períodos de oscilação. Por meio dos sistemas de monitoramento do IAT, conseguimos observar a quantidade de chuva no Paraná, e os anos de 2020 e 2021 apresentaram secas muito severas. No período, alguns dos pontos do Estado chegaram aos piores índices de chuva nos últimos 100 anos, o que baixou os volumes dos rios. Em 2022, o regime de chuvas voltou à normalidade, e isso também colaborou para aumentar o nível da água”, explicou Samek.

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GESTÃO – O IAT é o órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos no Estado do Paraná. O instituto atua na implementação de intervenções estruturais como obras para controle de cheias, combate à erosão, desassoreamento de cursos d’água e projetos de drenagem urbana de águas pluviais.

Como uma forma de facilitar a gestão dos recursos hídricos, o Estado foi organizado em 12 Unidades Hidrográficas de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

“A ideia é que cada uma das unidades tenha um Comitê de Bacia, composto por representantes do poder público, da sociedade civil organizada e dos usuários da água da região, como abastecimento, agricultura, indústria, turismo e lazer, para debater e executar ações de interesse comum na bacia hidrográfica e garantir o uso múltiplo da água”, afirmou a gerente de Gestão de Bacias Hidrográficas do IAT, Danielle Teixeira Tortato.

O órgão também tem a função de aplicar a legislação ligada à Política Estadual de Recursos Hídricos por meio de instrumentos como planos de bacias hidrográficas, autorização do direito de uso das águas, monitoramento da quantidade e qualidade das águas e sistema de informações sobre os recursos hídricos, visando o uso múltiplo das águas superficiais e subterrâneas do Paraná.

MAPBIOMAS – O MapBiomas é uma rede colaborativa de ONGs, universidades e startups de tecnologia que desde 2015 produz relatórios anuais sobre a superfície do Brasil por meio de imagens de satélite, além de coletar dados mensais sobre a superfície da água e as cicatrizes do fogo no país, com uma base de dados que vai até 1985.

Apesar de vários biomas ainda terem registrado quedas nos níveis de água, o relatório da rede apontou que 2022 foi um de incremento em todo o País, na contramão da tendência de seca dos anos anteriores.

No total, houve uma recuperação de 1,7 milhão de hectares de água, um valor 1,5% acima da média histórica e 10% acima dos índices de 2021, que registraram os menores níveis da série histórica até então.

Fonte: Governo PR

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Do Paraná para o mundo: vendas de produtos com alta tecnologia crescem 15%

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O Paraná tem consolidado uma nova frente de protagonismo econômico no mercado internacional com a exportação de tecnologia e de insumos tecnológicos produzidos no Estado. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostram que, somente em 2025, o setor movimentou mais de US$ 3,8 bilhões em exportações, um crescimento de 15% em relação a 2024, quando foram injetados pouco mais de US$ 3,3 bilhões na economia paranaense.

A expansão é puxada principalmente pela indústria de alta tecnologia, envolvendo desde equipamentos médicos e componentes eletrônicos até sistemas de energia, produtos farmacêuticos e peças automotivas, que são o recorte analisado. O maior volume financeiro está concentrado no segmento de veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, que movimentou mais de US$ 2,1 bilhões – o Estado é um dos maiores polos automotivos do Brasil.

Mas os dados também revelam uma transformação mais ampla da indústria paranaense, com crescimento em setores ligados à inovação, automação, saúde e tecnologia de precisão. Entre os principais grupos exportados pelo Paraná estão produtos farmacêuticos, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, materiais elétricos e eletrônicos, equipamentos médicos, além de instrumentos ópticos, fotográficos e de precisão.

Nos segmentos industriais, o destaque fica para áreas de maior valor agregado, como a fabricação de instrumentos e suprimentos médicos e odontológicos, fabricação de motores elétricos, geradores e transformadores, fabricação de produtos farmacêuticos e químicos medicinais, fabricação de componentes eletrônicos e placas, fabricação de cabos de fibra ótica e fabricação de equipamentos eletromédicos e eletroterapêuticos.

A fabricação de instrumentos e suprimentos médicos e odontológicos lidera entre os segmentos tecnológicos específicos, com mais de US$ 106,9 milhões exportados em 2025. Os principais destinos foram Suíça, Estados Unidos e México. Na sequência aparece a fabricação de motores elétricos, geradores, transformadores e aparelhos de distribuição e controle de energia elétrica, com mais de US$ 73,6 milhões exportados, principalmente para Estados Unidos, México e Bolívia.

Os produtos paranaenses com alta tecnologia no processo industrial também chegaram a mercados como Alemanha, França, Espanha, Colômbia, Argentina, Chile e Tailândia.

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EXEMPLO – O avanço das exportações tecnológicas impulsionam empresas paranaenses que vêm ganhando espaço em mercados internacionais com soluções desenvolvidas localmente. É o caso da Plumatronix, fundada em Curitiba em 2007 e especializada em soluções de captura e processamento de imagens, além de leitura automática de placas de veículos.

A empresa desenvolve câmeras voltadas para captura de veículos, reconhecimento facial, monitoramento rodoviário e segurança pública, competindo em um mercado dominado por produtos importados. Também atua no desenvolvimento de balanças dinâmicas para pesagem automática de caminhões em rodovias, softwares para pedágios e cidades inteligentes, sistemas de conectividade para luminárias públicas e estações meteorológicas utilizadas pelo agronegócio, defesa civil e concessionárias rodoviárias.

Todo o desenvolvimento tecnológico é feito internamente pela empresa no Paraná, desde o projeto até os softwares embarcados, embora os componentes eletrônicos sejam importados. A Plumatronix já exporta soluções para países como Argentina, Costa Rica e Portugal. Entre os produtos comercializados estão balanças inteligentes e estações meteorológicas.

Segundo o CEO e chairman da empresa, Sylvio Calixto, a empresa vê um grande potencial de expansão internacional para a tecnologia desenvolvida no Paraná. “O Brasil tem apenas cerca de 2% de participação no mercado mundial, então ainda existem 98% desse mercado para a gente explorar. Estamos investindo cada vez mais no desenvolvimento de tecnologia e na ampliação da nossa presença internacional”, diz.

A empresa participou do processo de incubação no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), com o objetivo de estruturar os negócios e apoiar no seu crescimento no mercado.

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, analisa que o Paraná é referência com grandes empresas indústrias despontando no mercado nacional e internacional, mas que na outra ponta, onde estão as empresas crescentes, a diferença do apoio do Governo do Estado é fundamental para que o empreendedorismo se fortaleça.

“O Paraná tem um ambiente de negócios diferenciado no país e o Governo do Estado tem ferramentas para apoiar desde os grandes negócios até as empresas que estão começando. No Tecpar, temos a nossa incubadora tecnológica, que desde 1989 já deu suporte a mais de 100 negócios, muitos deles destaque na exportação de tecnologia de excelência global. Esse apoio do Estado gera desenvolvimento no Paraná, com geração de emprego e renda para os paranaenses”, salienta.

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AMBIENTE FAVORÁVEL – O fortalecimento da exportação de tecnologia também é resultado de um ambiente favorável à inovação e à atração de investimentos criado pelo Governo do Paraná nos últimos anos.

Entre os principais instrumentos está o programa Paraná Competitivo, coordenado pela Secretaria da Fazenda e pela Invest Paraná. A iniciativa oferece incentivos para empresas que se instalam ou ampliam operações no Estado, incluindo benefícios fiscais e apoio ao desenvolvimento industrial. Entre 2019 e 2025, o programa fomentou a geração de 68,9 mil empregos no Paraná.

As cidades com maior número de empresas enquadradas no programa são Curitiba, com 115 empresas; Maringá, com 36; São José dos Pinhais, com 31; Ponta Grossa, com 27; Pinhais, com 25; Araucária, com 17; Cascavel e Campo Mourão, ambas com 14 empresas.

Além da instalação e ampliação industrial, o Paraná Competitivo também possui modalidades voltadas para e-commerce, energia renovável e inovação tecnológica.

Para o presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, o foco na atração de empresas inovadoras ajuda a criar um ciclo de desenvolvimento tecnológico. “Quando a gente importa e traz para dentro do Paraná tecnologia, ao mesmo tempo se prepara para exportar tecnologia, exportar know-how. E isso gera receita para o Estado, retenção e geração de talentos, uma mão de obra mais especializada, o que gera um valor internamente”, analisa.

Outro exemplo é o programa Anjo Inovador, considerado o maior programa público de incentivo a startups do Brasil, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial. As duas primeiras edições do programa já somam R$ 37 milhões em investimentos destinados a 148 startups paranaenses. O novo edital prevê R$ 10 milhões para apoiar até 40 startups paranaenses, com foco em áreas estratégicas como biotecnologia, energias inteligentes e automação ética.

Nos últimos sete anos, o número de startups paranaenses cresceu mais de 500%, ultrapassando a marca de 2 mil empresas inovadoras, segundo o Mapeamento das Startups Paranaenses, publicado anualmente pelo Sebrae/PR.

Fonte: Governo PR

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