Brasil
Com investimento de R$ 240 milhões, Ministério da Saúde moderniza o SUS em Minas Gerais
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou, nesta quinta-feira (3), a segunda UTI Inteligente e o primeiro SAMU Inteligente do país. A ação ocorreu durante agenda cumprida em Belo Horizonte (MG), e as novas unidades estão instaladas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A iniciativa marca um avanço na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de tecnologia de ponta para qualificar a assistência e ampliar a capacidade de salvar vidas.
“A UTI Inteligente inaugura um novo modelo de atendimento, com monitoramento em tempo real por meio de um painel de controle. Teremos 14 unidades como essa em todo o país, fruto da parceria com a China, a Índia e a Coreia do Sul. Com essa conexão em tempo real, as equipes ganham mais agilidade para tomar decisões e intervir rapidamente. Na urgência e na emergência, o tempo salva vidas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A UTI utiliza inteligência artificial para identificar o agravamento do estado clínico dos pacientes, prever riscos, apoiar a priorização dos atendimentos e disponibilizar informações estratégicas diretamente no prontuário eletrônico. O projeto também incorpora cirurgia robótica, medicina de precisão e soluções de IA para qualificar o cuidado e ampliar a eficiência dos serviços.
Já o SAMU Inteligente contará com ambulâncias conectadas às unidades hospitalares, permitindo a transmissão, em tempo real, de sinais vitais e informações clínicas durante o transporte dos pacientes. Com isso, as equipes de saúde poderão iniciar a preparação para o atendimento antes mesmo da chegada à unidade, o que reduz o tempo de resposta e aumenta as chances de salvar vidas.
A entrega faz parte da Rede Nacional de UTIs Inteligentes e da estratégia do Governo Federal para acelerar a transformação digital da atenção hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS). Iniciado em 2025, o projeto prevê a incorporação de sistemas avançados, conectividade e inteligência de dados para qualificar o atendimento aos pacientes, com investimento superior a R$ 180 milhões. Na última segunda-feira (29), o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, tornou-se a primeira unidade do país a receber uma UTI Inteligente.
Novo curso de medicina na Santa Casa de Belo Horizonte
O ministro Padilha assinou a portaria que habilita a Santa Casa de Belo Horizonte a ofertar o curso de Medicina, vinculado ao Edital nº 5/2024 dos Ministérios da Educação (MEC). A expectativa é que, após a autorização do MEC, sejam abertas de 80 a 100 novas vagas para estudantes na área.
Também foi entregue uma placa de certificação de Hospital de Ensino – Nível 1 para três instituições mineiras que ofertam serviços de alta complexidade pelo SUS: o Complexo Hospitalar Mater Dei, o Hospital Sofia Feldman e o Hospital Universitário Ciências Médicas. A titulação reconhece a compatibilidade dessas unidades como ambientes de prática, aprendizagem e integração entre ensino e serviço.
Fortalecimento do SUS em Minas Gerais
Na agenda, o ministro Padilha realizou outras entregas históricas de equipamentos que fortalecem e ampliam o acesso aos serviços do SUS em Minas Gerais. Com investimento de R$ 56 milhões, o estado recebeu 135 veículos e unidades móveis dos programas Agora Tem Especialistas e Novo PAC Saúde, que serão distribuídos aos municípios, sendo 64 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), 36 ambulâncias do SAMU 192, 23 micro-ônibus, nove vans para transporte sanitário e três ambulâncias Tipo A.
O ministro também participou da inauguração do novo tomógrafo da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, com investimento de R$ 2,15 milhões. O novo aparelho amplia a capacidade de realização de exames de imagem, reduz o tempo de espera por diagnósticos e fortalece a assistência prestada pelo hospital aos pacientes do SUS, contribuindo para maior agilidade no diagnóstico e no início do tratamento.
Também foram assinadas ordens de serviço para a construção de três Centros Especializados em Reabilitação (CER) em Betim, Muriaé e Juiz de Fora. Cada unidade receberá investimento de R$ 9,3 milhões e terá as obras iniciadas imediatamente. Juntos, os municípios somam mais de 1,1 milhão de habitantes que terão acesso aos serviços ambulatoriais de atenção especializada, que oferecem diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas com deficiência.
Adesão de instituições mineiras ao programa Agora Tem Especialistas
Foi formalizada a adesão de cinco instituições mineiras, quatro filantrópicas e uma privada, à modalidade de crédito financeiro do programa Agora Tem Especialistas. Com adesão de mais de R$ 20,2 milhões, a Santa Casa de Alfenas, o Hospital Regional Imaculada Conceição, em Guanhães, o Hospital São João Batista, em Viçosa, o Hospital São Miguel, em Jequitinhonha, e a Irmandade Nossa Senhora das Mercês, em Montes Claros, passarão a realizar consultas, exames e cirurgias para pacientes do SUS em troca de abatimento de impostos.
As instituições ofertarão mais de 3,2 mil procedimentos em áreas como oncologia, neurocirurgia, cardiologia, cirurgia geral, ortopedia, urologia, ginecologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia e cirurgia bariátrica, ampliando o acesso da população mineira à atenção especializada.
Mais de R$ 105 milhões para Atenção Primária à Saúde
Também foi destinado R$105,8 milhões para fortalecer a Atenção Primária à Saúde mineira, ampliando a capacidade de atendimento e qualificando os serviços prestados à população. Serão entregues equipamentos, kits e insumos estratégicos para as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) incluindo combos de equipamentos de saúde bucal, kits para Consultório na Rua e prisional, unidades móveis, avaliação do desenvolvimento infantil, além de 33.672 unidades do implante contraceptivo subdérmico (Implanon).
Os recursos também impulsionam a modernização da rede por meio da implantação de fluxos digitais e da renovação da estrutura das equipes de saúde, contribuindo para um atendimento mais ágil, qualificado e humanizado.
Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Presidente Lula assina Medida Provisória que proíbe as bets no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.
Confira o cronograma das medidas:
- Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
- A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
- Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
- De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
- A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.
INTERESSE PÚBLICO
A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas. Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE AO MERCADO ILEGAL
O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares. Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para obloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.
A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.
As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.
PROJETO DE LEI TIPIFICA CRIMES
Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:
- exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
- divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
- uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
- facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
- fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou
- localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).
SAÚDE PÚBLICA
As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior uso de álcool e outras drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online. Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático.
Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e aprojeção é de aumento de mais 104% até 2028. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começar aos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.
Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.
Fonte: Ministério da Saúde
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