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CNA reforça denúncia de dumping contra leite em pó do Mercosul e aguarda decisão final da Camex

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil protocolou nesta semana a manifestação final sobre a investigação de dumping envolvendo importações de leite em pó oriundas de países do Mercosul.

O documento integra a etapa decisiva do processo conduzido pelo Departamento de Defesa Comercial, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e reforça os argumentos apresentados pelo setor produtivo desde o início da investigação, em 2022.

A conclusão do caso está prevista para o final de maio e poderá resultar na aplicação de medidas antidumping contra importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

Investigação reconhece prática de dumping e prejuízos à produção brasileira

Segundo a CNA, a nota técnica apresentada pelo Decom trouxe avanços considerados relevantes para o setor leiteiro nacional.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • Reconhecimento da prática de dumping pelas origens investigadas
  • Indicação de prejuízos causados à cadeia produtiva brasileira
  • Retomada do entendimento sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura

Conforme os cálculos do departamento técnico, as margens de dumping identificadas após a análise das respostas de exportadores argentinos e uruguaios chegaram a superar 60%.

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O setor produtivo argumenta que as importações com preços abaixo do mercado vêm pressionando os valores pagos ao produtor brasileiro, reduzindo a competitividade da produção nacional.

CNA destaca rigor técnico da investigação

A entidade afirmou que o processo vem sendo conduzido com rigor técnico e dentro das normas nacionais e internacionais de comércio exterior.

A CNA também destacou a atuação do Decom após a apresentação de novas provas pelo setor produtivo, reforçando a tese de que as importações em condições desleais afetaram diretamente a rentabilidade das propriedades leiteiras brasileiras.

Caso foi debatido na OMC

Em abril, o tema também foi discutido durante reunião do Comitê de Práticas Antidumping da Organização Mundial do Comércio.

Na ocasião, representantes das origens investigadas solicitaram esclarecimentos sobre a condução do processo brasileiro, sem apresentar novos argumentos além dos já analisados durante a investigação.

Segundo a CNA, não há contestação internacional formal nem pedido de abertura de solução de controvérsias no âmbito da OMC.

Camex decidirá sobre aplicação de medidas antidumping

A investigação entra agora em sua fase final. O próximo passo será o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior.

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O tema deverá ser analisado pelo Grupo Executivo de Gestão da Camex (Gecex), colegiado composto pelo ministro do MDIC e secretários-executivos de dez ministérios.

A expectativa do setor leiteiro é que o governo brasileiro reconheça oficialmente os prejuízos causados pelas importações e aprove medidas antidumping para equilibrar a concorrência no mercado.

Setor leiteiro busca proteção contra concorrência desleal

A CNA afirmou que continuará atuando junto ao governo federal e ao Congresso Nacional em defesa da cadeia leiteira brasileira, com apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária e da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite.

O setor considera a investigação estratégica para garantir maior competitividade à produção nacional e reduzir os impactos das importações sobre os produtores rurais brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção de sementes de ruziziensis cai 55% e acende alerta para planejamento da safra 2025/26

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A forte redução na produção de sementes de Brachiaria ruziziensis para a safra 2025/26 está gerando preocupação entre produtores, distribuidores e especialistas do setor. Considerada uma das principais espécies utilizadas nos sistemas de plantio direto e integração lavoura-pecuária (ILP), a forrageira registrou uma queda de aproximadamente 55% na área destinada à multiplicação de sementes, sinalizando uma mudança importante na dinâmica de oferta e demanda do mercado.

Dados do Sistema de Gestão da Fiscalização (SIGEF), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que a área inscrita para produção de sementes da espécie caiu de 121.260 hectares na safra 2024/25 para 54.948 hectares na temporada 2025/26. A retração de 66.312 hectares representa uma redução de 54,69%, a maior registrada nos últimos anos.

Ruziziensis se consolidou como peça-chave da agricultura brasileira

Ao longo das últimas décadas, a Brachiaria ruziziensis deixou de ser apenas uma opção forrageira para se tornar uma ferramenta estratégica dentro dos sistemas produtivos brasileiros.

Amplamente utilizada na formação de palhada, a espécie desempenha papel fundamental na conservação do solo, no controle da erosão, na retenção de umidade e na ciclagem de nutrientes. Além disso, contribui para a redução da pressão de plantas daninhas e para o aumento da eficiência operacional das lavouras.

Segundo Thiago Maschietto, CEO e fundador da SBS Green Seeds, os benefícios da cultura vão muito além da entressafra.

“A formação de uma palhada uniforme contribui para melhorar as condições do solo e reduzir a incidência de plantas invasoras, favorecendo o desempenho das culturas subsequentes. Os ganhos em produtividade, estabilidade e rentabilidade já são amplamente reconhecidos pelos produtores”, destaca.

Mercado passa por processo de reequilíbrio

Apesar da demanda permanecer aquecida, impulsionada principalmente pelos sistemas de Plantio Direto e Integração Lavoura-Pecuária, a oferta de sementes passa por um processo de ajuste.

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De acordo com especialistas, o movimento atual é reflexo do crescimento acelerado observado nos últimos anos. A área destinada à produção de sementes de ruziziensis saiu de pouco mais de 51 mil hectares na safra 2022/23 para mais de 121 mil hectares em 2024/25.

Esse aumento expressivo ampliou a disponibilidade do produto no mercado, pressionando preços e reduzindo a rentabilidade dos produtores de sementes. Como consequência, houve uma forte retração dos campos destinados à multiplicação da espécie na temporada seguinte.

“O mercado está passando por uma correção natural. O excesso de oferta observado nos últimos anos diminuiu a atratividade econômica da atividade e provocou uma redução significativa na área de produção”, explica Maschietto.

Segundo ele, enquanto a área total destinada às principais forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum recuou cerca de 26% na safra 2025/26, a redução registrada especificamente na ruziziensis foi muito mais intensa.

Oferta menor pode valorizar sementes nos próximos anos

A diminuição da área de produção não representa um cenário de escassez imediata, mas indica uma tendência de maior equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos.

Para especialistas do setor, caso a procura permaneça firme, o mercado deverá enfrentar uma disponibilidade mais limitada de sementes, especialmente dos lotes com maior padrão de qualidade.

Nesse contexto, a expectativa é de valorização dos preços e aumento da competitividade na aquisição do insumo.

“Os impactos dessa redução não aparecem apenas nos registros de área plantada. Eles tendem a influenciar diretamente a disponibilidade física do produto ao longo do ciclo comercial. Com demanda sustentada, é natural que ocorra valorização das sementes e maior disputa pelos lotes de melhor qualidade”, projeta o executivo.

Planejamento antecipado será decisivo para produtores

Diante do novo cenário, especialistas recomendam que produtores rurais e distribuidores iniciem o planejamento da safra com antecedência para garantir acesso às sementes necessárias.

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Entre as principais orientações para a safra 2025/26 estão:

  • Antecipar a compra das sementes;
  • Priorizar fornecedores reconhecidos pela qualidade;
  • Garantir lotes certificados antes do período de maior demanda;
  • Avaliar contratos antecipados para assegurar volume e disponibilidade.

A recomendação é evitar compras de última hora, quando a oferta tende a ser mais limitada e os preços podem apresentar maior pressão de alta.

Qualidade da semente ganha importância estratégica

Com uma oferta mais ajustada, a qualidade das sementes passa a ter peso ainda maior nas decisões de compra.

Empresas do setor reforçam a importância da aquisição de materiais certificados e com procedência comprovada, garantindo melhor estabelecimento das áreas de cobertura e maior retorno agronômico ao produtor.

“A ruziziensis continua sendo uma das espécies mais importantes para os sistemas produtivos brasileiros. O que mudou foi o volume disponível para atender um mercado que segue valorizando seus benefícios agronômicos e econômicos. Por isso, o planejamento antecipado será fundamental para garantir acesso aos melhores materiais”, conclui Maschietto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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