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Agro

Citricultura: Quebra do ciclo do psilídeo muda estratégia de controle do greening

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O controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto transmissor da bactéria causadora do greening (Huanglongbing – HLB), passou por mudanças significativas nos últimos anos. Segundo o engenheiro agrônomo Hamilton Rocha, presidente do GCONCI – Grupo de Consultores em Citros, novas pesquisas permitiram identificar a fase ninfa do inseto como a mais crítica para a transmissão da doença.

“A quebra do ciclo reprodutivo do psilídeo trouxe um ganho enorme. O desafio é impedir que a praga se multiplique e contamine as plantas”, explica Rocha. Aplicações estratégicas de inseticidas sobre ninfas, combinadas com produtos que atuam sobre os adultos, podem aumentar a eficácia do controle em até 80%, se realizadas nos estágios iniciais das folhas (V1 a V4).

Safras e impacto do greening

Dados do Fundecitrus indicam que a incidência do greening em laranjeiras subiu de 38% em 2023 para 44,35% em 2024. Plantas afetadas apresentam queda acentuada de frutos, deformações e perda de qualidade. “A planta bloqueia o transporte de seiva para os frutos, que acabam caindo ou ficando deformados. Nosso objetivo é reduzir essa perda e manter a seiva circulando, apesar da doença”, afirma Rocha.

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Monitoramento e manejo integrado são essenciais

O especialista ressalta que a inspeção rigorosa dos pomares é fundamental para definir as melhores estratégias de manejo. Fatores como clima, estágio da safra e fases dos insetos devem ser considerados. Além do controle químico, nutrição equilibrada das plantas, análises de solo e folhas e o uso de bioestimulantes fortalecem as árvores e aumentam a resistência a pragas e doenças.

“Bioestimulantes ajudam a planta a se defender em situações de estresse, como seca, ausência de chuvas ou ataque de doenças”, reforça Rocha.

Produção prevista para 2025-26

Apesar da pressão crescente do greening, a previsão de safra do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais indica 314,6 milhões de caixas de 40,8 kg, um aumento de 36% em relação ao ciclo anterior (230,87 milhões de caixas). Rocha observa que, mesmo com crescimento da produção, a fruta tende a ser menor em algumas regiões devido à seca registrada entre fevereiro e abril, afetando principalmente os pomares das variedades precoces.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro

Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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