Agro
Circuito Nelore de Qualidade 2025 passa por Nova Andradina (MS) com destaque para carcaças de machos e fêmeas
A 13ª etapa do Circuito Nelore de Qualidade 2025 ocorreu no último dia 22 de agosto em Nova Andradina (MS), no frigorífico Friboi. A avaliação envolveu 614 animais, sendo 208 terminados a pasto e 406 em confinamento, provenientes de cinco pecuaristas de diferentes municípios do estado.
A iniciativa é promovida pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), em parceria com a Associação Sul-Matogrossense dos Criadores de Nelore (ASCN), a Matsuda Sementes e Nutrição Animal e o frigorífico Friboi.
Perfil genético e peso médio dos animais
Entre os 358 machos não castrados e 37 castrados, 92% tinham até quatro dentes incisivos permanentes (menos de três anos de idade) e 53% apresentavam cobertura de gordura mediana, com peso médio de 21,9 arrobas.
Entre as 219 fêmeas, 72% tinham até quatro dentes incisivos permanentes e 54% possuíam cobertura de gordura mediana, indicando animais jovens e com potencial para alto rendimento de carcaça.
Destaques da etapa: melhor lote de machos
A Medalha de Ouro de Melhor Lote de Carcaças de Machos foi concedida a Paula Ferreira Martins, da Fazenda Dois Irmãos (Bataguassu/MS). A pecuarista já havia conquistado medalhas em etapas anteriores do Circuito.
A Medalha de Prata ficou com Carlos Molina, da Fazenda Triângulo (Nova Andradina/MS), e a Medalha de Bronze com Ricardo José Silva, da Fazenda Santo Antônio do Buriti (Três Lagoas/MS).
Segundo Paula Ferreira Martins, “participar desta etapa e receber o prêmio reforça que a seleção genética adotada está alinhada com as necessidades da indústria, garantindo curva de crescimento acelerada, carcaça de alto rendimento e excelente aproveitamento de desossa”.
Destaques da etapa: melhor lote de fêmeas
Na categoria fêmeas, a Medalha de Ouro foi para Ricardo José Silva (Fazenda Santo Antônio do Buriti), enquanto a Medalha de Prata ficou com o Espólio de Annes Salim Saad, da Fazenda Gaeiro (Nova Alvorada do Sul/MS).
Importância do Circuito Nelore de Qualidade
O Circuito Nelore de Qualidade, realizado pela ACNB desde 1999, tem como objetivo fortalecer a genética Nelore e promover a produção de carne de alta qualidade, avaliando os resultados obtidos pelos produtores em diferentes sistemas de produção.
No Brasil, a iniciativa conta com o apoio de Friboi, Frisa, Cooperfrigu, Fribal, Masterboi e Matsuda Sementes e Nutrição Animal. No exterior, é organizada em parceria com associações locais, incluindo Fridosa na Bolívia e Minerva Foods no Paraguai, consolidando o Circuito como o maior campeonato de avaliação de carcaças de bovinos do mundo.
Relevância regional
O Mato Grosso do Sul é um dos maiores rebanhos do país, com aproximadamente 21,8 milhões de cabeças de gado, sendo que Nova Andradina possui cerca de 326 mil. O evento reforça a qualidade e o potencial produtivo da raça Nelore no estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro
-
Esportes7 dias agoFlamengo vence o Corinthians no Maracanã e reassume a liderança do Brasileirão
-
Agro6 dias agoChina vem avaliar frigoríficos e exiger controle maior de resíduos no campo
-
Educação6 dias agoMEC disponibiliza painel com dados do Ideb para análise da aprendizagem
-
Paraná5 dias agoSérie especial sobre eleições prossegue com programa que trata das principais novidades para o pleito deste ano, como o uso da IA
-
Entretenimento7 dias agoYudi Tamashiro leva filho de um ano para o Rock in Rio: ‘Yudinho curtiu cada momento’
-
Educação6 dias agoEducação de jovens e adultos é tema de episódio do PodMEC
-
Agro7 dias agoDez dias após bloqueio europeu, valor da arroba recua nas principais regiões produtoras
-
Agro7 dias agoRenegociação rural ainda esbarra em laudos e exigências bancárias
