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Agro

China amplia domínio sobre fertilizantes e defensivos agrícolas e reforça dependência do agro brasileiro

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A China segue consolidando sua posição como principal fornecedora de insumos agrícolas para o Brasil, ampliando sua influência sobre segmentos estratégicos da produção agropecuária nacional. Dados recentes de importação mostram que o país asiático mantém liderança absoluta em diversos fertilizantes e defensivos agrícolas, reforçando a dependência brasileira de produtos essenciais para sustentar a produtividade no campo.

A avaliação é do analista de inteligência de mercado Jeferson Souza, que destaca o avanço da participação chinesa em importantes cadeias de suprimentos do agronegócio brasileiro, especialmente em fertilizantes e agroquímicos.

China mantém protagonismo no mercado de fertilizantes

No segmento de fertilizantes, os indicadores de importação apontam que a China ganhou espaço significativo nos últimos anos. Em 2025, o Brasil registrou o maior volume histórico de compras de fertilizantes provenientes do país asiático.

Em 2026, apesar de uma redução nos embarques devido às restrições impostas pela própria China às exportações de fertilizantes fosfatados, a relevância chinesa permanece elevada em produtos específicos. O destaque fica para o sulfato de amônio, que registra volume recorde de importação para o primeiro semestre deste ano.

A dependência desses insumos preocupa especialistas, uma vez que fertilizantes representam parcela significativa dos custos de produção agrícola e exercem influência direta sobre a competitividade das lavouras brasileiras.

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Defensivos agrícolas têm forte concentração nas importações chinesas

Nos defensivos agrícolas, a liderança chinesa é ainda mais expressiva. Embora o país já ocupasse historicamente a posição de principal fornecedor, sua participação aumentou de forma consistente nos últimos cinco anos.

Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil importou da China a totalidade do volume de alguns importantes ingredientes ativos utilizados na agricultura. É o caso do clorotalonil, fungicida amplamente empregado no controle de doenças, e do glufosinato, herbicida utilizado em diversas culturas.

Outros produtos também apresentam elevada concentração de origem chinesa:

  • Glifosato: 84% das importações brasileiras;
  • Metomil: 84%;
  • Acefato: 78%;
  • Bifentrina: 81%;
  • 2,4-D: 66%;
  • Imazetapir: 100%;
  • Picloram: 100%.

Em outros ingredientes ativos, a presença chinesa também permanece relevante. Na atrazina, a participação alcançou 37% das compras externas brasileiras, enquanto no clorpirifós respondeu por 11% do volume importado.

Índia ganha espaço em produto estratégico

Uma das poucas exceções ao domínio chinês é o fungicida mancozebe. Nesse mercado, a Índia ocupa atualmente a posição de principal fornecedora para o Brasil.

Segundo os dados analisados, a participação chinesa nas importações de mancozebe diminuiu em relação ao ano anterior, representando apenas 6% do volume adquirido pelo país no período.

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Relação entre Brasil e China vai além dos insumos

Enquanto amplia sua presença no fornecimento de insumos agrícolas, a China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de soja. Apesar de uma redução nas compras chinesas em comparação ao ano anterior, o programa de exportação brasileiro manteve ritmo positivo e encontrou oportunidades em outros mercados internacionais.

Para Jeferson Souza, a relação comercial entre Brasil e China continua marcada por uma forte interdependência econômica. O especialista define essa dinâmica como uma relação de “mutualismo”, em que ambos os países dependem um do outro para garantir abastecimento, competitividade e fluxo comercial.

Dependência dos insumos segue no radar do agronegócio

O avanço da participação chinesa nas importações de fertilizantes e defensivos reforça um dos principais desafios estratégicos do agronegócio brasileiro: reduzir a vulnerabilidade externa no fornecimento de insumos essenciais.

Em um cenário de instabilidade geopolítica e oscilações no comércio global, especialistas alertam que a diversificação de fornecedores e o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes permanecem temas prioritários para garantir segurança produtiva e competitividade ao agro brasileiro nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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