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Cenário global desafia mercado de madeira e destaca protagonismo feminino no setor florestal

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O setor florestal brasileiro enfrenta desafios crescentes em 2026, com impactos da instabilidade geopolítica e a necessidade de adaptação das empresas a novos cenários de mercado. O mais recente episódio do podcast da WoodFlow aborda os efeitos da guerra entre EUA e Irã sobre o comércio global de madeira, além do papel da diversidade e do protagonismo feminino na cadeia florestal.

Instabilidade geopolítica afeta exportações de madeira

Segundo Marcelo Wiecheteck, head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, a passagem estratégica pelo Estreito de Ormuz representa um ponto crítico para o comércio internacional. “Embora não seja o principal destino das exportações brasileiras de madeira, cerca de US$ 133 milhões em produtos florestais foram enviados à região no ano passado, concentrados em países como Emirados Árabes e Arábia Saudita”, explica.

Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, reforça que o ambiente global complexo afeta diretamente a dinâmica de negociação e traz desafios para a operação do setor.

Perspectivas para 2026: sinais de recuperação

O início do ano apresenta adversidades, especialmente para produtos à base de pinus, que registraram quedas significativas. Por outro lado, produtos tropicais vêm ganhando espaço, beneficiados por reduções tarifárias recentes.

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“Há expectativa de maior previsibilidade e planejamento nos próximos meses, o que pode favorecer o mercado”, afirma Wiecheteck. Milazzo destaca a importância do mercado norte-americano, que sofre impactos expressivos após alterações tarifárias, mostrando a necessidade de estabilidade para sustentar as exportações.

Protagonismo feminino e diversidade no setor florestal

O episódio também aborda o papel da mulher na cadeia florestal, reforçando que diversidade e equidade são fatores estratégicos para sustentabilidade e gestão de risco.

Luana Goularte, engenheira florestal e secretária-executiva da Rede Mulher Florestal, destaca que empresas com políticas de diversidade tendem a ter ambientes mais seguros, maior capacidade de adaptação e resultados financeiros melhores. Estudos indicam que organizações com diversidade efetiva podem alcançar até 25% mais lucratividade.

Ana Marise Auer, consultora e perita judicial, reforça que barreiras culturais ainda limitam a presença feminina em cargos operacionais e de liderança. “Apesar de quase 50% das engenheiras florestais formadas serem mulheres, isso não se reflete na ocupação dos cargos, especialmente em funções de campo”, explica.

Rede Mulher Florestal e transformação do setor

A Rede Mulher Florestal atua como espaço de conexão e desenvolvimento, reunindo profissionais e empresas para fomentar a presença feminina no setor. Luana Goularte destaca que a iniciativa visa ampliar oportunidades em todas as áreas, desde atividades administrativas até operações em campo, fortalecendo a equidade.

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Diversificação como estratégia empresarial

Os participantes do podcast concordam que a diversidade deve se refletir tanto no interior das empresas quanto na expansão de mercados. Wiecheteck conclui: “Se 2025 foi um ano de grandes desafios, 2026 tende a ser mais previsível, ainda que com riscos. As empresas precisam buscar novos mercados, fortalecer parcerias e adotar a diversidade como estratégia central”.

O episódio reforça que adaptação, previsibilidade e inclusão são elementos-chave para garantir competitividade e sustentabilidade do setor florestal brasileiro em um cenário global volátil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades

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A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.

Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.

O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.

São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.

No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.

A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.

Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.

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A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.

Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.

O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.

A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.

Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.

A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.

A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.

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O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.

Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.

Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.

Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.

Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.

A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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