Brasil
Cemaden celebra 15 anos com foco na expansão do monitoramento e na preparação do País para eventos climáticos extremos
As comemorações pelo aniversário de criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), começaram na quarta-feira (1º), dia em que ele completou 15 anos.
A programação incluiu um seminário sobre os desafios da prevenção de desastres no Brasil. Na ocasião, pesquisadores, representantes da Defesa Civil, da Marinha do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestores públicos e especialistas nacionais e internacionais discutiram o fortalecimento da gestão de riscos diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.
Representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o chefe de gabinete do MCTI, Rubens Diniz, destacou que a trajetória do Cemaden demonstra como o investimento contínuo em ciência fortalece a capacidade do Estado de proteger a população. Segundo ele, a experiência acumulada pelo centro evidencia o papel estratégico da pesquisa aplicada para antecipar riscos e subsidiar decisões em situações de emergência. “É ciência aplicada à vida, é ciência preservando a vida, é o que há de fronteira no conhecimento buscando fazer a prevenção”, afirmou.
Diniz também destacou um episódio ocorrido logo no início da atual gestão federal, em 2023, quando uma emergência provocada por fortes chuvas em Araraquara, interior de São Paulo (SP), exigiu mobilização imediata da equipe técnica do centro de monitoramento. Segundo ele, a pronta resposta dos pesquisadores comprova a eficácia da importância da estrutura construída ao longo dos últimos quinze anos. “Esses 15 anos certamente salvaram muitas vidas.”
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, relembrou que a criação da instituição foi motivada pela necessidade de o País estruturar uma política permanente de prevenção após a tragédia ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro (RJ), em 2011. Na ocasião, mais de 900 pessoas morreram e sete municípios foram atingidos. “Nascemos de uma necessidade urgente e dolorosa.”
Hoje, o Cemaden monitora 1.295 municípios suscetíveis a desastres associados ao excesso de chuvas e trabalha para ampliar essa cobertura para 2.095 municípios prioritários até o fim de 2026. O centro também monitora secas em todo o território nacional, atividade desenvolvida desde 2012. A expansão da rede observacional integra os investimentos do Novo PAC voltados ao fortalecimento da infraestrutura científica da unidade de pesquisa.
Investimentos ampliam capacidade de monitoramento
Durante o seminário, representantes do MCTI destacaram os investimentos destinados à modernização da infraestrutura do Cemaden, incluindo a ampliação da rede de monitoramento, a aquisição de equipamentos, o fortalecimento da capacidade computacional e os novos laboratórios para pesquisas em desastres geo-hidrológicos e eventos climáticos extremos.
Também foi apresentada a Plataforma Alerta Secas, ferramenta desenvolvida pelo Cemaden para integrar dados ambientais e territoriais e apoiar gestores públicos na identificação de áreas e populações mais vulneráveis aos impactos da estiagem. A plataforma reúne mais de uma década de conhecimento científico produzido pela instituição e transforma informações de monitoramento em alertas para a tomada de decisão.
Cooperação entre instituições
Um dos destaques da programação foi a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Cemaden, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), a Marinha do Brasil e o BNDES. A parceria reúne capacidades científicas, técnicas e operacionais das quatro instituições para aperfeiçoar a prevenção e a resposta aos desastres naturais, especialmente àqueles agravados pelas mudanças climáticas.
Entre as ações previstas estão a produção conjunta de estudos sobre áreas de risco, a ampliação do monitoramento de municípios vulneráveis, o fortalecimento da cultura de redução de riscos de desastres — por meio da divulgação de informações e da capacitação de gestores públicos e comunidades — e o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas. O acordo também prevê estudos para aprimorar a gestão municipal de riscos, integrar dados entre as instituições e fortalecer a atuação das Defesas Civis em todo o País.
Outro eixo da cooperação é a implementação, em caráter piloto, da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (Frida). A iniciativa terá como núcleo o Corpo de Fuzileiros Navais e atuará em apoio às ações da Defesa Civil Nacional durante situações de emergência. A proposta é testar um modelo de atuação integrada entre as instituições para tornar mais rápidas e coordenadas as ações.
O acordo também reforça o compromisso do Brasil com o Marco de Sendai, tratado internacional das Nações Unidas que orienta os países a investirem mais na prevenção do que apenas na resposta aos desastres. Na prática, isso significa fortalecer ações de monitoramento, preparação, educação, resposta e recuperação para reduzir perdas humanas, sociais e econômicas provocadas por eventos extremos. Além disso, a parceria contribui para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os relacionados à redução da pobreza, ao desenvolvimento de cidades mais resilientes e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Para Regina Alvalá, a prevenção depende da atuação coordenada entre diferentes instituições e da transformação do conhecimento científico em ações concretas para proteger a população. “Somos a prova de que, com investimento em ciência, tecnologia e parcerias sólidas, o Brasil pode ser um país mais seguro, preparado e resiliente.”
A programação é aberta ao público e se segue até sexta-feira (3). As comemorações dos 15 anos do Cemaden reúnem seminários, mesas de debate e lançamentos de novas iniciativas voltadas ao monitoramento ambiental e à redução do risco de desastres.
Brasil
Governo do Brasil realiza entrega histórica de cerca de R$ 4 bilhões para o SUS em todo o país
O Ministério da Saúde realiza uma entrega histórica de R$ 3,95 bilhões em investimentos para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), com 534 entregas e anúncios destinados a ampliar o acesso da população aos serviços de saúde em todo o país. As ações, realizadas ao longo de 10 dias, são viabilizadas por programas estratégicos, como o Agora Tem Especialistas e o Novo PAC Saúde, e abrangem desde o fortalecimento da Atenção Primária até a ampliação da oferta de serviços de média e alta complexidade. O pacote contempla a inauguração de novas unidades de saúde, o início e a retomada de obras, além da entrega de equipamentos e da distribuição de veículos para as 27 unidades da Federação.
Das comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas aos maiores centros urbanos do país, os investimentos alcançam Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), policlínicas e hospitais. Também promovem a renovação e a ampliação da frota do SAMU, com a universalização da cobertura em diversos estados, além da entrega de unidades odontológicas móveis, vans, micro-ônibus e ambulâncias destinadas ao transporte de pacientes do SUS entre municípios.
O pacote prevê ainda o envio de equipamentos e insumos para fortalecer a Atenção Primária à Saúde, incluindo equipamentos para UBS, unidades móveis de atendimento à população em situação de rua, kits voltados ao desenvolvimento infantil e ampliação da oferta do Implanon no SUS.
Obras que fortalecem o SUS
Entre as ações de fortalecimento da infraestrutura do SUS está a inauguração, nesta quinta-feira (2), da Unidade Básica de Saúde Indígena da Aldeia Espírito Santo, em Oiapoque (AP), que ampliará o acesso à assistência em saúde para cerca de 137 famílias indígenas. Em Sinop (MT), foi assinada, na segunda-feira (30), a ordem de serviço para a construção de uma nova maternidade, que reforçará a assistência materno-infantil na região.
As iniciativas integram a emissão de 38 novas ordens de serviço para empreendimentos na saúde, medida que garante o repasse imediato de recursos federais a estados e municípios após a assinatura da ordem de serviço, simplificando o início das intervenções e acelerando a execução dos investimentos. Até sexta-feira (3), também serão inauguradas 34 novas unidades em Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
SAMU e transporte de pacientes
A logística e a capacidade de atendimento do SUS serão ampliadas com investimento de R$ 668,2 milhões na entrega de veículos para todos os estados do país, por meio do programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde. Estão em distribuição em todo o país ambulâncias do SAMU, Unidades Odontológicas Móveis (UOM), micro-ônibus, vans e ambulâncias de transporte tipo A, ampliando a cobertura da rede de urgência e emergência, fortalecendo o atendimento pré-hospitalar e garantindo mais acesso ao transporte de pacientes entre municípios.
A iniciativa amplia a estrutura de transporte sanitário e garante mais segurança, conforto e acesso ao atendimento especializado para a população que vive em municípios localizados a mais de 50 quilômetros da unidade de referência.
Mais acesso à Atenção Primária
Com investimento de R$ 1,2 bilhão, a Semana de Mobilização Nacional também reforça a Atenção Primária à Saúde com a entrega de equipamentos para ampliar a oferta de serviços de saúde bucal, a implantação do fluxo digital para a produção de próteses dentárias, além da distribuição de combos de equipamentos que modernizam as UBS e ampliam sua capacidade de atendimento.
Durante esta semana, serão entregues kits destinados às equipes de Consultório na Rua e de Atenção Primária Prisional, ampliando o acesso aos serviços de saúde para populações em situação de maior vulnerabilidade, além de Unidades Móveis de Reabilitação para expandir a oferta de cuidados especializados. Também serão distribuídos kits voltados ao desenvolvimento infantil, que reforçam o acompanhamento das crianças na primeira infância, e ampliada a oferta do Implanon no SUS, fortalecendo o acesso das brasileiras ao planejamento reprodutivo.
Tecnologia e equipamentos ampliam a capacidade de atendimento do SUS
Além da ampliação da frota, o Ministério da Saúde também realiza a entrega de equipamentos para qualificar a assistência em diferentes níveis de atenção em todas as regiões do país. As ações incluem a distribuição de combos cirúrgicos e tomógrafos.
Esses equipamentos vão viabilizar a realização de até 428 mil cirurgias eletivas por ano, contribuindo para a redução das filas e do tempo de espera por procedimentos, além de promover a modernização tecnológica da rede pública de saúde. Já os tomógrafos devem ampliar em até 260 mil exames por ano a capacidade diagnóstica do SUS, fortalecendo o diagnóstico precoce e o tratamento de doenças em todo o país.
Rafaelle Pereira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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