Agro
Carne bovina brasileira avança na China com US$ 1,7 bilhão em prospecções e expansão estratégica no interior do país
A carne bovina brasileira ampliou sua presença no mercado chinês após uma intensa missão liderada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do projeto Brazilian Beef.
A agenda passou por Pequim, Chongqing e Xangai, consolidando novas parcerias comerciais, fortalecendo relações institucionais e ampliando oportunidades de negócios no maior mercado consumidor de carne bovina do mundo.
A missão também marcou a maior participação da história do setor brasileiro na SIAL Shanghai 2026, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da Ásia.
ABIEC firma acordo para padronizar cortes bovinos exportados à China
A programação começou em Pequim, entre os dias 12 e 13 de maio, com reuniões institucionais junto ao Ministério do Comércio da China (MOFCOM), importadores e representantes do setor de proteína animal chinês.
Durante a passagem pela capital chinesa, a ABIEC assinou um memorando de entendimento com a China Meat Association (CMA) para harmonizar a nomenclatura dos cortes bovinos exportados para a China.
O acordo busca padronizar os nomes comerciais utilizados nos embarques brasileiros, reduzindo divergências operacionais e aumentando a segurança nas negociações entre os dois países.
Roadshow em Chongqing amplia espaço da carne brasileira no interior da China
Na sequência, a missão seguiu para Chongqing, considerada uma das regiões mais estratégicas do interior chinês e um dos principais polos de consumo de proteína bovina no país.
Nos dias 14 e 15 de maio, ABIEC e ApexBrasil promoveram mais uma edição do roadshow internacional “The Beef and Road – Bridging the Brazil-China Beef Routes”, iniciativa voltada à expansão do Brazilian Beef além dos mercados tradicionais de Pequim e Xangai.
A cidade possui cerca de 32 milhões de habitantes e mais de 50 mil estabelecimentos especializados em hot pot, prato tradicional chinês que utiliza carne bovina em grande escala.
O evento reuniu:
- mais de 50 importadores chineses;
- autoridades locais;
- representantes do setor privado;
- frigoríficos brasileiros exportadores.
A programação incluiu:
- rodadas de negócios;
- reuniões institucionais;
- experiências gastronômicas;
- encontros estratégicos com compradores chineses.
Segundo a organização, as rodadas de negócios em Chongqing geraram:
- US$ 22 milhões em negócios imediatos;
- US$ 538,1 milhões em prospecções para os próximos 12 meses.
Mercado chinês abre novas oportunidades para carne bovina brasileira
O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, destacou que o interior da China representa uma nova fronteira de crescimento para as exportações brasileiras.
Segundo ele, o avanço do food service, o aumento do consumo de proteína bovina e a expansão da classe média chinesa fortalecem o potencial do Brazilian Beef fora dos grandes centros tradicionais.
A missão também contou com visita técnica à fábrica da Niu Lang Han, empresa chinesa especializada em beef jerky e derivados de carne bovina. A agenda permitiu troca de experiências sobre processamento, logística e tendências de consumo na região central da China.
SIAL Shanghai 2026 consolida protagonismo do Brasil na proteína animal
A missão foi encerrada em Xangai, durante a SIAL Shanghai 2026, realizada entre os dias 19 e 21 de maio.
A feira reuniu:
- mais de 5 mil expositores;
- representantes de 75 países e regiões;
- cerca de 180 mil profissionais do setor;
- área superior a 200 mil metros quadrados.
Neste ano, ABIEC e ApexBrasil montaram o maior pavilhão da história do setor brasileiro no evento, consolidando o protagonismo do Brasil como maior exportador mundial de carne bovina.
O espaço do Brazilian Beef contou com:
- participação recorde de 29 empresas associadas;
- maior pavilhão de proteína animal da feira;
- agendas comerciais e institucionais com compradores internacionais.
Exportações projetam US$ 1,7 bilhão em novos negócios
Mesmo diante de um cenário mais cauteloso no mercado chinês, devido à proximidade do limite da cota de importação de carne bovina imposta pelo governo chinês, os resultados comerciais foram expressivos.
Os frigoríficos brasileiros encerraram a participação na SIAL Shanghai 2026 com:
- US$ 157 milhões em negócios imediatos;
- US$ 1,7 bilhão em prospecção de vendas para os próximos 12 meses.
Durante os três dias de feira, o restaurante do projeto Brazilian Beef, em parceria com a churrascaria Barbacoa, serviu aproximadamente 200 quilos de carne bovina brasileira por dia, incluindo cortes como:
- picanha;
- ancho;
- filé mignon.
Brasil avança em logística e infraestrutura para exportação de carne
Outro destaque da missão foi a assinatura de um memorando de entendimento entre a ABIEC e a estatal chinesa Chongqing Investment Consulting Co. Ltd (CQIC).
O acordo prevê estudos para modernização da logística de exportação da carne bovina brasileira para a China, incluindo:
- construção de estruturas refrigeradas;
- centros de processamento e distribuição;
- melhorias na cadeia logística de frios.
A iniciativa busca ampliar eficiência operacional, reduzir custos logísticos e aumentar a segurança das exportações brasileiras para o mercado asiático.
Autoridades brasileiras participaram da missão na China
A missão contou com a participação de autoridades brasileiras ligadas ao agronegócio e ao comércio exterior, entre elas:
- o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula;
- o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão;
- o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua;
- representantes da ApexBrasil;
- diretores da ABIEC.
Segundo Roberto Perosa, a presença institucional reforça a importância estratégica da China para o setor pecuário brasileiro e fortalece a imagem da carne bovina do Brasil no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro
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