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Café tem forte queda em fevereiro com clima favorável e previsão de safra recorde no Brasil, aponta Itaú BBA

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Clima favorável derruba preços do café no início de 2026

O mercado de café atravessou um período de forte correção nas cotações nas primeiras semanas de 2026, influenciado por melhores expectativas para a safra 2026/27 e por condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil.

De acordo com o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, os preços internacionais sofreram forte queda entre janeiro e fevereiro. Em Nova York, o contrato de arábica com vencimento em março de 2026 caiu de US$ 357,95/lb em 8 de janeiro para US$ 299,85/lb em 9 de fevereiro, uma desvalorização de 19%. Já o robusta negociado em Londres recuou de US$ 4.075/t para US$ 3.755/t no mesmo período.

Recuperação do dólar e expectativa de safra pressionam cotações

Na segunda quinzena de janeiro, a desvalorização do dólar chegou a amenizar a queda, mas o movimento foi revertido no início de fevereiro com a recuperação da moeda americana e o otimismo crescente em torno da próxima safra.

As chuvas regulares e as temperaturas amenas registradas nas regiões produtoras contribuíram para consolidar o cenário positivo de produção. Segundo o relatório, a combinação de clima estável e bom desenvolvimento dos frutos reforçou a expectativa de aumento da oferta, pressionando ainda mais as cotações internacionais.

Preços internos refletem desvalorização nas bolsas

No mercado físico brasileiro, a queda observada nas bolsas internacionais impactou diretamente os preços pagos ao produtor. O arábica, que no fim de janeiro era negociado acima de R$ 2.150 por saca, recuou para R$ 1.884,66/sc em 9 de fevereiro.

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Com a retração das cotações e a postura mais cautelosa dos produtores nas negociações, o diferencial entre Nova York e Brasil (NY/BR) também diminuiu, refletindo o enfraquecimento momentâneo do mercado.

Conab prevê safra recorde e reforça tendência de baixa

A Companhia Nacional de Abastecimento divulgou sua primeira estimativa para a safra 2026/27, apontando forte recuperação da produção nacional, estimada em 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% em relação ao ciclo anterior. Se confirmado, o volume representará um novo recorde histórico para o café brasileiro.

O crescimento é explicado por fatores como condições climáticas mais favoráveis, bienalidade positiva do arábica, avanço tecnológico nas lavouras e expansão gradual de novas áreas produtivas. A Conab estima 44,09 milhões de sacas de arábica (+23,3%) e 22,1 milhões de sacas de conilon (+6,4%). A produtividade média nacional deve chegar a 34,2 sacas por hectare, avanço de 12,4% frente ao ciclo anterior.

Itaú BBA projeta produção global maior e superávit de oferta

O Itaú BBA, por meio de seu relatório Radar Agro – Perspectivas para a Safra de Café 2026/27, também projeta crescimento expressivo da oferta. A previsão é de 69,3 milhões de sacas no Brasil (+10,1%), sendo 44,8 milhões de arábica (+18%) e 24,5 milhões de robusta (-2%).

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Globalmente, a produção deve atingir 188 milhões de sacas, impulsionada pelo avanço brasileiro e pela recuperação de outras origens produtoras. O consumo mundial é estimado em 176 milhões de sacas, o que resultaria em superávit de 11,3 milhões de sacas — o maior dos últimos anos.

Apesar desse excedente, o Itaú BBA destaca que os estoques globais seguem reduzidos, o que ainda pode limitar uma queda mais acentuada dos preços no médio prazo.

Fundos reduzem posições e reforçam movimento baixista

Com o cenário mais favorável à produção, os fundos não comerciais reduziram suas posições líquidas compradas em contratos futuros de café na bolsa de Nova York. O movimento indica mudança de estratégia dos investidores e reforça a tendência de baixa para os preços no curto prazo.

O relatório conclui que, embora o mercado ainda apresente alguma volatilidade até a confirmação da safra, o sentimento predominante é de ajuste e acomodação dos preços, em linha com a expectativa de maior equilíbrio entre oferta e demanda global ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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