Agro
Café sobe no Brasil com alta em Nova York, chuvas na colheita e queda dos estoques globais
O mercado brasileiro de café inicia esta quarta-feira (24) com perspectiva de novas altas nos preços, impulsionado pelo avanço das cotações do arábica na Bolsa de Nova York, valorização do dólar frente ao real e preocupações com a oferta global da commodity.
O cenário reforça o movimento de comercialização por parte dos produtores, que encontram condições mais favoráveis para negociar os lotes disponíveis, tanto da safra remanescente quanto da nova produção.
Clima interfere na colheita e fortalece preços internacionais
O principal fator de sustentação das cotações continua sendo o clima no Brasil. Chuvas registradas sobre importantes regiões produtoras durante o período de colheita têm provocado atrasos nos trabalhos de campo, além de dificultar os processos de secagem e beneficiamento dos grãos.
As previsões meteorológicas indicam a continuidade das precipitações nos próximos dias, aumentando as preocupações do mercado em relação à qualidade do café colhido e à disponibilidade imediata do produto.
Esse cenário contribuiu para uma forte valorização do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que encerrou a sessão anterior em alta de 3,3%.
Os contratos com vencimento em setembro de 2026 fecharam a 275,95 centavos de dólar por libra-peso, com ganho de 8,95 centavos. Já os contratos para dezembro de 2026 encerraram o dia a 261,95 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 2,3%.
Na manhã desta quarta-feira, o contrato setembro/2026 seguia em alta, cotado a 277,30 centavos de dólar por libra-peso.
Estoques certificados continuam em queda
Outro fator que contribui para o viés positivo do mercado é a redução dos estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela ICE.
Os estoques certificados somavam 392.910 sacas de 60 quilos em 23 de junho, queda de 1.027 sacas em relação ao dia anterior. O movimento reforça a percepção de aperto na oferta disponível no curto prazo e amplia a sustentação dos preços internacionais.
Preços avançam nas principais regiões produtoras
A valorização internacional refletiu diretamente no mercado físico brasileiro, que registrou aumento nas cotações em praticamente todas as regiões produtoras na terça-feira (23).
No Sul de Minas, principal polo produtor de café arábica do país, o café bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 1.640 e R$ 1.645 por saca da safra remanescente, acima dos R$ 1.610 a R$ 1.615 registrados anteriormente.
Para a safra nova, os preços variaram entre R$ 1.540 e R$ 1.560 por saca.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura com 15% de catação alcançou valores entre R$ 1.650 e R$ 1.655 por saca da safra remanescente, enquanto os lotes da nova safra foram negociados entre R$ 1.550 e R$ 1.570.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica tipo rio registrou preços entre R$ 1.210 e R$ 1.215 por saca, enquanto o café duro da safra nova alcançou entre R$ 1.500 e R$ 1.510 por saca.
Conilon também acompanha movimento de alta
O mercado de café conilon seguiu a mesma tendência positiva.
Em Vitória (ES), referência nacional para a variedade, o conilon tipo 7 da safra 2026 foi negociado entre R$ 1.010 e R$ 1.015 por saca, contra R$ 990 a R$ 995 observados anteriormente.
Já o conilon tipo 7/8 passou para a faixa entre R$ 1.000 e R$ 1.005 por saca, consolidando a valorização observada nos últimos dias.
Dólar mais forte amplia competitividade das exportações
O mercado cambial também contribui para o cenário favorável ao café brasileiro. O dólar comercial opera em alta de 0,23%, cotado a R$ 5,1977, enquanto o Dollar Index avança para 101,676 pontos.
A valorização da moeda norte-americana tende a aumentar a competitividade das exportações brasileiras, fator tradicionalmente considerado positivo para a formação dos preços internos da commodity.
Mercado acompanha cenário financeiro global
No ambiente internacional, os investidores monitoram o comportamento dos mercados globais. As bolsas asiáticas encerraram o dia sem direção única, com alta de 0,11% na China e queda de 0,88% no Japão.
Na Europa, os índices também operam de forma mista, refletindo cautela dos investidores diante do cenário econômico internacional.
Enquanto isso, o petróleo registra recuo expressivo, com o contrato WTI para agosto negociado próximo de US$ 71 por barril.
Perspectiva permanece positiva para o café
A combinação entre problemas climáticos durante a colheita brasileira, redução dos estoques certificados, valorização do dólar e firmeza das bolsas internacionais mantém o mercado de café sustentado.
Com a oferta global monitorada de perto pelos agentes do setor e a possibilidade de impactos na qualidade dos grãos, a expectativa é de que os preços continuem firmes no curto prazo, favorecendo as negociações dos produtores brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Justiça Federal concede 10 anos para produtor pagar dívidas com a Caixa
A 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres (MT) determinou que a Caixa Econômica Federal reestruture o pagamento de uma dívida de crédito rural de R$ 925,6 mil, concedendo ao produtor um prazo de 10 anos para a quitação, com a primeira parcela fixada para março de 2027. A decisão, proferida pela juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira no dia 1º de julho de 2026, suspende a execução extrajudicial que estava em curso pelo banco e blinda o produtor contra restrições cadastrais, ao mesmo tempo em que veda a cobrança de juros moratórios ou multas sobre o saldo devedor.
O despacho afasta a mora — a inadimplência técnica — e obriga o banco a reformular o contrato, fundamentando-se na comprovação técnica de uma quebra superior a 50% na produtividade da safra de soja na propriedade. Ao analisar o pedido, o Judiciário entendeu que o contrato original, diante dos prejuízos climáticos, tornava-se inexequível, ameaçando a continuidade da atividade agrícola. A decisão rejeitou o argumento da Caixa, que invocava o princípio da liberdade contratual e a nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para recusar o alongamento da dívida.
Impactos e desdobramentos
A decisão ocorre em um momento de tensão regulatória. No mesmo dia da sentença, entrou em vigor a Resolução nº 5.314 do CMN, que alterou o Manual de Crédito Rural (MCR) para conferir às instituições financeiras maior autonomia para decidir sobre prorrogações de dívidas, sob o critério de “conveniência e decisão” bancária. A sentença de Mato Grosso, portanto, não é apenas um caso isolado de cobrança, mas um sinal de alerta para o mercado financeiro: a autonomia concedida pelo CMN aos bancos não é absoluta perante o Judiciário.
Embora o efeito desta decisão não seja automático para outros produtores — ou seja, não se trata de uma lei que obriga todos os bancos a alongarem dívidas em todo o país —, o caso funciona como um “leading case” ou precedente persuasivo. Advogados do setor agropecuário devem utilizar este entendimento em outros tribunais para demonstrar que, quando há comprovação de frustração de safra, o direito ao alongamento da dívida de crédito rural deve prevalecer sobre normas administrativas de conveniência bancária.
O novo cenário de judicialização
Para o setor produtivo, a decisão abre uma porta de saída, mas exige cautela. O precedente demonstra que o Judiciário não agirá como um “cancelador” de dívidas. A magistrada só concedeu o benefício porque a defesa apresentou laudos técnicos irrefutáveis sobre a quebra de produtividade. Isso sinaliza que produtores que buscam o Judiciário para evitar a falência precisarão de governança impecável: contabilidade em dia, monitoramento climático e provas técnicas de que a inadimplência é fruto do clima, não de má gestão.
Para o sistema financeiro, a notícia traz um aumento no risco de “judicialização” do crédito rural. Se os tribunais consolidarem o entendimento de que a prorrogação de 10 anos é uma medida de justiça social e econômica, os bancos serão forçados a recalibrar suas carteiras de risco. O efeito prático disso pode ser uma maior seletividade na concessão de crédito, com exigências mais rigorosas de garantias, ou até mesmo um aumento nas taxas de juros para compensar a possibilidade de, em caso de quebra de safra, o pagamento ser alongado judicialmente por uma década.
O caso segue para as instâncias superiores, já que a Caixa Econômica Federal deve recorrer da decisão. Até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacifique o tema, o cenário será de insegurança jurídica, com produtores buscando amparo nos tribunais federais para garantir a viabilidade das lavouras em anos de insucesso climático.
Fonte: Pensar Agro
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