Agro
Café inicia a semana em queda com dólar mais fraco e pressão sobre o arábica
O mercado internacional de café começou a semana em baixa nesta segunda-feira (13), influenciado por mudanças no cenário macroeconômico global e pelo avanço da safra nas principais regiões produtoras. A queda do dólar frente ao real surge como um dos principais fatores de pressão, especialmente sobre o café arábica.
Enquanto isso, o robusta apresenta maior estabilidade, sustentado por ajustes técnicos e equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda.
Dólar em queda reduz competitividade e pressiona preços
O principal fator no radar do mercado é a desvalorização do dólar no cenário global. Esse movimento não está necessariamente ligado a fundamentos internos da economia brasileira, mas sim ao fluxo internacional de capitais.
Investidores têm direcionado recursos para mercados emergentes, como o Brasil, em busca de maiores retornos, favorecidos pelo diferencial de juros ainda elevado.
Com o real mais valorizado, as exportações brasileiras perdem competitividade, o que tende a pressionar as cotações internacionais do café — especialmente do arábica, no qual o Brasil é referência global.
Café arábica recua nas bolsas internacionais
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica registravam queda no início do pregão.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em maio de 2026 era negociado a 299,95 cents por libra-peso, com recuo de 15 pontos. O contrato julho/26 caía para 294,35 cents/lb, com perda de 155 pontos, enquanto o setembro/26 era cotado a 279,80 cents/lb, com queda de 130 pontos.
O movimento reflete tanto a pressão cambial quanto o aumento da oferta no curto prazo.
Robusta mostra maior estabilidade no mercado europeu
Diferentemente do arábica, o café robusta apresentou comportamento mais equilibrado na ICE Europa.
O contrato maio/26 era cotado a US$ 3.326 por tonelada, com leve alta de 2 pontos. Já o julho/26 registrava pequena queda, a US$ 3.238 por tonelada, enquanto o setembro/26 operava com leve valorização, a US$ 3.180 por tonelada.
A sustentação do robusta está associada a ajustes técnicos após quedas recentes e a um equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda.
Avanço da safra no Brasil amplia pressão sobre o mercado
No campo, o avanço da safra brasileira também contribui para o cenário de baixa.
As condições climáticas seguem, em sua maioria, favoráveis nas principais regiões produtoras, reforçando a expectativa de boa produção em 2026.
Com maior disponibilidade de café no curto prazo, o mercado tende a incorporar esse aumento de oferta, pressionando as cotações internacionais.
Fluxo financeiro global reforça entrada de capital no Brasil
O fluxo de capital estrangeiro continua favorecendo ativos de maior risco, como os de mercados emergentes.
No Brasil, o diferencial de juros elevado mantém o país atrativo para investidores internacionais, o que sustenta a entrada de recursos e contribui para a valorização do real.
Esse cenário, por sua vez, impacta diretamente o setor exportador, incluindo o café.
Tensões geopolíticas aumentam volatilidade no mercado
Outro fator relevante é o ambiente geopolítico global.
As tensões no Oriente Médio seguem influenciando os preços do petróleo e elevando os custos logísticos internacionais, o que adiciona volatilidade ao mercado de commodities, incluindo o café.
Cenário exige atenção redobrada do produtor
O início da semana reforça um ambiente mais desafiador para o mercado cafeeiro.
A combinação entre dólar mais fraco, avanço da safra e influência crescente do fluxo financeiro global aumenta a pressão sobre os preços, especialmente do arábica.
Diante desse cenário, produtores e agentes do setor precisam redobrar a atenção às estratégias de comercialização, em um mercado cada vez mais sensível a fatores macroeconômicos, além dos fundamentos tradicionais de oferta e demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Média anual das exportações do agro quadruplica e chega a R$ 858 bilhões
O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de aproximadamente R$ 194,2 bilhões entre 2003 e 2005 para R$ 858 bilhões no período de 2023 a 2025. O crescimento chegou a R$ 663,8 bilhões, com avanço de diferentes cadeias produtivas e ampliação da presença do país no mercado internacional.
Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness. Os valores apresentados no levantamento foram convertidos para reais pela cotação de R$ 5,15.
A soja foi o principal motor dessa transformação. O complexo da oleaginosa respondeu por aproximadamente R$ 214,2 bilhões do aumento registrado entre os dois períodos. O resultado reflete a expansão da área cultivada, os ganhos de produtividade, o desenvolvimento da segunda safra de milho e a maior capacidade brasileira de atender à demanda asiática.
A contribuição, entretanto, não ficou restrita aos grãos. O açúcar acrescentou R$ 68,5 bilhões ao valor médio anual exportado, enquanto a carne bovina respondeu por R$ 58,7 bilhões. O milho adicionou R$ 49,4 bilhões e o café verde, R$ 47,9 bilhões.
A celulose contribuiu com mais R$ 39,7 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 36,1 bilhões. O algodão acrescentou R$ 20,6 bilhões e a carne suína, R$ 11,8 bilhões. Outros produtos do agronegócio, considerados em conjunto, responderam por uma expansão de R$ 116,9 bilhões.
Os números mostram que o crescimento das exportações brasileiras se espalhou por diferentes atividades. Grãos, proteínas animais, fibras, produtos florestais, café e açúcar passaram a gerar uma receita maior e a alcançar mais mercados, fortalecendo a renda no campo e movimentando cooperativas, agroindústrias, transportadoras, armazéns e terminais portuários.
A China consolidou-se como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. Entre as médias de 2003 a 2005 e de 2023 a 2025, o país asiático respondeu por R$ 269,3 bilhões do crescimento das exportações. Atualmente, concentra 33% do valor comercializado pelo agro brasileiro no exterior.
Os demais países da Ásia também ganharam importância e acrescentaram R$ 126,7 bilhões às compras de produtos brasileiros. Em conjunto, a China e os outros mercados asiáticos responderam por quase R$ 396,6 bilhões da expansão observada nas últimas duas décadas.
A União Europeia representa 14% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro, enquanto os demais países asiáticos, sem considerar a China, respondem por 17,4%. O Oriente Médio concentra 7,6%, a África, 7%, e os Estados Unidos, 6,7%. O Mercosul possui participação de 3,1%, e os demais mercados reúnem 11,3%.
Essa distribuição demonstra que, apesar da forte participação chinesa, o crescimento também ocorreu em outras regiões. A União Europeia acrescentou R$ 57,7 bilhões às compras, o Oriente Médio ampliou as aquisições em R$ 51,5 bilhões e a África contribuiu com R$ 48,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul adicionaram, respectivamente, R$ 28,8 bilhões e R$ 19,1 bilhões.
A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos e cria alternativas para produtos que enfrentem restrições sanitárias, tarifárias ou comerciais em determinados destinos. A concentração de um terço da receita na China, contudo, mantém diferentes cadeias expostas às decisões econômicas e regulatórias daquele mercado.
O desempenho alcançado nas últimas duas décadas consolidou o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de soja, açúcar, café, milho, carnes, algodão, celulose e suco de laranja. O país passou a ocupar uma posição estratégica na segurança alimentar global e a contribuir para o abastecimento de mercados na Ásia, Europa, África, Oriente Médio e nas Américas.
A expansão também evidencia o tamanho do desafio logístico. A continuidade do crescimento depende de investimentos em armazenagem, rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da redução dos custos que ainda limitam a competitividade do produtor brasileiro.
O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que precisa ser enfrentada. Enquanto amplia sua capacidade de fornecer alimentos, fibras e energia ao mundo, o Brasil permanece altamente dependente do exterior para adquirir os insumos necessários à produção.
As importações de fertilizantes movimentaram aproximadamente R$ 73,1 bilhões em 2025. A Rússia respondeu por 28% desse valor, seguida pela China, com 21%, Canadá, com 11%, e Marrocos, com 8%. Nigéria participou com 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel responderam por 4% cada.
No mercado de defensivos agrícolas, as importações chegaram a cerca de R$ 71,1 bilhões no ano passado. A China forneceu 43% do total, seguida pela Índia, com 15%, Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.
Somadas, as compras externas de fertilizantes e defensivos alcançaram aproximadamente R$ 144,2 bilhões em 2025. O valor mostra que uma parcela expressiva da riqueza gerada pelas exportações retorna ao exterior para a aquisição de nutrientes e tecnologias de proteção das lavouras.
Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações cambiais, aos fretes internacionais, aos conflitos geopolíticos e às eventuais restrições de fornecimento. Qualquer interrupção nas rotas comerciais pode elevar os custos e reduzir as margens das propriedades.
O avanço das exportações comprova a capacidade do Brasil de ampliar a produção e conquistar mercados. O próximo passo é transformar essa força comercial em maior segurança para quem produz, com diversificação de fornecedores, desenvolvimento da indústria nacional de insumos e uso mais eficiente de fertilizantes e defensivos.
Ao ultrapassar uma média anual de R$ 858 bilhões em vendas externas, o agronegócio brasileiro chega a um novo patamar. A manutenção dessa trajetória dependerá não apenas da abertura de mercados, mas também da capacidade do país de reduzir suas vulnerabilidades e garantir ao produtor condições competitivas para continuar abastecendo o Brasil e o mundo.
Fonte: Pensar Agro
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