Agro
Brasil discute blindagem a setores sensíveis e prepara reação a salvaguardas europeias
O governo federal iniciou tratativas com o Senado para estruturar mecanismos de proteção a segmentos considerados vulneráveis antes da ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Em reunião realizada no Palácio do Planalto, parlamentares e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, discutiram possíveis salvaguardas para produtos nacionais que poderão enfrentar concorrência direta de importados europeus.
Embora não tenham sido detalhadas medidas concretas, a preocupação central é preparar instrumentos internos que possam ser acionados caso o fluxo de importações aumente após a entrada em vigor do tratado. Também foi debatida a possibilidade de a própria União Europeia adotar salvaguardas unilaterais em determinadas cadeias produtivas.
Um grupo de trabalho com a participação dos senadores Tereza Cristina e Nelson Trad Filho, além de técnicos da Comissão de Relações Exteriores e representantes do MDIC, foi criado no Senado para acompanhar a implementação do acordo e avaliar impactos setoriais. A iniciativa reunirá técnicos do Legislativo e representantes do Executivo e deverá concentrar análises sobre setores mais expostos à concorrência internacional, especialmente lácteos e vinhos, além de outras cadeias agroindustriais.
O governo mantém a avaliação de que o tratado produzirá efeitos positivos amplos na economia brasileira, tanto na agropecuária quanto na indústria. O processo de aprovação ainda depende de tramitação legislativa interna e também da ratificação pelos países do Mercosul e pelos membros europeus, além da análise jurídica no âmbito da União Europeia, o que pode influenciar o calendário de entrada em vigor.
No Congresso, a discussão deixou de ser apenas comercial e passou a envolver política industrial e agrícola. O desafio é equilibrar abertura de mercado com proteção temporária a segmentos menos competitivos, sobretudo aqueles voltados majoritariamente ao mercado interno.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), o acordo representa uma das maiores oportunidades externas já abertas ao setor agropecuário brasileiro.
“Estamos falando de acesso preferencial a um mercado consumidor que movimenta algo próximo de US$ 2 trilhões por ano em importações agroalimentares. O Brasil passa a competir em condições muito melhores em carnes, açúcar, etanol, café, frutas e produtos processados”, afirmou.
Segundo ele, a abertura tende a consolidar o País como fornecedor estratégico de alimentos. “O acordo reduz tarifas, cria previsibilidade e amplia contratos de longo prazo. Isso muda o patamar do agronegócio brasileiro, porque deixa de ser apenas exportador oportunista de safra para se tornar fornecedor permanente de segurança alimentar para a Europa”.
Rezende ressalta, porém, que a transição exigirá instrumentos de proteção internos. “Alguns segmentos mais sensíveis precisam de um período de adaptação. Não é protecionismo, é ajuste de competitividade. O Brasil tem vantagem produtiva clara, mas certas cadeias, como lácteos, podem sofrer impacto inicial. O ideal é combinar abertura externa com políticas de adaptação para que todos possam se integrar ao novo mercado”, ressaltou Rezende.
A expectativa do governo é avançar na tramitação ainda neste primeiro semestre, embora o calendário dependa da análise jurídica europeia e da conclusão das etapas legislativas nos países envolvidos. Enquanto isso, a discussão sobre salvaguardas tende a ganhar espaço no Congresso, antecipando disputas setoriais sobre quem ganha e quem perde com a maior abertura comercial em décadas.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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