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Brasil busca reverter histórico de subinvestimento e impulsiona expansão ferroviária com novos aportes

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O Brasil inicia um novo ciclo de investimentos no setor ferroviário, impulsionado pela Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, anunciada pelo Ministério dos Transportes no fim de 2025. A iniciativa prevê a realização de novos leilões e investimentos que podem ultrapassar R$ 140 bilhões em 2026, com potencial de movimentar cerca de R$ 600 bilhões ao longo do ano. O objetivo é ampliar a malha ferroviária e retomar projetos estruturantes, em um movimento considerado inédito nas últimas décadas.

Expansão ferroviária busca reduzir dependência do transporte rodoviário

Atualmente, entre 60% e 65% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias, segundo dados de 2024 da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Diante desse cenário, a nova política ferroviária busca reduzir a dependência do modal rodoviário e ampliar a participação das ferrovias na matriz logística nacional.

A estratégia também prioriza maior integração entre diferentes modais de transporte, com foco em ganhos de eficiência, competitividade e equilíbrio estrutural no escoamento de cargas.

Histórico explica atraso do setor ferroviário no Brasil

Para o presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, a compreensão do histórico do setor é fundamental para entender os desafios atuais.

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Segundo ele, o enfraquecimento das ferrovias está relacionado à mudança do modelo de desenvolvimento a partir da década de 1950, quando o país passou a priorizar o transporte rodoviário, impulsionado pela industrialização e pela expansão da indústria automobilística.

Redução da malha e mudança de prioridade na matriz de transporte

Até meados do século XX, o Brasil contava com cerca de 30 mil quilômetros de malha ferroviária, utilizada principalmente no escoamento do café e no transporte de passageiros.

Com o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek (1956–1961), houve uma reorientação da política de transportes, com forte expansão das rodovias e incentivo à indústria automobilística. Esse movimento reduziu os investimentos em ferrovias, resultando na deterioração da malha, desativação de trechos e perda gradual de competitividade ao longo das décadas seguintes.

Problemas estruturais agravaram a eficiência do sistema ferroviário

De acordo com Antonio Luiz Leite, fatores estruturais também contribuíram para o enfraquecimento do setor. Entre eles estão a falta de padronização técnica — especialmente em relação às bitolas —, a gestão fragmentada e as limitações operacionais da Rede Ferroviária Federal, criada em 1957.

Nos anos 1990, o processo de concessões concentrou o uso das ferrovias no transporte de commodities, o que restringiu a diversificação e reduziu a integração com outras cadeias logísticas.

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Privatizações dos anos 1990 deixaram lacunas no transporte de passageiros

A privatização das ferrovias iniciada na década de 1990 também teve impacto relevante no setor, especialmente no transporte de passageiros. A ausência de obrigações contratuais para esse segmento, somada à desativação de linhas históricas, reduziu alternativas de mobilidade no país.

Além disso, os altos custos necessários para reativação dessas linhas ainda representam um desafio para a retomada do serviço ferroviário de passageiros.

Novo ciclo exige planejamento de longo prazo e integração logística

Para a Fundação Memória do Transporte, o atual ciclo de investimentos representa uma oportunidade importante para o setor, mas ainda depende de planejamento estruturado e visão de longo prazo.

Antonio Luiz Leite destaca que decisões estruturais moldam a eficiência logística por décadas. Segundo ele, a reconstrução consistente do modal ferroviário no Brasil exige integração entre os modais, ampliação do transporte de carga geral por ferrovias e um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos sustentáveis e duradouros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Arranjo da Borracha movimenta R$ 3,1 milhões e fortalece renda de famílias extrativistas na Amazônia

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O Arranjo da Borracha vem se consolidando como uma das principais iniciativas de fortalecimento da sociobioeconomia na Amazônia, com presença nos municípios de Manicoré, Eirunepé, Pauini, Barcelos e Canutama, no Amazonas. A iniciativa, facilitada pelo Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), já beneficiou centenas de famílias extrativistas ao estruturar crédito educativo e ampliar o acesso de associações de seringueiros a mercados mais organizados e responsáveis.

Entre as safras 2022/2023 e 2024/2025, o número de negócios comunitários participantes passou de sete para onze. Apenas na safra 2024/2025, o arranjo movimentou cerca de R$ 3,1 milhões, beneficiando diretamente 636 famílias, com a valorização da borracha nativa e a criação de relações comerciais mais estáveis.

Crédito estruturado fortalece associações extrativistas

O modelo do Arranjo da Borracha funciona por meio de operações de crédito vinculadas a contratos de venda. Na prática, as associações recebem capital de giro para viabilizar a produção e a entrega da borracha, superando desafios históricos como baixa escala produtiva, dificuldades logísticas, falta de previsibilidade de oferta e acesso restrito ao crédito.

Esse formato contribui para dar maior estabilidade às atividades extrativistas e fortalece a organização econômica das comunidades envolvidas.

Conexsus estrutura crédito educativo e apoio técnico

A Conexsus atua diretamente na estruturação das operações e na oferta de crédito educativo sem custo para as associações participantes. O modelo também conta com parceiros estratégicos que aportam capital catalítico, ajudando a reduzir riscos e a cobrir custos operacionais relacionados à gestão e à assistência técnica.

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Além do crédito, a iniciativa promove ações de capacitação e fortalecimento organizacional, com foco em gestão, protocolos comerciais, boas práticas de mercado e adequação a padrões de rastreabilidade e indicadores de impacto socioambiental.

Conta escrow aumenta segurança e transparência das operações

Um dos principais mecanismos do Arranjo da Borracha é a utilização de uma conta escrow, uma conta vinculada na qual o comprador deposita o valor da produção. Os recursos são liberados somente conforme as condições previamente acordadas entre as partes.

Esse sistema aumenta a segurança das transações, reduz riscos operacionais e garante maior transparência, além de proporcionar previsibilidade financeira tanto para produtores quanto para compradores.

Gestão aprimorada e acompanhamento das operações

Na safra 2025/2026, o arranjo passou a adotar um protocolo de gestão mais estruturado, permitindo desembolsos de acordo com a demanda específica de cada negócio comunitário participante.

Os repasses estão sendo realizados entre agosto e dezembro de 2025, respeitando o calendário produtivo de cada associação. Todo o processo é monitorado pelo Veredas – Programa de Assessoria a Negócios Comunitários, responsável pelo acompanhamento do uso dos recursos e pelo suporte à sustentabilidade das operações.

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Revitalização da cadeia da borracha nativa na Amazônia

Ao incentivar a produção e a comercialização da borracha nativa, o Arranjo da Borracha contribui para a revitalização de uma cadeia produtiva tradicional da região amazônica.

A iniciativa integra conhecimentos tradicionais dos seringueiros às demandas atuais por produtos com impacto socioambiental positivo, fortalecendo a autonomia econômica das associações e ampliando a previsibilidade de renda das famílias envolvidas.

Conexsus destaca modelo como referência em negócios comunitários

Segundo o diretor de programas e inovação financeira da Conexsus, Pedro Frizo, o Arranjo da Borracha se destaca como um exemplo de conexão entre negócios comunitários e empresas compradoras.

Ele ressalta que o crédito educativo, aliado à assistência técnica e financeira, tem potencial para fortalecer organizações e ampliar a capacidade de geração de renda. O modelo também serve de referência para o desenvolvimento de outras iniciativas voltadas à ativação de cadeias de valor da sociobioeconomia amazônica.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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