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Brasil apresenta avanços em transparência e sustentabilidade do café em evento sobre o EUDR na Colômbia

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Cooperação internacional discute adaptação ao EUDR

Nos dias 8 e 9 de outubro, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou do evento #CONEXIÓNVerde+, realizado em Medellín, na Colômbia, pelo programa AL-INVEST Verde, da União Europeia. A iniciativa busca promover a sustentabilidade e fortalecer a cooperação entre países europeus e latino-americanos, especialmente nas cadeias produtivas de café, cacau e óleo de palma.

O encontro reuniu representantes de governos, setor privado e autoridades da Itália, Espanha, Bélgica e Alemanha, com o objetivo de discutir a adaptação das cadeias de valor da região ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor em dezembro de 2025.

Cecafé destaca uso de tecnologia e dados públicos na rastreabilidade

Durante o painel “O setor produtivo diante do EUDR”, o Cecafé apresentou as iniciativas do Brasil para garantir a conformidade do café exportado com as normas europeias. A diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Conselho, Silvia Pizzol, explicou que o setor tem combinado ferramentas tecnológicas e bases de dados públicas oficiais para gerar evidências concretas de legalidade e ausência de desmatamento.

“Estamos fornecendo informações verificáveis que comprovam que o café brasileiro é legal e sustentável, auxiliando os importadores europeus em seus sistemas de devida diligência, conforme previsto no artigo 9º do EUDR”, afirmou Silvia.

Desafios na cooperação entre União Europeia e América Latina

Apesar dos avanços, Silvia Pizzol destacou que ainda há lacunas na cooperação entre autoridades e operadores europeus e latino-americanos. Segundo ela, é fundamental aprofundar o diálogo e harmonizar o entendimento sobre os diferentes contextos institucionais e realidades produtivas da região.

“Os projetos financiados pelo AL-INVEST Verde já promovem o uso de bases públicas brasileiras para garantir transparência e rastreabilidade. No entanto, é necessário que essas informações cheguem aos operadores e autoridades europeias, fortalecendo a confiança mútua e a previsibilidade no comércio internacional”, observou.

Lições dos testes europeus sobre o EUDR

O Instituto Florestal Europeu (EFI) apresentou resultados dos testes (dry-runs) realizados com as autoridades da Bélgica, França, Alemanha, Holanda e Espanha, utilizando cargas de café e óleo de palma. Entre as principais conclusões estão:

  • A necessidade de verificar e corrigir coordenadas geográficas antes da inserção no sistema europeu;
  • A importância de cruzar polígonos com diferentes mapas para aprimorar a avaliação de risco de desmatamento;
  • A recomendação de inspeções em campo em regiões onde prevalecem sistemas agroflorestais.
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As autoridades ressaltaram ainda que certificações e bases de dados nacionais são úteis, mas não substituem o processo de devida diligência, que deve ser devidamente documentado e justificado pelos operadores.

Fiscalizações devem começar em dezembro de 2025

Durante o painel, representantes europeus informaram que os sistemas de verificação de desmatamento e legalidade estão em fase final de desenvolvimento e que as fiscalizações devem começar em 30 de dezembro de 2025.

Entretanto, há expectativa de que a entrada em vigor do EUDR possa ser prorrogada, com possíveis ajustes e simplificações no regulamento.

“As autoridades europeias ainda aguardam confirmação oficial sobre essa prorrogação e sobre eventuais mudanças que possam alterar os atuais processos de inspeção”, destacou Silvia Pizzol.

Representação brasileira reforçada no evento

Além do Cecafé, o Brasil esteve representado por diversas instituições e órgãos públicos, incluindo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Secretaria de Estado da Agricultura do Acre (Seagri).

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A presença brasileira reforçou o compromisso do país com a sustentabilidade e a transparência nas exportações de café, consolidando o Brasil como um dos principais protagonistas globais na produção responsável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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