Brasil
BR-101: Ministério dos Transportes entrega novo trecho duplicado e autoriza mais de R$ 530 milhões em investimentos para Sergipe
A BR-101 em Sergipe ganha mais fluidez e segurança com 8 quilômetros de pista duplicada. O ministro dos Transportes, George Santoro, esteve no estado, onde entregou, nesta quinta-feira (9), o trecho entre Maruim (SE) e Pedra Branca (SE). Além disso, foram assinadas mais três ordens de serviço que somam mais de R$ 530 milhões em obras.
A duplicação da estrada é uma demanda histórica da população e do setor produtivo, aguardada há mais de dez anos. Durante esse período, as obras enfrentaram paralisações e baixo ritmo de execução, em função de restrições orçamentárias.
“O que a gente está vendo aqui é um esforço do Governo do Brasil, com o Congresso Nacional e a bancada de Sergipe, que garantiu recursos e planejamento para esses projetos e evitou a demora que vimos no passado. O presidente Lula iniciou a duplicação da BR-101 em todo o país em 2023, e nós temos o compromisso de concluir essa duplicação”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.
O novo trecho duplicado inclui o Trevo de Maruim, a Ponte sobre o Rio Sergipe e a Ponte sobre o Rio Ganhamoroba e se soma aos 8 já entregues, totalizando 16 quilômetros de pista dupla entre os quilômetros 51,8 e 77,3 da rodovia. O trecho restante, de 9,5 quilômetros, tem previsão de ser concluído até o fim de 2026.
A intervenção ocorreu em um dos pontos mais críticos da BR-101/SE, onde circulam mais de 20 mil veículos por dia e são registradas retenções frequentes. A duplicação amplia a capacidade de tráfego, melhora a fluidez e reforça as condições de segurança para o transporte de cargas e passageiros.
Novas duplicações
Além da entrega, o ministro também assinou duas ordens de serviço para a duplicação de novos segmentos da BR-101/SE no sul do estado, estratégicos para a integração regional e o escoamento da produção. As autorizações contemplam a Estância/Umbaúba, que prevê 16 quilômetros, com investimento de R$ 204,6 milhões; e Umbaúba/Cristinápolis, até a divisa com a Bahia, onde estão previstos 19,1 quilômetros, com investimento de R$ 294,7 milhões.
Com fluxo médio de cerca de 15 mil veículos por dia, o trecho sul da rodovia também é considerado estratégico para a conexão entre Sergipe e Bahia e para o escoamento da produção regional.
“A assinatura das ordens de serviço das obras rodoviárias é muito importante para o nosso estado. E a entrega da duplicação desse trecho do nosso município até a divisa com Laranjeiras é um sonho de todos os maruinenses e vizinhos da nossa região”, destacou o prefeito de Maruim, Gilberto Maynart.
Revitalização da BR-349/SE
Ainda em Sergipe, o ministro dos Transportes autorizou o início das obras de revitalização da BR-349/SE, antiga rodovia estadual SE-335, federalizada em 2025.
O trecho entre Malhada dos Bois e Neópolis, com 40,1 quilômetros de extensão, receberá investimento de R$ 31,8 milhões para adequação aos padrões federais, com melhoria da capacidade e da segurança viária.
A BR-349/SE tem papel estratégico ao conectar a BR-101/SE à região de Neópolis (SE), onde está em construção a ponte que ligará a cidade sergipana a Penedo (AL), para reforçar a conexão com o estado de Alagoas.
“É uma rodovia importante, conectada à ponte em Neópolis, e que integra uma linha de investimentos de quase R$ 500 milhões na região, promovendo conexão não só para o turismo, mas também para a produção, do norte de Sergipe ao sul de Alagoas, com desenvolvimento econômico e social”, completou Santoro.
Em Sergipe, os investimentos do Ministério dos Transportes já somam cerca de R$ 340 milhões desde o início da atual gestão, superando o volume aplicado no governo anterior.
Além da BR-101, o estado também recebeu intervenções em outras rodovias federais, como a BR-235, e ações voltadas à modernização da fiscalização e da gestão operacional.
Obra aguardada há mais de uma década
A BR-101 é uma das mais importantes rodovias do país e liga o Brasil de Norte a Sul. Em Sergipe, com 206,7 quilômetros de extensão, é um dos principais eixos logísticos do estado, conectando a divisa com Alagoas, ao norte, à Bahia, ao sul, e atravessando áreas de forte produção agrícola, industrial e turística.
Desde 2023, cerca de R$ 100 milhões já foram investidos na duplicação da BR-101 no estado. O contrato atual teve início em agosto de 2021, mas havia registrado execução limitada. A retomada efetiva das obras ocorreu na atual gestão, com ampliação do ritmo e recomposição orçamentária.
O cenário de paralisação das obras começou a mudar em fevereiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro dos Transportes, Renan Filho, estiveram em Maruim (SE) para anunciar a retomada das intervenções. A agenda marcou o início de um esforço nacional para destravar obras de infraestrutura paradas em todo o país.
“Daqui, da cidade de Maruim, eu estou anunciando que mais de 14 mil obras que ficaram paralisadas durante os últimos seis anos vão voltar a funcionar, porque o Brasil precisa crescer e gerar renda, gerar consumo, gerar educação e gerar melhoria da qualidade de vida das pessoas”, afirmou o presidente na época.
Desde então, no trecho norte, que compreende cerca de 25,5 quilômetros em duplicação, os investimentos já ultrapassam R$ 115 milhões no atual governo, contra R$ 16 milhões executados na gestão anterior.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
Brasil
“A redução da jornada leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, diz Luiz Marinho no Senado
O Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (1º), sessão temática para debater os impactos sociais e econômicos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 no país.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou dos debates a convite da mesa, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram da sessão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira; além de outros representantes do governo, lideranças sindicais, representantes de entidades de empregadores e trabalhadores e da sociedade civil.
Luiz Marinho ressaltou que o debate sobre a redução de jornada surgiu a partir de uma demanda da sociedade, especialmente das mulheres e da juventude. Ele chamou atenção para estudos e experiências de empresas que apontam aumento da produtividade e redução das taxas de absenteísmo após a diminuição da jornada de trabalho.
“Algumas empresas relatam que reduziram a jornada de 6×1 para 5×2 e verificaram melhorias de produtividade, preencheram as vagas que precisavam e zeraram o absenteísmo. A redução da jornada de 44 para 40 horas, com duas folgas na semana, leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, explicou.
O ministro citou estudos, como o realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. “Nessas 19 empresas que experimentaram a redução de jornada, o estudo da FGV mostra que 72% delas aumentaram sua receita, sua produtividade e seu resultado econômico efetivo. Em 44% delas, houve melhora no cumprimento de prazos operacionais e no fluxo de trabalho, levando a um processo de melhoria. É isso que os estudos estão mostrando”, disse.
Com base nos dados do eSocial — sistema do MTE que reúne mensalmente informações das empresas —, o ministro explicou que o impacto estimado nos custos é variável, entre 1,6% e 10%. “Não estamos falando de um impacto proibitivo, que não possa ser suportado pelas empresas brasileiras. São dados reais e concretos”, afirmou.
Luiz Marinho ressaltou ainda que, quando foi discutido o aumento da licença-maternidade, houve argumentos de que a medida poderia gerar impactos negativos no mercado de trabalho feminino. “Ao longo do tempo, vimos que a licença-maternidade não gerou o impacto relatado. O que assistimos foi o contrário: houve impacto positivo. Hoje temos mais mulheres no mercado de trabalho. Falas catastróficas não fazem frente à realidade”, informou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ressaltou que “não é verdade que ganhos reais para os trabalhadores, seja no âmbito salarial ou da redução de jornada, impactem em custos para a economia. Esse não é um debate só econômico, é um debate humano. A redução da jornada é uma demanda da sociedade brasileira”.
Em sua fala, o ministro Paulo Henrique Pereira destacou que mais da metade (51%) dos microempreendedores consideram a medida positiva. “Tivemos crescimento de produtividade nos últimos anos e a economia brasileira, com a menor taxa de desemprego e a menor inflação da história, dá sinais de que é capaz de assumir um custo como esse”, afirmou.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, reforçou que o governo é favorável à proposta e defendeu o diálogo. Segundo ela, “se olharmos a história das relações de trabalho, os avanços sociais nunca significaram colapsos”. A senadora criticou aqueles que são contra a discussão em ano eleitoral.
“O tempo político muitas vezes não combina com o calendário. Vamos fazer o debate com a complexidade que o tema exige, mas também com os dados que nos inspiram, assim como foi na CLT, na Constituição que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais, na licença-maternidade ou na licença-paternidade”, ressaltou.
Adaptação
Representantes do setor produtivo defenderam, principalmente, um período maior de transição para adaptação às novas regras.
Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “vocês nunca ouviram de nenhum setor produtivo que somos contra a 6×1 ou a redução de jornada, mas sim quanto à forma como ela deve ser feita. Estamos discutindo a forma, não o conceito”.
As centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Antônio Neto, ressaltou que o Brasil está há 38 anos sem promover constitucionalmente a redução da jornada.
“E aqui se confunde muito redução de jornada e escala de trabalho. São duas coisas distintas”, frisou.
Para o presidente da CTB, a PEC prevê exatamente isso: a redução da jornada de trabalho, a garantia de dois dias de descanso e a possibilidade de que as negociações coletivas estabeleçam diferentes formatos de escala.
“Desde 1988, a economia e a tecnologia avançaram, a automação reorganizou processos produtivos, a inteligência artificial já redefine setores inteiros, os ganhos se multiplicaram e o lucro encontrou formas mais sofisticadas de expansão. O que não avançou foi a disposição de parte da elite econômica em compartilhar esses ganhos com quem produz a riqueza nacional, o trabalhador brasileiro”, avaliou.
A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio deste ano e está em análise pelos senadores. Se aprovada pelo Senado, a proposta seguirá para sanção presidencial. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, com garantia de ao menos duas folgas semanais e prazo de até 14 meses após a promulgação para entrar em vigor.
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