Agro
Bolsas globais e Ibovespa operam com forte pressão por conflito no Oriente Médio e temores econômicos
Os mercados acionários pelo mundo enfrentam um momento de volatilidade acentuada, com os principais índices de Wall Street, das bolsas europeias e asiáticas registrando quedas nos últimos pregões, refletindo preocupações com a escalada do conflito no Oriente Médio, pressões inflacionárias e incertezas econômicas globais. No Brasil, o Ibovespa também opera em baixa, pressionado por ativos sensíveis ao cenário externo e ao risco geopolítico.
Wall Street registra perda e aversão ao risco global
Nos Estados Unidos, os três principais índices acionários encerraram sessões recentes com queda, à medida que investidores se afastam de ativos de risco e buscam proteção diante do ambiente econômico incerto. O S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones recuaram com perdas expressivas em setores como tecnologia e industrial, num reflexo direto dos temores ligados ao prolongamento de conflitos, potencial impacto sobre preços de energia e expectativas de inflação.
Bolsas europeias oscilam entre perdas e ganhos
Na Europa, os mercados oscilaram em meio ao nervosismo dos investidores. Alguns índices regionais chegaram a recuperar parte das perdas após sinais de negociação diplomática no conflito do Oriente Médio, enquanto outros seguiram pressionados pela aversão ao risco e pela alta contínua nos preços do petróleo. A dinâmica evidencia que a instabilidade geopolítica ainda domina as perspectivas do mercado europeu.
Mercados asiáticos amargam fortes perdas
Nos mercados da Ásia-Pacífico, os principais índices fecharam em terreno negativo, com destaque para quedas significativas no Kospi da Coreia do Sul, Nikkei do Japão e índices de Taiwan e Hong Kong. A deterioração da confiança dos investidores na região foi intensificada pela perspectiva de elevação de preços de energia, impacto em cadeias de produção e temor de atraso em cortes de juros, além de dados econômicos localmente desfavoráveis.
Ibovespa reflete cenário externo e pressões internas
No Brasil, o Ibovespa também apresentou movimento de queda nas últimas sessões, com ações de setores como bancos e varejo sofrendo maior pressão, enquanto commodities e empresas exportadoras exibem desempenho misto conforme a oscilação de mercados global e o fortalecimento do dólar frente ao real. Dados de mercado indicam uma tendência de aversão ao risco por parte de investidores brasileiros, alinhada ao comportamento global diante da escalada geopolítica e da incerteza econômica que ainda persiste.
Fatores que impactam os mercados globais
Os principais fatores que têm influenciado a trajetória dos mercados incluem:
- Conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o preço do petróleo e cadeias logísticas — levando a preocupações com inflação e custos de energia.
- Aversão ao risco global, refletida na busca por ativos considerados mais seguros.
- Volatilidade nos índices asiáticos, com perdas profundas em mercados-chave como Coreia do Sul e Japão.
Oscilação do Ibovespa, com influência tanto do cenário externo quanto de fatores internos, incluindo expectativas de política monetária e resultados corporativos próximos.
Perspectivas de investidores e próximos movimentos
Analistas financeiros destacam que a continuidade ou resolução dos conflitos geopolíticos será determinante para a direção dos mercados nos próximos dias. A alta nos preços de energia pode alimentar pressões inflacionárias, influenciar decisões de política monetária e moldar o apetite por risco global. Enquanto isso, a busca por estabilidade por meio de ativos de reserva de valor, como títulos e moedas fortes, segue em alta.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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