Agro
Biodiesel de soja transforma demanda interna e impulsiona agronegócio brasileiro em meio à safra recorde
Mercado externo
O mercado global de soja segue pressionado por ampla oferta e demanda moderada, cenário que contribui para a queda projetada de 13,3% no preço médio da oleaginosa na safra 2025/26. Mesmo com o Brasil consolidando sua posição como maior exportador mundial, a dependência das cotações internacionais ainda impõe volatilidade à renda do produtor.
Tradicionalmente, o preço da soja brasileira acompanha os movimentos da Bolsa de Chicago. No entanto, a crescente demanda interna por biodiesel começa a criar um descolamento parcial dessa referência externa, introduzindo variáveis energéticas na formação de preços.
Mercado interno
A safra brasileira de soja 2025/26 deve atingir um recorde de 178 milhões de toneladas, segundo estimativas da Conab. Apesar do volume expressivo, a rentabilidade do produtor está sob pressão: a margem por hectare recuou de R$ 2.325 para R$ 1.219.
Nesse contexto, o avanço do biodiesel surge como fator estrutural de transformação. Atualmente, cerca de 80% da soja processada se converte em farelo e 20% em óleo. A limitação histórica sempre foi a demanda pelo óleo — agora, absorvida pela indústria de biocombustíveis.
Com a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil — 15% em 2025, 16% em 2026 e previsão de 20% até 2030 — o mercado interno ganha protagonismo, estimulando o esmagamento e fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Preços
Mesmo diante da safra recorde, os preços da soja enfrentam pressão baixista. No entanto, o crescimento da demanda interna por óleo de soja para biodiesel tende a oferecer sustentação adicional às cotações no mercado doméstico.
Essa nova dinâmica reduz parcialmente a dependência exclusiva das exportações e pode trazer maior previsibilidade ao produtor, especialmente em momentos de excesso de oferta global.
Indicadores
O avanço do biodiesel já impacta diretamente os indicadores do setor:
- O esmagamento de soja deve alcançar 61,8 milhões de toneladas em 2026, alta de 6% ao ano, segundo Safras & Mercado
- Cada aumento de 1 ponto percentual na mistura de biodiesel pode elevar os empregos do setor em 3,59%
- A cada R$ 1 investido em biodiesel, o retorno econômico estimado é de R$ 4,40
- A adoção do B16 exigirá cerca de 872 milhões de sacas de soja destinadas ao biocombustível
- O salto do B15 para o B16 adiciona demanda de aproximadamente 90 milhões de sacas
- A capacidade instalada de produção de biodiesel alcançou o equivalente a 3,4 milhões de sacas por dia em 2025
- O setor projeta investimentos de R$ 52,5 bilhões até 2030
- A cadeia pode gerar até 2,28 milhões de empregos no Brasil
Análise
O crescimento do biodiesel reposiciona o Brasil no cenário global: de fornecedor de matéria-prima para produtor de energia renovável com valor agregado. Esse movimento fortalece o mercado interno, amplia o processamento e reduz a vulnerabilidade às oscilações internacionais.
Para o produtor rural, a mudança é significativa. A formação de preços passa a considerar não apenas oferta e demanda globais, mas também fatores energéticos e políticas públicas nacionais.
Apesar do potencial, desafios permanecem. A execução do cronograma de mistura obrigatória avança em ritmo mais lento que o previsto, e a expansão da capacidade industrial exigirá investimentos robustos nos próximos anos.
Ainda assim, o cenário aponta para uma transformação estrutural da cadeia da soja. Em um ambiente de margens mais apertadas, a diversificação da demanda e o fortalecimento do mercado interno podem ser decisivos para sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Consumo de diesel no Brasil deve bater recorde em 2026 com 70,8 milhões de m³, impulsionado pelo agronegócio
Demanda por diesel deve atingir novo recorde histórico em 2026
O consumo de diesel no Brasil deve alcançar um novo patamar histórico em 2026, refletindo o dinamismo do agronegócio, da indústria e da logística. Segundo relatório da StoneX, a demanda por diesel B está projetada em 70,8 milhões de metros cúbicos, crescimento de 1,9% na comparação anual.
O avanço é sustentado principalmente pelo ritmo da colheita agrícola, aumento das exportações e intensificação do transporte rodoviário de cargas.
“A recuperação do consumo está diretamente ligada à dinâmica econômica do país, especialmente ao agro e à logística”, destaca o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro.
Início de ano mais fraco, mas tendência é de recuperação
Apesar da projeção positiva, o início de 2026 apresentou desempenho mais moderado. As vendas de diesel registraram queda de 1,7% no primeiro bimestre, impactadas por fatores pontuais:
- Atraso na colheita da soja
- Antecipação de compras no fim de 2025
- Ajustes tributários, como aumento do ICMS
No entanto, indicadores recentes já sinalizam retomada. Em março, o fluxo de veículos pesados em rodovias pedagiadas cresceu 7,5%, refletindo o aquecimento do transporte de cargas no país.
Regiões Sul e Sudeste lideram crescimento da demanda
No recorte regional, o relatório aponta que as regiões Sudeste e Sul devem concentrar a maior expansão do consumo de diesel, impulsionadas por:
- Recuperação da produção agrícola
- Desempenho da atividade industrial
- Intensificação do fluxo logístico rumo aos portos
Já o Centro-Oeste deve apresentar crescimento mais moderado, influenciado pela expectativa de menor produção de grãos, embora haja avanço no transporte de etanol de milho.
Produção nacional cresce e reduz necessidade de importações
Do lado da oferta, a produção nacional de diesel A ganhou força no primeiro trimestre, com alta de 4,5%, impulsionada principalmente em março.
Esse movimento reflete esforços das refinarias para ampliar a oferta interna diante das incertezas globais no mercado de energia.
Com isso, a expectativa é de redução nas importações, que devem somar 17,2 milhões de m³ em 2026, queda de 0,6% na comparação anual.
Biodiesel avança acima do diesel e reforça papel estratégico
No segmento de biocombustíveis, o crescimento será ainda mais expressivo. A demanda por biodiesel deve avançar 7,2%, atingindo 10,4 milhões de m³ em 2026.
O desempenho é impulsionado por:
- Aumento da mistura obrigatória para B15
- Crescimento da demanda por diesel
- Busca por alternativas para reduzir dependência externa
“O crescimento do biodiesel reflete tanto o aumento da mistura quanto o dinamismo da demanda por diesel no país”, explica a analista Isabela Garcia.
Óleo de soja segue como principal matéria-prima
O relatório aponta que o óleo de soja continuará como principal insumo para a produção de biodiesel, com participação estimada em 84,7%.
O avanço é favorecido pela ampla oferta interna e pela expectativa de esmagamento recorde de soja no país.
Em um cenário alternativo com adoção da mistura B16, a demanda por biodiesel pode chegar a 10,76 milhões de m³.
Cenário internacional ainda traz incertezas
Mesmo com o ambiente externo marcado por volatilidade — incluindo tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de energia —, a avaliação é de que a demanda por diesel no Brasil deve se manter resiliente.
Isso porque o consumo do combustível está diretamente ligado à atividade econômica, especialmente:
- Transporte de cargas
- Produção agroindustrial
- Cadeias logísticas
Por outro lado, um cenário de deterioração econômica global pode impactar negativamente o consumo no curto prazo.
A expectativa de recorde no consumo de diesel em 2026 reforça o papel central do agronegócio e da logística na demanda por energia no Brasil, enquanto o avanço do biodiesel consolida a transição para uma matriz mais diversificada e estratégica no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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