Paraná
Benefício paralelo à recuperação da orla, curso de Programação ajuda adolescentes em Matinhos
A estudante Fernanda Lenhard, de 17 anos, nem imaginava que a revitalização da orla da cidade mudaria tanto a sua vida. Para além da melhoria da infraestrutura, segurança e conforto da praia de Matinhos, no Litoral do Paraná, ela ganhou, indiretamente, uma carreira profissional para seguir.
A jovem é uma das 27 alunas matriculadas do curso básico de Linguagem de Programação para Adolescentes, oferecido gratuitamente pelo Instituto Água e Terra (IAT) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) por meio do Programa de Capacitação Profissional do Governo do Estado. Com 32 horas/aula, o curso começou em junho e termina no próximo sábado (19). A iniciativa integra o pacote de benefícios voltados para a comunidade local em decorrência das obras de reestruturação da Orla de Matinhos.
“Cheguei aqui tendo uma base, mas com o auxílio dos professores encontrei conteúdos interessantes, em métodos de HTML e CCS, que são realmente muito bons. Por isso penso em fazer faculdade de Ciência da Computação, uma área que eu gosto bastante. Sem contar que a tecnologia é extremamente importante, poucos fazem isso ainda no Brasil”, conta Fernanda, que já tinha certa familiaridade com os recursos por ter aula de programação na grade curricular da escola – ela cursa o 2º ano do Colégio Estadual Gabriel de Lara.
“Fazemos a programação passo a passo, tudo é muito legal e dinâmico”, diz, sem conter o entusiasmo com a possibilidade de fazer da paixão pela tecnologia um ofício para a vida.
Empolgação compartilhada por outros aficionados pelo mundo virtual decorrente da tela do computador. “A gente usa muito computador e tecnologias novas, é sempre bom aprender, é uma área muito boa, bem legal de estudar”, afirma Gabriel Mussinato da Silva, de 14 anos. “Eu já procurava um curso, fiz questão de me matricular nesse porque penso em trabalhar com construção de websites e ajudar a minha família”.
Segundo o instrutor Bruno Woo, o curso básico de Linguagem de Programação pretende passar aos jovens conhecimentos introdutórios sobre a metodologia, como programas funcionais relacionados, por exemplo, à entrada de valores para adquirir resultados e médias aritméticas.
“Esses jovens se mostram engajados nas atividades propostas. E nós trabalhamos para que saiam daqui com o conhecimento necessário para, no futuro, ocupar uma demanda que é de cerca de 500 mil vagas em todo o Brasil, portanto, um mercado aquecido”, destaca.
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OUTROS CURSOS – Além das aulas de programação, em andamento, o Programa de Capacitação Profissional do Governo do Estado já ofertou cursos de Espanhol Básico, Técnicas Básicas de Jardinagem e Tratamento de Piscinas, Preparo de Massas e Pizzas e Serviços Básicos de Açougue. Estão previstas ainda formações especializadas em Técnicas de Construção Civil em Alvenaria, entre os dias 17 e 25 de agosto; Pintura de Obras, entre 25 de agosto e 6 de outubro; e o curso de Instalações Hidráulicas Prediais, de 9 de outubro a 14 de novembro.
As ações visam o aprimoramento da mão de obra na cidade para o novo cenário econômico pelo qual vive Matinhos a partir da modernização da orla e de outras obras estruturais em execução pelo Governo do Estado no Litoral como a Ponte de Guaratuba e a duplicação da Avenida Juscelino Kubitschek (JK), principal via de acesso a Matinhos. A estimativa é que 1,4 mil pessoas sejam beneficiadas com os cursos.
As inscrições antecipadas e gratuitas devem ser realizadas pessoalmente no SENAC, que fica na rua Doutor José Pinto Rebelo Junior, nº 91, Bairro Caiobá. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 3452-8050.
OBRA – A revitalização da Orla de Matinhos atingiu 80% de conclusão e deve ser entregue para a população até o segundo semestre de 2024, com investimento de R$ 314,9 milhões por parte do Governo do Estado. Abrange serviços de engorda da faixa de areia por meio de aterro hidráulico; estruturas marítimas semirrígidas; canais de macrodrenagem e redes de microdrenagem e revitalização urbanística da orla marítima com o plantio de espécies nativas.
O projeto é acompanhado de melhorias na pavimentação asfáltica e recuperação de vias urbanas. O objetivo é minimizar os impactos gerados pela combinação do desequilíbrio de sedimentos, ocupações mal planejadas e fenômenos naturais, como chuvas fortes e ressacas que costumeiramente atingem o Litoral. Essa combinação comprometeu boa parte da infraestrutura urbana, turística e de lazer em Matinhos.
As intervenções são feitas ao longo de 6,3 quilômetros entre o Morro do Boi e o Balneário Flórida. Haverá, ainda, a instalação de novos equipamentos urbanos, como ciclovia, pista de caminhada e corrida, pista de acessibilidade e calçada. Em uma segunda etapa, ainda sem previsão de data, será recuperado o trecho de 1,7 quilômetro entre os balneários Flórida e Saint Etienne.
Fonte: Governo PR
Paraná
Ministério Público do Paraná requer a suspensão da comercialização de lotes e a regularização integral de loteamento da década de 1990 em Quatro Barras
O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, ajuizou ação civil pública para garantir a regularização urbanística e ambiental integral do Loteamento Bosque Merhy. A ação pede, em caráter de urgência, a suspensão da venda de qualquer lote, bem como da cobrança e do recebimento de valores referentes a lotes eventualmente já comercializados, e busca a reparação de danos materiais e morais coletivos.
Áudio do Promotor de Justiça André Luiz de Araújo
São réus os dois loteadores do empreendimento e o Município de Quatro Barras, este último por suposta omissão no dever de fiscalizar. Registrado em 1995, com 133 lotes distribuídos em uma área de 561.076 m², o loteamento situa-se em região de manancial, integralmente inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí.
Problemas históricos – De acordo com a investigação do MPPR, o loteamento nunca foi integralmente concluído. Segundo relatórios técnicos, os loteadores não implantaram a infraestrutura básica que lhes cabia. As redes de água e esgoto foram executadas tardia e parcialmente pela Sanepar; a energia elétrica e a iluminação pública foram implantadas, de forma gradual, pela Copel. Em ambos os casos, os custos foram repassados ao Município e aos próprios moradores. Permanecem pendentes a drenagem pluvial, a pavimentação e a abertura integral das vias projetadas. Há, ainda, indícios de que áreas que deveriam permanecer preservadas, como um lago e um bosque protegido, teriam sido repassadas ao Município no lugar de áreas úteis à população, para simular o cumprimento do percentual mínimo de áreas públicas.
O histórico do empreendimento também registra intervenções recentes objeto de autuação ambiental. Em 2020, a retomada de obras em Área de Preservação Permanente (APP) foi autuada e embargada pelo Instituto Água e Terra (IAT), inclusive por descumprimento de embargo que remontava a 2001, o que resultou em multa de R$ 200 mil. Mais recentemente, vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em maio de 2026, apontou indícios de nova supressão de vegetação em APP, em aparente descumprimento do embargo. A extensão exata e o volume dos danos ambientais ainda dependem de perícia judicial.
Pedidos urgentes – Diante da gravidade da situação, o Ministério Público formulou pedidos liminares, em caráter de urgência, requerendo ao Judiciário a imediata paralisação de qualquer obra e de qualquer supressão de vegetação na área, com o apoio da Polícia Militar Ambiental (Força Verde) na fiscalização. Também foram requeridas a indisponibilidade de bens dos loteadores, no valor mínimo de R$ 2 milhões, para assegurar as obras de regularização, o ressarcimento ao erário e a reparação dos adquirentes prejudicados, e a determinação para que o Município adote as medidas necessárias para fazer cessar e remover as irregularidades apontadas.
No julgamento do mérito, o MPPR requer a condenação dos réus à conclusão definitiva da infraestrutura do loteamento, à destinação correta das áreas públicas, à recuperação integral da área degradada, na extensão a ser apurada em perícia, mediante Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), e ao pagamento das indenizações devidas. Os valores das indenizações por danos morais coletivos, se fixados, serão revertidos ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos (FEID).
No julgamento do mérito, o MPPR requer a condenação dos réus à conclusão definitiva da infraestrutura do loteamento, à destinação correta das áreas públicas, à recuperação integral da área degradada, na extensão a ser apurada em perícia, mediante Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), e ao pagamento das indenizações devidas. Os valores das indenizações por danos morais coletivos, se fixados, serão revertidos ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Processo 0001353-95.2026.8.16.0211
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4249
Fonte: Ministério Público PR
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