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Banco Central inicia ciclo de cortes e reduz Selic para 14,75% ao ano

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano, em reunião realizada nesta quarta-feira (18). O corte de 25 pontos-base marca o início de um novo ciclo de flexibilização monetária, alinhado às expectativas do mercado.

A decisão reflete sinais de desaceleração da economia brasileira e o processo gradual de convergência da inflação às metas, embora o cenário ainda exija prudência.

Por que o Banco Central começou a cortar os juros

Segundo o Banco Central, o movimento ocorre após um longo período de política monetária restritiva, cujos efeitos começam a impactar a atividade econômica.

Os dados mais recentes indicam perda de fôlego da economia, abrindo espaço para cortes graduais na Selic sem comprometer o controle inflacionário.

Apesar disso, o Copom adotou um tom cauteloso e evitou sinalizar os próximos passos, optando por manter flexibilidade diante das incertezas no cenário global.

Conflitos no Oriente Médio elevam riscos para inflação

O principal fator de atenção no cenário externo é a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que tem potencial para impactar diretamente a inflação global e brasileira.

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Entre os principais pontos de preocupação estão:

  • Alta das commodities: o petróleo Brent chegou a US$ 103, pressionando custos globais;
  • Volatilidade cambial: possíveis oscilações no câmbio, com projeção atual de dólar em R$ 5,20;
  • Riscos elevados: embora considerados simétricos, estão acima do padrão histórico.

Esse ambiente reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária.

Até onde a Selic pode cair em 2026

Projeções de mercado indicam que o ciclo de cortes deve ocorrer de forma gradual. Analistas do Rabobank estimam que a Selic pode encerrar 2026 em torno de 12,50% ao ano.

Para a próxima reunião, prevista para abril, a expectativa é de um novo corte de 25 pontos-base. No entanto, uma melhora no cenário externo — especialmente no fluxo de comércio global — pode abrir espaço para reduções mais intensas, de até 50 pontos-base nas reuniões seguintes.

Cenário doméstico ainda exige atenção

No ambiente interno, os indicadores mostram um quadro misto:

  • Atividade econômica em desaceleração;
  • Mercado de trabalho ainda resiliente;
  • Inflação de serviços persistente.
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Além disso, as expectativas de inflação seguem acima da meta, o que continua sendo um fator de preocupação para o Banco Central:

  • 2026: 4,1%
  • 2027: 3,8%
  • 2028: 3,5%
Próximos passos do Banco Central

O mercado agora aguarda a divulgação de dois documentos importantes que devem detalhar a estratégia da autoridade monetária:

  • Ata do Copom, prevista para 24 de março;
  • Relatório de Política Monetária do 1º trimestre de 2026, programado para 26 de março.

Esses materiais devem trazer mais clareza sobre a condução da política monetária diante das incertezas externas e da evolução da economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Frio favorece plantio, mas produtores seguem cautelosos com custos e clima

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A chegada da primeira massa de ar polar de 2026 mudou o ambiente das lavouras de inverno no Sul do Brasil e trouxe um cenário diferente para cada fase do trigo no país. Enquanto o frio atual tende a beneficiar áreas recém-plantadas no Paraná, produtores do Rio Grande do Sul seguem cautelosos diante das incertezas climáticas e econômicas para a próxima safra.

O trigo é uma cultura típica de clima frio, mas os efeitos das baixas temperaturas variam conforme o estágio da lavoura. Neste momento, o frio ajuda mais do que atrapalha.

No Paraná, onde o plantio da safra 2025/26 já começou, cerca de 17% da área prevista havia sido semeada até a última semana, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). As áreas implantadas estão principalmente em germinação e crescimento vegetativo inicial.

Nessa fase, temperaturas mais baixas favorecem o desenvolvimento da cultura. O frio ajuda na emergência uniforme das plantas, reduz parte do estresse térmico e cria um ambiente mais adequado para o crescimento vegetativo inicial.

Por isso, a onda de frio que derruba as temperaturas no Centro-Sul neste início de maio tende a ser positiva para o trigo recém-semeado no Paraná e em parte de Santa Catarina. O cenário muda completamente mais adiante, durante o florescimento e o enchimento de grãos. Nessas fases, geadas fortes podem provocar perdas severas de produtividade e qualidade, queimando espigas e comprometendo o potencial industrial do cereal. É justamente esse risco futuro que mantém parte dos produtores cautelosa neste início de safra.

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No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de trigo, a semeadura ainda não começou. Os produtores seguem em fase de planejamento da temporada, avaliando custos, clima e perspectivas de mercado antes de ampliar os investimentos.

Além da preocupação climática, o setor acompanha um cenário econômico mais apertado. Fertilizantes mais caros, custos elevados com operações mecanizadas, dificuldades no seguro rural e maior cautela no crédito vêm reduzindo o apetite por expansão da área cultivada.

Ao mesmo tempo, o mercado oferece sustentação importante aos preços. A baixa disponibilidade de trigo argentino com qualidade adequada para panificação continua limitando a oferta no Mercosul e fortalecendo as cotações no Brasil.

No Rio Grande do Sul, os preços seguem ao redor de R$ 1.300 por tonelada no interior. No Paraná, as referências se aproximam de R$ 1.400 por tonelada nos moinhos.

A dificuldade de encontrar trigo argentino com teor de proteína acima de 11,5% também vem levando parte da indústria brasileira a buscar produto nos Estados Unidos, operação mais cara e logisticamente mais complexa.

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Esse ambiente ajuda a sustentar os preços internos justamente no momento em que o produtor começa a decidir quanto investir na nova safra.

Mesmo assim, a preocupação com o clima permanece no radar. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), a previsão de maior frequência de chuvas durante o inverno e a primavera pode elevar riscos nas fases mais sensíveis da cultura, especialmente florescimento e enchimento de grãos.

Por isso, muitos produtores vêm adotando uma postura mais conservadora, reduzindo o pacote tecnológico, diminuindo investimentos em insumos e até substituindo parte da área de trigo por outras culturas de inverno.

O próprio Deral projeta queda de 15% na produção paranaense de trigo na safra 2025/26, reflexo principalmente da redução da área cultivada.

Neste início de maio, porém, o frio ainda joga a favor do trigo brasileiro. O desafio do setor será transformar esse começo climático positivo em uma safra rentável em meio aos altos custos, às incertezas do mercado internacional e aos riscos climáticos que costumam ganhar força ao longo do inverno.

Fonte: Pensar Agro

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