Agro
Aurora Coop destaca impactos econômicos e sociais positivos em 2025
Aurora Coop reforça papel socioeconômico no Brasil
A Cooperativa Central Aurora Alimentos (Aurora Coop) anunciou os resultados de 2025, destacando não apenas a performance econômica, mas também os impactos sociais e ambientais de suas operações.
Entre os principais efeitos estão a criação de milhares de empregos, o fortalecimento econômico de centenas de municípios, a melhoria da qualidade de vida das famílias rurais e o foco no bem-estar animal.
O presidente Neivor Canton, o vice-presidente de agronegócios Marcos Antonio Zordan e a diretora administrativa Marinei Zuffo Rocha apresentaram os números e analisaram o desempenho do Sistema Aurora, que integra 14 cooperativas, 87 mil famílias rurais e 50,4 mil colaboradores distribuídos em fábricas, unidades logísticas e comerciais.
Segundo Canton, “a Aurora Coop se consolidou como o maior paradigma brasileiro de intercooperação, reunindo mais de 150 mil famílias para fornecer alimentos de excelência para o Brasil e mais de 80 países, com um portfólio de mais de 850 produtos das marcas Aurora, Aurora Premium, Aurora Bem Leve, Nobre, Alegra e Gran Mestri”.
Desempenho sólido mesmo em cenário econômico desafiador
Em 2025, a cooperativa enfrentou inflação de alimentos, pressões sanitárias, instabilidades geopolíticas e maior seletividade do consumidor.
Apesar dos desafios, a Aurora Coop mostrou resiliência e capacidade estratégica, garantindo resultados positivos tanto no mercado interno quanto no externo.
No mercado internacional, a empresa lidou com restrições de exportação causadas por influenza aviária, doença de Newcastle e fechamentos temporários de mercados estratégicos. A cooperativa compensou os impactos com reorganização logística, valorização cambial e melhoria no mix de produtos, especialmente suínos e processados.
Um marco importante foi a inauguração da primeira subsidiária internacional em Xangai, fortalecendo a presença da Aurora Coop na Ásia e ampliando sua inteligência comercial global.
No mercado interno, a cooperativa avançou com segmentação de canais, expansão digital, maior cobertura territorial e planejamento estratégico aprimorado, resultando em ganhos de participação de mercado em carnes congeladas e industrializadas.
Investimentos e geração de empregos fortalecem economia regional
A Aurora Coop criou 3.591 novos empregos em 2025, encerrando o ano com 50.437 colaboradores diretos.
Os investimentos em salários e encargos somaram R$ 2,9 bilhões, enquanto os benefícios – incluindo alimentação, vale-alimentação, transporte, plano de saúde, previdência, auxílio-creche e seguro de vida – totalizaram R$ 686,9 milhões.
No total, os investimentos gerais em colaboradores atingiram R$ 3,7 bilhões.
As atividades da cooperativa geraram mais de R$ 27 bilhões em movimento econômico nos municípios de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, distribuídos da seguinte forma:
- ICMS: R$ 3,0 bilhões
- Valor adicionado na agropecuária: R$ 12,3 bilhões
- Valor adicionado na indústria e comércio: R$ 8,3 bilhões
- Remuneração e benefícios aos colaboradores: R$ 3,5 bilhões
Saúde única e bem-estar animal como pilares da produção
A Aurora Coop adotou o conceito “one health”, que integra saúde animal, humana e ambiental, garantindo sustentabilidade, biosseguridade e bem-estar em todas as etapas produtivas.
Investimentos em bem-estar animal ultrapassaram R$ 1,4 bilhão em 2025, abrangendo suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite, consolidando a cooperativa como referência nacional em práticas éticas e sustentáveis.
As 9 unidades de aves possuem capacidade para abater 1,4 milhão de frangos/dia, e as 8 plantas de suínos processam 35 mil suínos/dia, com planejamento industrial adaptado às demandas externas.
Produção e expansão de portfólio estratégico
Em 2025, a Aurora Coop registrou crescimento na produção:
- Suínos: 8,2 milhões de cabeças abatidas (+2,6%)
- Aves: 347,9 milhões de frangos processados (+1,4%)
- Leite captado: 489 milhões de litros
A aquisição da marca Gran Mestri, especializada em queijos de alto valor agregado, fortaleceu a atuação em segmentos premium, incluindo queijos tipo Grana Padano, parmesão, pecorino, mascarpone, brie e gorgonzola.
Resultados financeiros refletem crescimento consistente
A receita operacional bruta de 2025 alcançou R$ 26,9 bilhões (+8,3%), e as sobras do exercício chegaram a R$ 1,2 bilhão (+43,5% em relação a 2024).
O mercado interno respondeu por 65,8% do faturamento, enquanto o externo representou 34,2%.
No Brasil, as vendas totalizaram R$ 15,6 bilhões, distribuídas entre:
- Suínos: R$ 9,4 bilhões
- Aves: R$ 3,3 bilhões
- Lácteos: R$ 1,9 bilhão
- Massas: R$ 310 milhões
- Pescado: R$ 270 milhões
- Vegetais: R$ 230 milhões
- Bovinos: R$ 72 milhões
No mercado internacional, o faturamento atingiu R$ 9,1 bilhões (+2,2%), com destaque para:
- Carnes suínas: R$ 4,3 bilhões
- Carnes de aves: R$ 4,8 bilhões
- Lácteos: R$ 5 milhões
A Aurora Coop representa 19,7% das exportações brasileiras de carne suína e 8,4% de carne de frango, com principais destinos: Oriente Médio, Japão, África, China, América Central e do Sul, Ásia, América do Norte, Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura, Eurásia e Europa. Houve aumento nas exportações para Filipinas e redução para China e EUA.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Primavera chega terça com previsão de safra recorde mesmo sob ameaça de el niño histórico
A primavera começa na noite de terça-feira (22.09) com o plantio da soja 2026/27 já em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A nova estação encontra o campo sob condições bastante diferentes: enquanto áreas do Sul enfrentam chuva frequente e risco de temporais, parte do Centro-Oeste ainda aguarda umidade suficiente no solo para ampliar a semeadura com segurança.
Nos próximos dias, uma frente fria deve manter o tempo instável no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com possibilidade de chuva volumosa, rajadas de vento e granizo. A instabilidade também poderá alcançar Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, Goiás e no interior do Nordeste, a tendência ainda é de calor, baixa umidade e precipitações mais irregulares.
Para o produtor, a principal preocupação não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente no perfil do solo para sustentar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e estimular uma semeadura prematura, seguida por vários dias de calor e tempo seco.
O plantio da safra 2026/27 começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do país e excesso de precipitação no Sul durante a primavera. O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover.
A primavera começa às 21h05 de terça-feira (22), quando a semeadura da soja já estará em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,3% sobre o ciclo anterior. O resultado dependerá, em grande medida, da distribuição das chuvas durante a implantação das lavouras.
O prognóstico oficial para outubro, novembro e dezembro aponta déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No sentido oposto, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com desvios de até 2 graus Celsius no norte mato-grossense.
Essa diferença dentro de uma mesma região exige decisões localizadas. No norte de Mato Grosso e de Goiás, o risco é iniciar o plantio depois de uma chuva isolada e enfrentar calor intenso ou interrupção das precipitações durante a germinação. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas mais ao sul de Goiás e Mato Grosso, a maior disponibilidade de água pode favorecer a soja, embora volumes elevados reduzam os períodos disponíveis para a entrada das máquinas.
O Inmet e o Inpe recomendam o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade armazenada no solo antes da semeadura. A precaução procura evitar falhas de emergência, formação irregular do estande e necessidade de replantio. A decisão também interfere na janela do milho e do algodão cultivados após a soja.
A estimativa preliminar da Conab aponta 49,3 milhões de hectares de soja, aumento de 1,4%, o menor crescimento percentual da área em duas décadas. A produção pode alcançar 181,6 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. Para o milho, considerando as três safras, a projeção chega a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%.
O potencial produtivo existe, mas a margem para erros no calendário é menor. Se o plantio da soja atrasar no Centro-Oeste, parte do milho segunda safra poderá ser semeada fora da janela de menor risco climático. Se a implantação for antecipada sem água suficiente no solo, aumentam as despesas com sementes, combustível, mão de obra e operações de replantio.
No Sul, o problema tende a ser o excesso. O prognóstico aponta chuva acima da média nos três Estados, com acumulados que podem superar o padrão histórico do trimestre em até 200 milímetros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição favorece a disponibilidade de água para as culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas pode limitar a entrada de máquinas e prejudicar a uniformidade da semeadura.
No arroz irrigado, o alerta é maior em áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos saturados e precipitações frequentes pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das plantas. Soja e milho também ficam expostos à compactação do solo, erosão, lixiviação de nutrientes e redução dos intervalos disponíveis para aplicações e outros manejos.
A Região Sudeste apresenta um quadro dividido. São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuva acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. As condições tendem a favorecer a implantação de soja e milho e a recomposição da umidade nos cafezais e pomares.
No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a irregularidade das chuvas, combinada às temperaturas mais altas, eleva o risco para lavouras de sequeiro. O prognóstico recomenda monitoramento diário nas áreas produtoras de soja dessas regiões. Para o café, chuvas bem distribuídas podem favorecer a florada e o pegamento; precipitações isoladas seguidas por novos períodos secos, porém, podem provocar florações desuniformes.
O cenário é mais restritivo no Norte e no Nordeste. A previsão oficial indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte, com acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em áreas de Roraima, Amazonas e Pará. No Nordeste, também predominam volumes inferiores ao padrão histórico, acompanhados por temperaturas que podem superar a média em cerca de 2 graus.
No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a irregularidade das chuvas pode atrasar a semeadura e elevar a demanda de água durante a emergência e o desenvolvimento inicial. Nas propriedades irrigadas, temperaturas maiores aumentam o consumo hídrico. Nas áreas de sequeiro, o risco está na grande diferença de volumes entre localidades próximas e até dentro de uma mesma fazenda.
A preocupação com o El Niño tem base concreta. Segundo a nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 98% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A projeção considera a possibilidade de a temperatura na região de referência do Pacífico ficar pelo menos 2 graus acima do normal.
A própria avaliação oficial, contudo, adverte que um El Niño mais intenso não produz automaticamente perdas mais graves. O efeito regional depende da interação entre oceano e atmosfera e da atuação de outros sistemas climáticos.
Entre esses fatores estão o Dipolo do Oceano Índico (IOD), o Modo Anular Sul (SAM), também chamado de Oscilação Antártica, e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Essas oscilações podem reforçar, deslocar ou reduzir os padrões normalmente associados ao El Niño. A condição do Atlântico também influencia a entrada de umidade no continente e a distribuição das precipitações no Brasil.
Na prática, isso significa que a classificação de “El Niño muito forte” não basta para orientar o plantio de uma propriedade. O produtor precisa acompanhar o comportamento regional das chuvas, o armazenamento de água no solo, a previsão para os dias seguintes e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
O escalonamento da semeadura, a utilização de cultivares com ciclos diferentes, a revisão da drenagem e a regulagem das máquinas ajudam a reduzir a exposição. No Centro-Norte, o cuidado é não confundir uma pancada isolada com o estabelecimento definitivo do período chuvoso. No Sul, a prioridade é aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em áreas excessivamente úmidas.
A nova temporada começa com perspectiva de outra colheita recorde, mas o volume final não será definido apenas pela força do El Niño. A combinação entre Pacífico, Atlântico, Oceano Índico e circulação atmosférica deverá produzir riscos diferentes entre regiões e até dentro de um mesmo Estado. Mais do que seguir um único indicador, o produtor terá de ajustar o calendário ao que efetivamente ocorrer em sua área.
Fonte: Pensar Agro
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