Agro
Mercado do trigo inicia 2026 com oscilações regionais e pressão da oferta global
Diferenças regionais marcam o comportamento do trigo brasileiro
O mercado brasileiro de trigo encerrou janeiro de 2026 com movimentos distintos entre os principais estados produtores, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Enquanto o Paraná registrou leve retração no acumulado do mês, o Rio Grande do Sul manteve trajetória de valorização, e Santa Catarina observou queda mais acentuada nos preços.
No Paraná, o preço médio do trigo fechou o dia 30 de janeiro a R$ 1.172,98 por tonelada, com alta diária de 0,12%, mas queda de 0,78% no mês. Já no Rio Grande do Sul, o valor foi de R$ 1.058,60 por tonelada, alta de 0,16% no dia e ganho acumulado de 1,20% em janeiro. Em Santa Catarina, o preço médio ficou em R$ 1.158,92/t, queda de 1,6% frente a dezembro e de expressivos 18,3% na comparação anual — o menor valor real desde março de 2018.
Em São Paulo, o trigo manteve valorização pelo terceiro mês consecutivo, cotado a R$ 1.257,25/t, alta de 0,4% no mês. Apesar disso, a comparação anual mostra queda de 19,9%, refletindo o impacto da maior oferta interna e do ritmo irregular das exportações.
Negociações lentas e expectativa de alta no Sul do país
De acordo com a TF Agroeconômica, as negociações no mercado de trigo seguem lentas no Sul do país, com moinhos bem abastecidos e ritmo de moagem reduzido.
No Rio Grande do Sul, as indústrias priorizam compras para março, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.200, mas a expectativa é de alta a partir de abril, especialmente para trigos de melhor qualidade, diante da limitação do produto argentino.
O estado também embarca dois navios de trigo por cabotagem para o Nordeste, totalizando 66 mil toneladas, reforçando a competitividade gaúcha. O preço ao produtor permanece em R$ 54,00 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente travado, com negócios restritos à venda de sementes. As pedidas estão em R$ 1.200 FOB para trigo-pão e R$ 1.300 para o tipo melhorador, valores ainda fora da realidade dos moinhos. A entrada de trigos do Rio Grande do Sul e do Paraguai pressiona os preços locais, e há discussões sobre redução de área plantada na próxima safra, com produtores avaliando migrar para o milho.
No Paraná, o cenário é de estabilidade e pouca movimentação. Os moinhos estão cobertos até fevereiro, com foco em entregas de março. O abastecimento ocorre principalmente com trigo paraguaio e gaúcho, mais competitivos. Ainda assim, três navios de trigo paranaense foram negociados por cabotagem para o Nordeste, destacando a qualidade superior do produto local nesta temporada.
Oferta global mantém pressão sobre os preços internacionais
No cenário externo, o trigo enfrenta ajuste técnico e ampla oferta global, fatores que reforçam a tendência de baixa observada também no Brasil.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos com entrega em março de 2026 caíram 1,90%, encerrando a US$ 5,27 ¾ por bushel, enquanto o vencimento de maio recuou 1,73%, a US$ 5,36 ½ por bushel.
O movimento foi influenciado pela valorização do dólar frente ao euro, que reduziu a competitividade do trigo norte-americano, e pela queda dos preços do petróleo, o que afetou o desempenho de commodities agrícolas. A presença de neve nas áreas produtoras dos Estados Unidos reduziu os riscos climáticos, enfraquecendo o suporte ao mercado.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as inspeções de exportação do país somaram 326,8 mil toneladas na semana encerrada em 29 de janeiro — volume inferior ao da semana anterior, mas superior ao do mesmo período de 2025. No acumulado do ano-safra, iniciado em junho, os embarques totalizam 16,68 milhões de toneladas, frente a 14,06 milhões na safra passada.
Na Europa, o trigo para moagem na Euronext de Paris também recuou 0,39%, fechando a 193,50 euros por tonelada. O câmbio e os estoques elevados limitaram a reação dos preços, mesmo com riscos climáticos pontuais na Ucrânia, onde cerca de 20% da área cultivada ainda carece de cobertura de neve.
Perspectivas e desafios para o setor tritícola
Especialistas apontam que o mercado global segue pressionado pela grande oferta internacional, pela competitividade do trigo russo e pela demanda enfraquecida, fatores que devem manter os preços voláteis no curto prazo.
No Brasil, a expectativa de redução na oferta interna a partir de fevereiro pode dar fôlego aos preços, especialmente para os trigos de melhor qualidade. Ainda assim, o setor enfrenta forte seletividade regional e necessidade de equilíbrio entre custos e rentabilidade.
A divergência entre os estados produtores, somada à variação cambial e às estratégias de comercialização, mostra que 2026 começou com desafios relevantes para produtores e moinhos, exigindo atenção redobrada às condições de mercado e à competitividade frente ao produto importado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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