Agro
Atividade econômica do Brasil cresce em novembro e mantém ritmo dentro do esperado, aponta Rabobank
Economia brasileira mantém trajetória positiva
A economia brasileira apresentou crescimento dentro do esperado em novembro de 2025, segundo o relatório “Atividade segue conforme o esperado”, publicado pelo RaboResearch (Rabobank). O estudo destaca que, após dois meses de retração, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,68% em relação a outubro, superando as projeções do mercado, que estimavam 0,4%. Na comparação anual, o indicador avançou 1,25%.
De acordo com o Rabobank, o desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelos setores de indústria e serviços, enquanto a agropecuária recuou 0,3% no mês. O resultado confirma o cenário de desaceleração moderada da economia, marcada pela combinação entre política monetária restritiva e medidas de estímulo à demanda, como pagamento de precatórios e liberações do FGTS.
Serviços registram leve queda após nove meses de alta
O setor de serviços, responsável por grande parte do PIB, caiu 0,1% em novembro, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de crescimento. Ainda assim, o setor permanece 20% acima do nível pré-pandemia e próximo de sua máxima histórica.
Entre as categorias, o destaque negativo ficou com transportes (-1,4%) e informática e comunicações (-0,7%), enquanto serviços profissionais e administrativos cresceram 1,3% no período. Para dezembro, o Rabobank projeta estabilidade no setor, com alta anual de 3,6%.
Varejo cresce pelo segundo mês seguido
As vendas no varejo restrito avançaram 1,0% em novembro, marcando o segundo mês consecutivo de alta, algo que não ocorria desde o início de 2025. O resultado superou as expectativas do mercado e reflete a resiliência do consumo interno, apoiado pelo crédito e pelo mercado de trabalho aquecido.
O varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado de alimentos, cresceu 0,7% no mês. O desempenho positivo foi generalizado, com destaque para itens de escritório e informática (+4,1%), móveis e eletrodomésticos (+2,3%) e materiais de construção (+0,8%). Para dezembro, a projeção do banco é de queda leve de 0,1% no varejo restrito e recuo de 1,0% no ampliado.
Política econômica e cenário internacional
No campo político, o relatório menciona a sanção do Orçamento de 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com vetos de cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares e bloqueio de R$ 11 bilhões adicionais. O orçamento totaliza R$ 6,54 trilhões, com destaque para investimentos em educação (R$ 233,7 bilhões) e saúde (R$ 271,3 bilhões).
No cenário externo, o Rabobank cita a manutenção de Jerome Powell à frente do Federal Reserve pelos Estados Unidos e a imposição de tarifas sobre semicondutores. Também destaca a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, considerado um marco histórico após 26 anos de negociações.
Câmbio e projeções econômicas
O dólar encerrou a semana cotado a R$ 5,37, representando leve depreciação de 0,1% do real. Mesmo diante das incertezas fiscais e geopolíticas, o Rabobank mantém a projeção de R$ 5,60 para o fim de 2026. A instituição também estima inflação (IPCA) de 4,3% em 2025 e 4,2% em 2026, com crescimento do PIB de 2,2% e 1,6%, respectivamente.
Perspectivas
Segundo o relatório, a economia deve continuar crescendo de forma moderada, sustentada por estímulos fiscais e pelo mercado de trabalho robusto, mas com efeitos defasados da política monetária ainda limitando a expansão. A expectativa é que setores sensíveis ao crédito, como veículos e eletrodomésticos, sigam reagindo positivamente nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro
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