Agro
Arroz em casca sobe mais de 11% em março no RS, mas mercado segue travado e sem garantir rentabilidade
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresentou valorização expressiva em março, mas sem reflexos significativos na fluidez das negociações. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que as cotações subiram mais de 11% em relação ao fechamento de fevereiro.
Apesar do movimento de alta e da demanda considerada firme, o ritmo de comercialização permaneceu lento ao longo de todo o mês, refletindo a cautela dos agentes e a insatisfação dos produtores com os níveis de preços.
Liquidez segue restrita mesmo com valorização
Segundo o Cepea, a liquidez no mercado foi limitada em março. A retração dos produtores esteve entre os principais fatores que impactaram as negociações, motivada pelo descompasso entre os preços praticados e os custos de produção.
Diante desse cenário, as operações ocorreram de forma pontual e com volumes reduzidos, evidenciando um mercado travado mesmo com a recuperação nas cotações.
Rentabilidade ainda é insuficiente
Apesar da alta registrada no período, os preços do arroz em casca ainda permanecem abaixo do patamar necessário para garantir a rentabilidade do produtor.
Pesquisadores do Cepea destacam que o atual nível de preços não cobre adequadamente os custos, o que mantém o setor em alerta e limita a disposição para vendas mais consistentes.
Colheita avança e reduz participação no mercado spot
A redução das chuvas no estado favoreceu o avanço da colheita ao longo de março, o que também contribuiu para o afastamento dos produtores do mercado spot.
Com foco nas atividades no campo, muitos agentes deixaram de negociar, enquanto apenas aqueles com maior necessidade de caixa se mantiveram ativos, ainda que comercializando volumes reduzidos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa
Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).
Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.
A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.
Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.
Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.
Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.
“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.
No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.
Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.
No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.
A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.
O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.
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