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Alunos criam “Canteiro de Africanidades” para aprender sobre cultura afro-brasileira

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No Colégio Estadual Dom Orione, em Curitiba, os estudantes aprendem sobre a história e cultura afro-brasileira de um jeito diferente, fora dos limites tradicionais da sala de aula. A troca de conhecimentos se dá por meio do “Canteiro de Africanidades”, uma horta destinada ao cultivo de produtos de origem africana, como café, melancia, lavanda e guiné.

Construído no alto de um barranco dentro da escola, o canteiro é acessado por uma escada aberta na própria terra pelos alunos. A escolha do local é simbólica, representando a relação das africanidades com o sol e a natureza.

Conforme explica o professor de Filosofia e Sociologia do colégio, Jeferson da Costa Vaz, que coordena o projeto, as atividades acontecem no contraturno escolar e envolvem o cuidado diário com as plantas, algumas delas tradicionalmente usadas para fins alimentares e medicinais.

O objetivo, segundo o docente, é trabalhar na prática as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas nas escolas brasileiras. Por isso, para ele, o projeto vai além do cultivo de alimentos. “Quando conseguimos levar a história e a cultura afro-brasileira e indígena para outros campos do conhecimento, percebemos o quanto essas culturas estão presentes no nosso cotidiano, muitas vezes de forma invisibilizada”, destaca.

A proposta busca valorizar costumes que fazem parte da vida da população brasileira e que só existem graças às contribuições desses povos. “É uma forma de conscientizar, de mostrar que é possível produzir alimento e pensar o mundo, o meio ambiente e os ecossistemas de outras maneiras. O aluno vivencia isso na prática. A ideia do Canteiro de Africanidades é reconhecer que há cultura africana em todo lugar, no café do dia a dia, na melancia que muitos gostam sem saber de onde veio”, explica o professor.

Para o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, projetos como o “Canteiro de Africanidades” evidenciam a inovação e a criatividade da educação do Paraná. “A escola pública tem o potencial de transformar o ensino e a vida da comunidade. É isso que esse projeto faz ao integrar e estimular a educação étnico-racial, a aprendizagem prática, o respeito à diversidade e o protagonismo dos estudantes”, afirma.

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ALUNOS ENGAJADOS – O engajamento dos alunos é um dos pontos fortes da iniciativa. De acordo com os estudantes do 2º ano do Ensino Médio Enzo Fidelis e Gabriela Woss, ambos de 16 anos, toda a escola se envolve com o projeto. “É muito interessante, porque hoje a maioria das pessoas está tão desconectada da natureza. Plantar não é só cultivar algo, é lidar com memória, cultura e história de um povo”, comenta Enzo. “Eu, por exemplo, plantei o limoeiro que tem aqui na escola, e isso é muito especial para mim”, conta Gabriela.

A ideia do canteiro surgiu a partir de um trabalho do estudante Eduardo Rogerio Begge, hoje no 3º ano do Ensino Médio, desenvolvido na disciplina de Projeto de Vida. O objetivo era gerar impacto positivo na comunidade escolar. “O que mais gosto, além do ambiente que estamos criando para o futuro, é o envolvimento das turmas. Cada um ajudou como pôde, com doação de mudas, trabalho voluntário ou divulgação do projeto à comunidade.”

As plantas cultivadas também se tornam objetos de estudo. “Elas nos permitem refletir sobre a herança deixada por esses povos e como isso nos afeta atualmente. Além de alimentos frescos, aprendemos sobre o cuidado com os espaços verdes e sobre a necessidade de construir um planeta mais sustentável”, completa Eduardo.

AGROFLORESTA – O projeto também se estende para a criação de uma agrofloresta escolar, com o plantio de árvores e hortaliças, como pés de citronela, pitangueira, boldo e cerejeira-do-mato.

A proposta é que o sistema se retroalimente de maneira natural, seguindo os conhecimentos dos povos originários. Ao se decompor, a vegetação que cai das árvores nutre o solo e permite o cultivo de alimentos sem devastação, dispensando adubos sintéticos. Além disso, a grama e o mato cortados em outros espaços da escola são reaproveitados como cobertura do solo, ajudando a manter a umidade e a enriquecer a terra.

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Para o futuro, o professor Jeferson tem muitos planos. Entre os próximos passos do projeto estão a expansão do espaço, com a criação de outros canteiros ao longo do barranco, o plantio de novas espécies, como samambaia e espada-de-são-jorge, além de melhorias estruturais. A ideia é pintar o muro com grafites coloridos e instalar placas de identificação das plantas, que permitirão o acesso a informações nutricionais, científicas, históricas e culturais sobre cada espécie.

Para ele, a escola é um espaço fundamental para o enfrentamento do preconceito. “O caminho é sempre pela educação, pelo conhecimento que liberta. É na escola que começamos a entender as diferenças e a conviver com outras realidades, costumes e tradições. Com ações contínuas e diárias, conseguimos combater aos poucos o preconceito.”

EDUCAÇÃO INCLUSIVA – A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) tem desenvolvido diversas ações voltadas à educação étnico-racial, como a formação continuada de professores, técnicos e funcionários escolares, produção de materiais educativos, campanhas de autodeclaração dos estudantes e a criação do Selo Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) Enedina Alves Marques, cujo objetivo é valorizar projetos que promovam a cultura afro-brasileira, indígena e quilombola no ambiente escolar.

“É fundamental trazer essas discussões para dentro das escolas, porque elas são o reflexo da sociedade. Projetos como esse são ainda mais importantes quando acontecem de forma contínua e não pontual”, destaca Galindo Pedro Ramos, professor e técnico pedagógico na Coordenação de Diversidade e Direitos Humanos do Departamento de Educação Inclusiva da Seed-PR.

Fonte: Governo PR

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Clubes de protagonismo incentivam autonomia e criatividade de alunos na rede estadual

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Estudantes mais responsáveis, criativos e comunicativos. Esse é o resultado observado por diretores, professores e pais de alunos que participam de clubes de protagonismo, iniciativa presente nas escolas do Programa Paraná Integral, da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).

Os clubes de protagonismo são espaços de aprendizagem e socialização propostos e coordenados pelos próprios estudantes, que se reúnem em momentos de lazer, integração e compartilhamento de interesses. Esportes, leitura, culinária, música, artesanato, jogos matemáticos, unhas e penteados, miçangas e dobraduras são só alguns exemplos de temáticas de clubinhos encontrados em diferentes regiões do Estado, nas escolas estaduais que ofertam a Educação em Tempo Integral.

Conforme o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, um dos objetivos do clube é permitir que o estudante esteja no centro da própria aprendizagem. “O clube de protagonismo é um espaço onde o estudante pode desenvolver a própria autonomia e compartilhar interesses que possui em comum com os colegas fora de sala de aula, fazendo com que todos os momentos dentro da escola tenham caráter pedagógico. A ideia é que o aluno se torne protagonista do próprio desenvolvimento, e, de fato, temos visto jovens criarem mais liderança, responsabilidade e criatividade por meio dos clubes”, afirma.

Organizados pelos próprios alunos, com apoio das equipes pedagógicas, os clubes de protagonismo se reúnem em espaços específicos das escolas, como quadras esportivas e laboratórios de informática. As reuniões ocorrem após o horário de almoço dos estudantes, que permanecem na escola durante o turno Integral.

AUTONOMIA E PERTENCIMENTO – O incentivo à autonomia e ao protagonismo juvenil é um dos diferenciais do Programa Paraná Integral. Em componentes curriculares como Projeto de Vida, por exemplo, os estudantes são incentivados a estabelecer metas e definir sonhos pessoais e profissionais.

A partir desse levantamento, professores e gestão escolar identificam áreas de interesse comum ou individual dos estudantes, o que pode dar origem a clubes de protagonismo. Na maior parte dos casos, a ideia parte dos próprios alunos, que podem sugerir a criação de novos clubes a qualquer momento. Os proponentes devem elaborar um plano de ação que, após aprovação da respectiva equipe pedagógica responsável, norteará as atividades do clube.

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“Os clubes de protagonismo têm o objetivo de valorizar as habilidades que os estudantes possuem, e que, ao mesmo tempo, desejam compartilhar com os demais colegas, para que também desenvolvam essas habilidades. Por isso, o clube de protagonismo deve partir, sempre, do interesse do estudante, tendo o acompanhamento da equipe pedagógica como apoio”, explica a coordenadora do Programa Paraná Integral, Marytta Rennó.

NA PRÁTICA – Na Escola Estadual Carlírio Gomes dos Santos, em Santa Amélia, no Norte Pioneiro, estudantes organizaram um clube de Jogos Matemáticos, com o objetivo de ajudar colegas que apresentavam dificuldade no componente.

Hoje, a iniciativa conta com dez alunos de diferentes séries, que se reúnem duas vezes por semana para resolver problemas e disputar jogos de mesa, com foco no desenvolvimento de habilidades de concentração e raciocínio lógico.

“O clube funciona no intuito de auxiliar e realçar a aprendizagem que nossos professores de Matemática nos passam. Temos jogos de tabuleiro, atividades práticas e listas de exercícios”, conta o estudante Lucas Emanuel Pereira de Almeida, 13 anos, aluno líder do clube. “Enquanto estudante, o clube contribuiu para o desenvolvimento do meu raciocínio lógico e da minha socialização, porque eu tinha muita vergonha de falar na frente dos colegas e explicar as matérias”, acrescenta.

Os membros do clube chegaram a fabricar os próprios jogos matemáticos de tabuleiro, e foram convidados a apresentar os resultados do trabalho na Feira de Inovação e Protagonismo Estudantil (Fipe), evento sediado em Foz do Iguaçu, no Oeste, em setembro do ano passado.

Além do clube de Jogos Matemáticos, estudantes da Escola Estadual Carlírio Gomes dos Santos mantêm clubinhos de Leitura, Beleza, Cinema e Futsal, que, se somados, mobilizam cerca de 80 estudantes.

A diretora da escola, Paula Pagliaci, aponta que a presença dos clubes de protagonismo traz benefícios para toda a comunidade escolar. “Os clubes de protagonismos contribuem para a melhoria do clima escolar, da convivência e das relações interpessoais. As atividades promovem integração entre os alunos, incentivam a participação ativa, o respeito, a cooperação e o senso de pertencimento. Além disso, proporcionam um ambiente acolhedor e organizado no período do almoço, favorecendo o desenvolvimento integral dos estudantes”, relatou.

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O mesmo ocorre no Colégio Estadual Nossa Senhora da Conceição, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Estudantes do Ensino Fundamental mantêm os clubes Miçangas e Dobraduras, Pé de Vento – focado na prática do futsal – e Shadowcraft, no qual os alunos praticam o jogo eletrônico Minecraft.

“A participação no clube de protagonismo torna os estudantes mais proativos, independentes e autônomos. Ao participarem das atividades, eles passam a compreender melhor suas responsabilidades e seu papel dentro do ambiente escolar”, disse a diretora da escola, Lozangela Calado.

Segundo ela, com o sucesso dos clubes de protagonismo, outros grupos de alunos estão se mobilizando para a criação de novos clubinhos na escola, já a partir das próximas semanas.

“Quando os demais alunos observam o envolvimento e a participação ativa dos estudantes protagonistas, desperta-se um sentimento de pertencimento e motivação para também participarem mais da rotina escolar. Quanto maior o engajamento dos protagonistas, maior tende a ser o envolvimento dos demais colegas”, finalizou.

PROGRAMA PARANÁ INTEGRAL – O Programa Paraná Integral (PPI) é uma iniciativa da Seed-PR que visa ampliar a jornada escolar, proporcionando aos alunos maior aprendizado e desenvolvimento. Ao todo, 485 escolas estaduais integram o PPI atendendo mais de 99 mil estudantes paranaenses com a Educação em Tempo Integral, modelo que cresceu 500% em seis anos – em 2020, eram apenas 82 escolas e cerca de 15 mil alunos matriculados.

A Educação em Tempo Integral se diferencia pela ampliação do tempo de permanência dos estudantes na escola, com jornadas que variam entre 35 e 45 horas semanais. O modelo permite o desenvolvimento de atividades complementares acadêmicas, culturais, esportivas e socioemocionais. Além disso, as escolas do PPI aliam os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a unidades curriculares diversificadas, que podem ser ofertadas de forma obrigatória ou eletiva (opcional).

A ampliação da jornada também impacta a rotina de alimentação escolar. Por permanecerem mais tempo na escola, os estudantes da Educação em Tempo Integral recebem cinco refeições gratuitas ao longo do dia, incluindo café da manhã, almoço e lanches nos intervalos.

Fonte: Governo PR

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