Paraná
Alimentação escolar no Paraná alia tradições, pesquisa e segurança nutricional
Tendo em vista atender a preservação das tradições alimentares das comunidades escolares espalhadas pelo Paraná, o Governo do Estado adota políticas públicas que observam a manutenção destas práticas, também quando o assunto é a merenda. Para tanto, garantir a oferta de ingredientes que componham a base alimentar destas comunidades é fundamental. Como é o caso da banha suína que, na culinária indígena, integra a lógica tradicional de aproveitamento integral dos alimentos e de autonomia alimentar.
O ingrediente, viabilizado por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), é um dos que fazem parte dos itens ofertados pelo Governo do Estado às escolas indígenas, e a demanda pelo produto segue crescente.
Somente em 2025, por exemplo, foram distribuídas cerca de 15 toneladas do produto às unidades escolares, volume quase duas vezes maior do que o registrado no início do atendimento, em 2019, em razão da alta aceitabilidade e do uso regular do ingrediente pelas comunidades atendidas.
A iniciativa integra a política estadual de alimentação escolar e está alinhada ao compromisso do Paraná com o respeito aos hábitos culturais e alimentares de povos e comunidades tradicionais, sem abrir mão da segurança alimentar e nutricional dos estudantes. Atualmente, 62 escolas indígenas e quilombolas são atendidas, oferecendo aproximadamente 9.800 servimentos.
Para a diretora-presidente da Fundepar, Eliane Teruel Carmona, o cardápio escolar vai além da oferta de refeições. “No Paraná, a alimentação escolar é pensada como parte do processo educativo. Respeitar a cultura alimentar das comunidades também é uma forma de promover educação e garantir uma nutrição adequada, que contribui diretamente para a aprendizagem e para o futuro dos estudantes”, afirma.
ESTUDO APROFUNDADO – Como respaldo técnico da iniciativa, o Fundepar fez uma pesquisa voltada à cultura alimentar indígena, que analisou, entre outros aspectos, a preferência das comunidades pelo uso da banha suína em comparação ao óleo vegetal. O levantamento confirmou práticas já observadas no cotidiano das escolas e fundamentou a inclusão do ingrediente no cardápio destinado a esse público.
A oferta da banha suína é resultado de um processo desenvolvido ao longo do tempo. Segundo a responsável técnica pela execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na Fundepar, Andréa Bruginski, a demanda já era percebida de forma recorrente junto às comunidades, ainda que inicialmente sem registros formais. “A gente sabia empiricamente que a banha era um pleito que aparecia em diferentes momentos e lugares, mesmo sem um pedido oficial estruturado”, afirma.
Por meio do estudo junto às comunidades escolares, ficou evidente a relação do ingrediente com práticas alimentares tradicionais. Entre os povos indígenas, há preparações típicas que utilizam exclusivamente a banha suína, como o tipá, uma massa semelhante a um pão, frita nesse tipo de gordura.
Além disso, a preferência pela carne suína e pelo uso da banha está também associada a hábitos históricos, anteriores à introdução de óleos industrializados na alimentação cotidiana. “A banha é uma gordura tradicional, obtida de forma natural, enquanto o óleo é um produto mais recente e industrializado”, diz Andréa.
Inicialmente destinada às escolas indígenas, a oferta foi posteriormente estendida às escolas quilombolas. A ampliação ocorreu a partir do diálogo com a comunidade escolar, quando uma diretora de escola quilombola, integrante do Conselho de Alimentação Escolar, identificou que o hábito alimentar também estava presente nessas comunidades. Atualmente, duas escolas quilombolas são atendidas pela política, em Adrianópolis e Palmas.
SAÚDE ALIMENTAR – A política está alinhada às diretrizes do PNAE, que estabelece como requisito a oferta de alimentação saudável e adequada, respeitando os hábitos alimentares e as tradições culturais dos estudantes.
“Respeitar o hábito alimentar não é um complemento, é um requisito. Quando falamos em hábitos alimentares, falamos também de cultura, de tradição e de identidade. Por isso, o respeito às especificidades culturais é uma base da política pública de alimentação escolar, especialmente no atendimento a povos e comunidades tradicionais”, destaca Andrea.
A pesquisa sobre a cultura alimentar das comunidades indígenas foi feita em 2017 e orientou a adoção da política. A partir desse levantamento, a banha suína passou a integrar o cardápio das escolas indígenas e, posteriormente, das escolas quilombolas.
Ainda de acordo com a responsável técnica, a banha suína integra as remessas de alimentos não perecíveis, distribuídas a partir de uma central logística da Fundepar. Há uma pauta específica para o envio de gêneros alimentícios às escolas indígenas e quilombolas, o que permite destinar o produto exclusivamente a essas unidades, respeitando suas particularidades alimentares.
“A banha suína, quando utilizada de forma equilibrada, pode ser uma alternativa mais natural em relação a gorduras vegetais altamente processadas. Trata-se de uma gordura tradicional, menos industrializada, que faz parte da alimentação histórica dessas comunidades”, acrescenta.
INVESTIMENTO PARANAENSE – O Governo do Paraná investe mais de R$ 500 milhões por ano na alimentação escolar. O Estado garante o direito à alimentação de cerca de 1,3 milhão de estudantes em 2.088 escolas, com cardápios variados que valorizam ingredientes locais e preservam tradições regionais.
Além do volume de investimento, o Paraná se destaca por práticas inovadoras na gestão da alimentação escolar. Um diferencial é o sistema centralizado de compras, no qual o próprio Governo do Estado adquire os alimentos e promove a distribuição às escolas. Nesse modelo, a alimentação é calculada por servimento, o que permite que os estudantes repitam as refeições.
Fonte: Governo PR
Paraná
Após conclusão da ponte, Guaratuba vai ganhar complexo náutico na área do ferry boat
Com a inauguração e liberação do trânsito na Ponte de Guaratuba em poucos dias, o Governo do Estado já trabalha para garantir um uso adequado dos antigos espaços ocupados pela estrutura do ferry boat. A maior novidade é a construção de um complexo náutico ao lado do acesso da região central da cidade, que passará por uma revitalização completa.
A mudança marca uma nova fase para uma das regiões mais simbólicas de Guaratuba, que por décadas concentrou o fluxo de veículos e passageiros na travessia da baía. Com o avanço da infraestrutura no Litoral, o espaço antes dedicado ao transporte passa a ganhar uma nova função, ampliando o potencial econômico e turístico da cidade.
A previsão é que as obras tenham início a partir de 2027 por meio de um contrato de concessão do terreno à iniciativa privada. O prazo de execução é de até cinco anos, mas ele poderá ser antecipado pela futura concessionária a ser contratada.
O projeto já vem sendo trabalhado pela Secretaria do Estado do Planejamento (Sepl) há cerca de seis meses. Ele prevê a construção de um complexo com cerca de 12 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados – que inclui o atual canteiro de obras da ponte –, com a maior parte destinada ao uso público.
A marina, principal estrutura do empreendimento, contará com 303 vagas molhadas (para embarcações atracadas na baía) e 400 vagas secas (para embarcações alocadas internamente). Também está previsto estacionamento para 208 veículos, espaços de convivência, lazer e serviços, incluindo restaurantes, lojas e estrutura para eventos.
O investimento será de aproximadamente R$ 100 milhões, por meio da cessão do terreno para a instalação do futuro complexo. As obras deverão ser custeadas pela concessionária do espaço, a ser definida via processo licitatório. Também caberá à empresa vencedora a manutenção do local pelo período do contrato, com duração de 30 anos.
A licitação será feita na modalidade de concorrência pública, o que deve gerar uma economia de R$ 20 milhões para o Estado ao longo das três décadas, segundo os estudos da Sepl, além de garantir maior competitividade entre os interessados. Após a conclusão do projeto, o processo de concessão e a fiscalização do contrato serão conduzidos pela Secretaria da Infraestrutura e Logística (Seil), já que as áreas do ferry boat pertencem ao Estado e são administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).
Durante a obra, está prevista a geração de cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, o que deve injetar aproximadamente R$ 100 milhões em salários na economia local. Já na fase de operação, outros 695 postos de trabalho devem ser criados de forma direta e indireta.
PRÓXIMOS DIAS DO FERRY BOAT – A desmobilização do sistema atual será feita de forma gradual, garantindo uma transição segura entre os dois modelos de travessia.
Segundo o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, Fernando Furiatti, a estrutura do ferry boat será mantida temporariamente para assegurar o atendimento à população durante o período de adaptação. “As duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte. Finalizada essa parte, vamos ter uma revitalização tanto do lado que dá acesso a Matinhos quanto do lado de Guaratuba”, afirmou.
Ele destacou que está prevista uma requalificação completa dos espaços, evitando o abandono deles após o fim da operação. “Do lado de Guaratuba teremos uma marina, área de convívio, espaços reservados ao setor privado e outros abertos ao público. Enfim, uma revitalização completa em ambos os lados da ponte”, acrescentou Furiatti.
MODELO DE CONCESSÃO – Dentro dessa estratégia de requalificação e atração de investimentos, o projeto foi estruturado para viabilizar a participação da iniciativa privada, por meio de um modelo de concessão. A modelagem é conduzida pela Secretaria de Estado do Planejamento, por meio do programa de parcerias.
De acordo com o chefe da Unidade Gestora do Programa de Parcerias do Paraná, Luiz Moraes Júnior, a iniciativa surgiu da necessidade de dar uma nova destinação a uma área estratégica da cidade. “Com a construção da ponte, o governo entendeu que o espaço onde hoje funcionava o ferry boat deveria ter uma nova utilidade. A partir daí começamos a planejar um complexo náutico que aproveitasse esse potencial”, explicou.
Ele ressaltou que a proposta vai além da marina e busca criar um novo ponto de referência no litoral paranaense. “Estamos pensando em um espaço que sirva para a comunidade e também para os turistas. Será uma orla pública com ciclovia, pista de caminhada, espaço pet, além de restaurantes, bares e lojas. Um ambiente amplo, como um grande espaço aberto de convivência”, disse.
A estrutura também deve atender a uma demanda antiga da região por infraestrutura náutica. “Hoje há uma procura grande por vagas para embarcações e falta estrutura adequada. O projeto vai permitir que moradores e visitantes utilizem melhor a baía de Guaratuba”, afirmou Moraes Júnior.
Além do uso turístico e comercial, o complexo prevê espaços públicos e de apoio a serviços essenciais. Estão previstos pontos para atuação do Corpo de Bombeiros, acessos para pescadores e moradores à baía de Guaratuba, além da possibilidade de uso por instituições como a Marinha do Brasil. Também está prevista a implantação de uma área para pequenos eventos públicos e privados, ampliando as possibilidades de uso ao longo do ano.
Como bem público, o complexo terá uma ampla área de livre circulação, reforçando a integração com a cidade e garantindo acesso democrático à nova estrutura, mesmo com a presença de empreendimentos comerciais.
PRÓXIMAS ETAPAS – O projeto já teve suas diretrizes aprovadas e agora avança para a fase externa, com a abertura de consulta pública e a realização de audiência em Guaratuba. A proposta é permitir a participação da população e de investidores interessados, possibilitando ajustes antes da versão final.
As contribuições devem ocorrer ao longo de um período de 30 dias, dentro de um cronograma que também prevê sondagem de mercado. Após essa etapa, o processo ainda passará por autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), até a publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026.
A modelagem contou com estudos apresentados por empresas por meio de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), mecanismo que permite ao setor privado colaborar com levantamentos técnicos, análises de viabilidade e propostas de estruturação.
“Agora entramos em uma fase de escuta. Vamos abrir o projeto para contribuições e, a partir disso, consolidar uma versão final mais robusta”, explicou Moraes Júnior.
IMPACTO LOCAL – A iniciativa também é vista com otimismo pela administração municipal, que acompanha o avanço do processo e seus impactos diretos na cidade. Segundo o prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, o complexo representa uma oportunidade de dar uma nova destinação a uma região estratégica que perderá sua função original com a conclusão da ponte.
“É uma iniciativa que aproveita uma área que, depois da construção da ponte, ficaria ociosa, porque ali é onde funciona atualmente o canteiro de obras e a estrutura de apoio ao ferry boat. É uma oportunidade de transformar este espaço em algo moderno e funcional”, afirmou o prefeito.
A expectativa da Prefeitura de Guaratuba é de que a implantação contribua diretamente na atração de turistas para a cidade. “É de nosso interesse que o comércio local, a rede hoteleira e os serviços em geral sejam movimentados até em épocas de baixa temporada, dessa forma a população terá estabilidade durante o ano todo”, acrescentou Lense.
Fonte: Governo PR
-
Agro7 dias agoIPCF sobe em março e indica piora no poder de compra de fertilizantes para o produtor rural
-
Esportes6 dias agoCorinthians vence Santa Fe e domina Grupo E da Libertadores
-
Esportes6 dias agoFluminense perde de virada para Independiente Rivadavia e se complica na Libertadores
-
Agro7 dias agoAbertura da Colheita da Oliva no RS estreia feira focada em negócios e inovação
-
Polícial7 dias agoPCPR cumpre buscas contra clínica de estética ilegal em Ponta Grossa
-
Paraná6 dias agoNova atualização do Monitor de Secas aponta para continuidade da estiagem no Paraná
-
Paraná7 dias agoPrograma Paraná Produtivo: curso de gestão territorial já tem mais de 900 inscritos
-
Polícial6 dias agoPRF escolta mulher em trabalho de parto até maternidade no Paraná
