Agro
Agrovino 2026 movimenta R$ 1,416 milhão e reforça posição nacional da ovinocultura
A 18ª Agrovino, realizada entre 13 e 17 de janeiro no Parque de Exposições Visconde Ribeiro de Magalhães, em Bagé (RS), fechou com R$ 1,416 milhão em negócios, registrando um crescimento de 23,13% em relação à edição de 2025, que movimentou R$ 1,15 milhão.
O evento reuniu 666 animais de 120 expositores de ovinos, representando 60 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de promover cinco remates, julgamentos, concursos gastronômicos, exposições nacionais de raças e atividades técnicas.
Crescimento histórico e consolidação da Agrovino
O presidente da Associação Bageense de Criadores de Ovinos (Abaco), Gustavo Velloso, destacou o avanço da feira desde sua primeira edição em 2007, quando o faturamento total foi de aproximadamente R$ 30 mil.
“Foi um trabalho formiguinha, que muitas vezes não era visto nem no município, nem no Estado, mas que se consolidou ao longo dos anos”, afirmou Velloso.
Ele ressaltou que o público recorde e os pavilhões lotados refletem o crescimento contínuo do evento e atraem criadores estrangeiros da Argentina e do Uruguai, ampliando a visibilidade internacional da feira.
Resultados técnicos e comerciais fortalecem o setor
Segundo Velloso, os números da 18ª edição confirmam que a Agrovino alcançou um novo patamar de relevância nacional, tanto tecnicamente quanto comercialmente.
“Hoje a Agrovino é uma feira que se impôs com genética de primeira linha em nível de Brasil. Tivemos duas exposições nacionais dentro do evento, reforçando nosso posicionamento”, explicou.
O dirigente enfatizou ainda o papel estratégico do evento para a cadeia produtiva:
“A ovinocultura do Rio Grande do Sul encontra aqui um espaço que funciona como uma ante-sala de Esteio, reunindo genética, negócios e troca de conhecimento”.
Parcerias e organização como pilares do sucesso
A Agrovino 2026 foi promovida pela Abaco, em parceria com a Associação e Sindicato Rural de Bagé, e contou com patrocínio de Fundovinos, Secretaria da Agricultura do RS, Sicredi, Senar e Paramount Têxteis. O evento também recebeu apoio de Arco, Emater, Embrapa, Prefeitura de Bagé, New Life e do 3º Batalhão de Operações de Combate Mecanizado do Exército Brasileiro.
Velloso destacou a importância da equipe organizadora e dos parceiros para o sucesso da feira:
“Nada disso se constrói sozinho. Esse resultado é fruto do esforço dos criadores, dos parceiros e de uma equipe que já começa a trabalhar na próxima edição praticamente quando esta ainda não terminou”, afirmou.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro
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