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Agronegócio brasileiro é massacrado em audiência nos EUA sobre práticas comerciais

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Foi um verdadeiro massacre a audiência pública realizada ontem (03.09), em Washington, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O que deveria ser um palco de negociações amistosas entre parceiros comerciais, se transformou em um palco de duras críticas (a maioria infundadas e até absurdas) contra o agronegócio brasileiro.

Associações de produtores rurais americanos acusaram o Brasil de práticas desleais, protecionismo e descumprimento de regras internacionais, enquanto pediram ao governo norte-americano a adoção de sanções. Conduzido pelo USTR (Representante Comercial dos EUA), o processo pode resultar em retaliações unilaterais, ampliando as tensões entre as duas maiores potências agrícolas do continente.

Acusações contra o Brasil

Diversas associações de produtores rurais norte-americanos protocolaram documentos atacando diretamente o modelo de produção agrícola brasileiro:

  • Carne suína: o National Pork Producers Council (NPPC) acusou o Brasil de manter uma “proibição de fato” contra a carne suína americana, sob alegações sanitárias “sem respaldo científico”. O grupo pediu ao governo Biden a remoção imediata dessas barreiras.

  • Carne bovina: a National Cattlemen’s Beef Association afirmou que o Brasil impôs inúmeras restrições não tarifárias que reduziram as exportações americanas a valores considerados “insignificantes” (apenas US$ 424 mil até junho deste ano). A entidade pediu inclusive a suspensão total da importação de carne bovina brasileira até que o país comprove equivalência sanitária. A U.S. Cattlemen’s Association (USCA) — Associação dos Pecuaristas de Gado de Corte dos Estados Unidos acusou nosso país, inclusive, de trabalho infantil nas fazendas.

  • Milho e etanol: a Nebraska Corn Growers Association criticou tarifas brasileiras sobre o etanol e acusou o Brasil de “ameaça perigosa” à competitividade americana, associando a produção nacional ao desmatamento e a emissões de carbono.

  • Algodão: o National Cotton Council destacou que o Brasil estaria praticando preços abaixo do mercado internacional, impulsionado pela expansão de áreas agrícolas sobre vegetação nativa do Cerrado.

  • Questão ambiental: várias entidades insistiram em relacionar a competitividade brasileira ao desmatamento ilegal e ao suposto descumprimento de compromissos internacionais em matéria de meio ambiente e segurança alimentar.

  • Segurança sanitária: o Ranchers-Cattlemen Action Legal Fund foi além e acusou o Brasil de ter “histórico sórdido” em notificações de doenças e em corrupção ligada ao setor frigorífico.

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No conjunto, as críticas miram tanto barreiras sanitárias e tributárias impostas pelo Brasil aos produtos americanos quanto a expansão do agro brasileiro em áreas sensíveis, apontada como fator de desequilíbrio no comércio internacional.

A defesa da CNA

Na mesma audiência, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) contestou as acusações. A entidade lembrou que o país segue padrões internacionais rigorosos, citando o Código Florestal como exemplo:

  • Legislação ambiental: segundo a CNA, 66% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, sendo metade dentro de propriedades privadas. “O crescimento do agro ocorreu dentro da lei e com preservação ambiental”, afirmou Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais.

  • Tarifas e comércio: a CNA destacou que apenas 5,5% das exportações agropecuárias brasileiras se beneficiam de tarifas preferenciais, enquanto mais de 90% das importações seguem o princípio da Nação Mais Favorecida, beneficiando inclusive os EUA.

  • Etanol: em 2024, o Brasil importou dos Estados Unidos 17 vezes mais etanol do que da Índia, reforçando que não há fechamento de mercado.

  • Segurança alimentar: a entidade reiterou que os produtores brasileiros atuam sob normas de conformidade, garantindo qualidade e transparência aos consumidores internacionais.

  • Parceria econômica: o discurso enfatizou que o agro brasileiro não é adversário, mas parceiro. Em 2024, o Brasil importou mais de US$ 1,1 bilhão em fertilizantes, máquinas agrícolas e sementes dos EUA.

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O que está em jogo

A Seção 301 é um mecanismo forte: permite ao governo norte-americano aplicar sanções comerciais de forma unilateral, sem esperar uma decisão da OMC. Por isso, as acusações americanas contra o Brasil ganham peso político.

Para o agro brasileiro, a preocupação é dupla: de um lado, a possibilidade de novas barreiras comerciais; de outro, os reflexos na imagem do setor em debates internacionais, especialmente nos temas ambientais.

A CNA aposta em reforçar a narrativa de que a competitividade do país resulta de condições naturais, tecnologia e inovação, e não de práticas desleais. O desafio, agora, é manter o diálogo aberto para evitar que as divergências se transformem em sanções que prejudiquem produtores e exportadores dos dois lados.

Fonte: Pensar Agro

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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