Política Nacional
Agenda da Indústria critica escala 6×1 e defende acordo com União Europeia
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou na terça-feira (24), em sessão solene do Congresso, a Agenda Legislativa da Indústria de 2026. O documento reúne 135 proposições em tramitação e traz o posicionamento do setor sobre cada uma, com destaque para as propostas de redução da jornada de trabalho, do marco legal da política industrial e da nova Lei Geral de Concessões.
Do total, 60% das propostas contam com apoio da indústria, enquanto 40% enfrentam algum grau de divergência. A entidade também destaca 15 projetos prioritários, a chamada “pauta mínima”, que abrange temas trabalhistas, tributários, de comércio exterior, infraestrutura e inovação.
A CNI aponta propostas incluídas na Agenda Legislativa de 2025 que avançaram no Congresso, como a Lei Geral de Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021) e a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (PLP 108/2024). A entidade informa ainda que mantém diálogo com o Executivo e com o Judiciário para alinhar posições e buscar consenso em torno de metas fiscais e políticas econômicas.
Redução da jornada
A redução da jornada de trabalho é um dos principais pontos de divergência entre o setor industrial e propostas em análise no Congresso. Na Agenda Legislativa deste ano, a CNI cita as diversas propostas que pretendem diminuir a jornada de trabalho de 44 horas semanais e acabar com a chamada escala 6×1: as propostas de emenda à Constituição (PECs) 221/2019, 148/2015, 4/2025 e 8/2025.
A entidade afirma que as matérias “representam um risco significativo à competitividade do país, à sustentabilidade dos negócios, à geração de empregos formais e à produtividade”. A CNI defende que o tema seja debatido com mais profundidade antes de qualquer deliberação.
Parlamentares também manifestaram preocupação com os impactos econômicos da medida. O deputado e ex-senador Sergio Souza (MDB-PR), que presidiu a sessão, afirmou que o impacto cairia sobre o consumidor.
— Eu não consigo enxergar em momento algum se haverá para o trabalhador algum ganho. Mas eu tenho absoluta certeza de que haverá para o consumidor um aumento de custo — disse.
A avaliação é compartilhada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, que destacou a necessidade de cautela.
— Como nós podemos discutir um assunto tão importante, que compromete o futuro, sem uma discussão imparcial e num processo açodado em razão do processo eleitoral? Isso, por si só, já justifica nós termos uma séria preocupação com o déficit fiscal, nós temos uma séria preocupação com 2027 — pontuou.
Comércio exterior
No comércio exterior, a atuação do Congresso e as demandas da indústria caminham na mesma direção, com foco na ampliação de mercados e na redução de entraves às exportações.
A Agenda Legislativa registra o apoio da entidade ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/2026, que ratifica o acordo entre Mercosul e União Europeia, promulgado pelo Congresso Nacional em 17 de março, após 26 anos de negociações. A medida é considerada estratégica para ampliar a inserção internacional da economia brasileira.
Outro ponto de convergência é o PL 6.139/2023, que moderniza o sistema brasileiro de crédito à exportação. A proposta foi recentemente transformada na Lei 15.359, de 2026.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) relembrou a aprovação da Reforma Tributária como parte das conquistas recentes e afirmou que o Congresso tem procurado acompanhar as reivindicações do setor produtivo.
— A reforma tributária talvez tenha sido o passo mais ousado, posto que, na história da nossa democracia, é a primeira vez que se consegue aprovar uma reforma tributária, com todos os seus riscos e anseios, que eu tenho certeza de que trará resultados que viabilizem ainda mais a nossa tão necessária competitividade — afirmou.
A competitividade do Brasil no cenário internacional foi ponto de alerta durante as discussões. Nesse âmbito, integra a pauta mínima o PL 4.423/2024, que estabelece normas gerais para o comércio exterior de mercadorias e conta com apoio da indústria.
Infraestrutura e regulação
Outro eixo relevante da Agenda Legislativa envolve projetos voltados à infraestrutura e ao ambiente regulatório. Nesses casos, a indústria também demonstra convergência com iniciativas em tramitação no Congresso.
Entre os destaques está o PL 2.373/2025, que institui a Lei Geral de Concessões (LGC), considerada uma medida importante para ampliar investimentos e dar maior segurança jurídica a contratos de longo prazo.
O documento também inclui o PL 4.133/2023, que trata da formulação da política industrial, tecnológica e de comércio exterior. A proposta tem apoio da CNI, ainda que com ressalvas, e dialoga com a defesa do setor por uma política industrial estruturada e permanente.
Durante a sessão solene, o senador Efraim Filho (União-PB) frisou que, mais do que benefícios pontuais, o setor produtivo busca estabilidade regulatória e previsibilidade para investimentos.
— É a indústria que traz consigo a maior cadeia de valor. É a indústria que traz os empregos mais qualificados. É a indústria que mais investe em inovação. Infelizmente, hoje temos um Custo Brasil que atrapalha. Este custo é formado pelo tripé insegurança jurídica, burocracia excessiva e carga tributária complexa.
Brasil 2050
Durante a apresentação da Agenda Legislativa, a CNI também lançou o Projeto para o Brasil 2050, que reúne propostas para impulsionar o crescimento do país. As medidas incluem o fortalecimento do equilíbrio fiscal, o aumento da competitividade, a melhoria do ambiente de negócios e o incentivo a áreas com potencial, como economia circular, data centers e combustíveis sustentáveis.
Lurya Rocha, sob supervisão de Dante Accioly.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Comissão aprova regras gerais para o diagnóstico precoce de câncer de pulmão no SUS
A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que estabelece diretrizes nacionais para o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta tem como objetivo reduzir as taxas de mortalidade e aumentar a sobrevida dos pacientes por meio da detecção antecipada da doença, que é a principal causa de morte por câncer no Brasil.
Para a autora do projeto, deputada Flávia Morais, a medida é urgente devido ao impacto econômico e social do diagnóstico tardio, que eleva custos assistenciais e causa perdas significativas de produtividade.
Texto aprovado
Foi aprovada a versão do relator, deputado Geraldo Resende (PSDB-MS), que ajustou a proposta original – Projeto de Lei 2550/24, da deputada Flávia Morais (PDT-GO) – para adaptar o texto à legislação já existente.
O substitutivo estabelece como diretrizes o desenvolvimento de ações educativas, a capacitação permanente de profissionais de saúde, o uso de estratégias de saúde digital e o estímulo à busca ativa de grupos de alto risco na atenção primária.
A principal mudança em relação à proposta original é a flexibilização dos critérios técnicos no texto da lei. Enquanto o projeto recomendava especificamente a realização anual de tomografia computadorizada de baixa dose para indivíduos de alto risco entre 50 e 80 anos, o substitutivo aprovado removeu esse detalhamento operacional.
A intenção, segundo o relator, é evitar o “engessamento” da prática médica e permitir que as ações a serem adotadas simplesmente sigam protocolos clínicos e processos de incorporação de tecnologias em saúde do Ministério da Saúde.
O texto também prevê a integração das ações de identificação precoce com programas de cessação do tabagismo, em consonância com a Política Nacional de Controle do Tabaco.
Próximas etapas
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada agora pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o texto precisa da aprovação da Câmara e do Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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