Agro
Açúcar e Etanol Registram Queda no Mercado Nacional Mesmo com Oscilações Internacionais
O mercado do açúcar apresentou cotações mistas nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (25), enquanto os preços no Brasil continuam em queda, refletindo uma tendência de baixa no mercado físico paulista. O etanol hidratado também registrou desvalorização, acompanhando o movimento negativo do setor sucroenergético.
Cotações do Açúcar nas Bolsas Internacionais
Em Nova York (ICE Futures US), os contratos de açúcar bruto/demerara tiveram comportamento misto:
- Março/26: alta de 0,04 centavo, fechando a 14,59 cents/lbp
- Maio/26: queda de 0,01 centavo, a 14,00 cents/lbp
- Julho/26: recuo de 0,03 centavo, a 13,97 cents/lbp
- Outubro/26: perda de 0,01 centavo, encerrando a 14,29 cents/lbp
O mercado segue próximo à mínima de cinco anos, registrada no início de fevereiro (13,67 cents/lbp), com valorização do real oferecendo algum suporte. Analistas destacam que a perspectiva de uma safra menor na Índia contribui para limitar perdas mais acentuadas.
Na ICE Europe, em Londres, os contratos de açúcar branco tiveram predominância de quedas:
- Maio/26: recuo de US$ 0,10, a US$ 407,10/tonelada
- Agosto/26: estável em US$ 404,80/tonelada
- Outubro/26: inalterado em US$ 405,00/tonelada
Mercado Doméstico Mantém Tendência de Baixa
No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco registrou R$ 98,28 por saca de 50 kg, queda de 0,84% em relação ao fechamento anterior. No acumulado de fevereiro, a desvalorização chega a 6,30%, refletindo a pressão constante sobre os preços no mercado físico paulista.
O etanol hidratado também apresentou retração. Em Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 2.946,50/m³, baixa de 0,30% no dia e redução acumulada de 6,68% no mês.
Safra Indiana Impacta o Mercado Global
A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) revisou para baixo suas projeções da safra 2025/26, estimando produção de 29,3 milhões de toneladas, volume cerca de 12% maior que o ciclo anterior, porém inferior à previsão anterior de 30,95 milhões de toneladas.
A revisão reflete produtividades menores em estados-chave, como Maharashtra e Karnataka, afetados por condições climáticas irregulares. O ajuste mantém o mercado internacional atento e ajuda a sustentar as cotações diante de recentes movimentos de alta.
Perspectivas para o Setor
Mesmo com oscilações nas bolsas internacionais e a revisão da safra indiana, o mercado interno brasileiro permanece sob pressão de baixa, influenciado pela oferta contínua e pelo desempenho do real. Produtores e operadores acompanham os próximos relatórios de safra e a evolução do câmbio, que podem influenciar a dinâmica das negociações nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro
A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.
Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.
A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.
No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.
O movimento continua em 2026.
Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.
Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.
Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.
O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.
Essa vantagem aparece com clareza na soja.
Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.
A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.
Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.
No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.
A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.
O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.
A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.
O efeito ultrapassou a soja.
O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.
Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.
Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.
A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.
O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.
Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.
Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.
Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.
Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.
Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.
Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.
A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.
Fonte: Pensar Agro
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