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Acordo de cooperação entre MCTI e Pacto Global da ONU — Rede Brasil fortalece agenda de adaptação climática no setor empresarial

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O Acordo de Cooperação firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos, e o Pacto Global da ONU — Rede Brasil, publicado nesta quinta-feira (11), no Diário Oficial da União, fortalece a agenda de ação climática com o setor empresarial em âmbito nacional. A iniciativa anunciada durante a COP30, em Belém (PA), é um passo estratégico para integrar a natureza nas estratégias empresariais brasileiras, fortalecendo a resiliência dos negócios diante do contexto de mudança do clima.

“Considero esse trabalho bastante estratégico no sentido de promover o desenvolvimento econômico, observando práticas sustentáveis e mais resilientes aos impactos da mudança do clima. Para esse fim, é fundamental ser apoiado com a utilização da melhor ciência disponível. Esse acordo abre de fato uma nova perspectiva de trabalho de parceria com o setor empresarial, com o engajamento de diferentes segmentos da sociedade em torno do desenvolvimento sustentável tão urgente e necessário”, afirma a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé.

As ações serão no âmbito do projeto HUB Natureza e Clima, conduzido pelo Pacto Global. O foco será a mobilização do setor empresarial no desenvolvimento de práticas climáticas que conciliem o desenvolvimento econômico e a conservação da natureza como um mecanismo para que o setor privado contribua com o enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade. O diretor-executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Guilherme Xavier, afirma que “o HUB Natureza e Clima nasce justamente para apoiar as lideranças empresariais a enxergarem a natureza como parte indissociável de suas estratégias de mercado. Este acordo nos permitirá fornecer metodologias e ferramentas robustas para que as empresas brasileiras compreendam seus riscos e dependências à natureza, traduzindo riscos em metas ambiciosas e ações práticas e mensuráveis”.

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O plano de trabalho tem duração de quatro anos, de 2026 a 2029, e inclui a perspectiva da biodiversidade como eixo estratégico das ações estratégicas de negócio das empresas. A iniciativa conjunta contribui diretamente para a implementação do Marco Global de Biodiversidade, que estabelece metas para deter e reverter a perda de biodiversidade assim como redução das emissões de gases de efeito estufa, e do Plano Clima Adaptação. Outro eixo estratégico é a transparência climática, por meio do incentivo e ampliação dos inventários das emissões de gases de efeito estufa.

A estrutura do programa está fundamentada no compartilhamento de dados e informações relevantes entre as partes para orientar empresas e governos na tomada de decisões e prevê a realização de estudos, capacitações, pesquisas, eventos e pilotagem de frameworks científicos, ampliando a formação técnica e a disseminação de conhecimento.

Uma das ferramentas que será utilizada é a plataforma AdaptaBrasil, que fornece dados e informações sobre risco climático em setores estratégicos, como recursos hídricos e segurança energética. Uma visita técnica e aula magna estão programados para este ano sobre a plataforma. O coordenador científico do AdaptaBrasil e pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Jean Ometto, explica que a plataforma oferece subsídios para planejamento empresarial. “Vai possibilitar o mapeamento de riscos climáticos ligados às suas cadeias produtivas das empresas”, afirma.

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A iniciativa oferecerá subsídios técnicos e práticos para apoiar as empresas na formulação de estratégias alinhadas à ciência, à Science Based Targets Network (SBTN).

Sobre o MCTI

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima e em conjunto com suas unidades vinculadas e instituições parceiras, produz informações técnico-científicas que embasam a tomada de decisão na área climática. A pasta ministerial é responsável pelo Sistema de Registro Nacional de Emissões (SIRENE), que apresenta os resultados do Inventário Nacional de emissões e remoções de gases de efeito estufa; pelo SIRENE Organizacionais, plataforma pública e gratuita que dá visibilidade aos relatos corporativos de emissões; e pela plataforma AdaptaBrasil, que fornece informações sobre risco climático para setores estratégicos. Além de coordenar a elaboração dos Relatórios Bienais de Transparência submetidos à Convenção do Clima, entre outras atribuições. Visite: gov.br/mcti

O Pacto Global da ONU 

Rede Brasil foi criado em 2003 e, hoje, é a segunda maior rede local do mundo, com mais de 2.000 mil participantes. Os mais de 60 projetos conduzidos no país abrangem, principalmente, os temas: Água, Oceano, Resíduos, Agricultura, Florestas, Clima, Direitos Humanos e Trabalho, Anticorrupção, Engajamento e Comunicação. Para mais informações, siga @pactoglobalonubr nas mídias sociais e visite nosso website em www.pactoglobal.org.br.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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