Brasil
MJSP e UnB formalizam parceria para retomada do projeto Pensando o Direito
Brasília, 18/12/2025 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Universidade de Brasília (UnB) formalizaram, nesta quinta-feira (18), uma ação conjunta para a retomada do projeto Pensando o Direito, iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento da produção de conhecimento técnico e acadêmico, com o objetivo de subsidiar a formulação de políticas públicas e a elaboração normativa no Brasil. A assinatura simbólica do Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 02/2025 ocorreu no Salão de Atos, do prédio da Reitoria da UnB, em Brasília (DF).
O acordo foi firmado entre a Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL/MJSP) e a Reitoria da UnB, marcando uma nova etapa do projeto, que passará a ser operacionalizado pela universidade a partir de 2026. A ação tem como objetivo qualificar e democratizar o processo de elaboração normativa, ampliando o diálogo entre o Poder Executivo, o meio acadêmico e a sociedade civil.
Durante a cerimônia, o secretário de Assuntos Legislativos do MJSP, Marivaldo Pereira, destacou a importância da retomada do Pensando o Direito em um contexto político desafiador, no qual o diálogo qualificado e o embasamento técnico são fundamentais para o fortalecimento da democracia. Para ele, a parceria com a universidade reafirma o papel do conhecimento científico na construção de políticas públicas eficazes e comprometidas com os direitos fundamentais.
“A retomada do Pensando o Direito é motivo de grande alegria, pois reafirma o valor do argumento técnico e do diálogo qualificado em um contexto político complexo. É por meio do conhecimento e da parceria com a universidade que conseguimos nos fazer ouvir e fortalecer a democracia”, afirmou o secretário.
A reitora da Universidade de Brasília, Rozana Naves, ressaltou que a parceria com o Ministério tem um significado especial para a instituição, ao alinhar a produção acadêmica da universidade a pautas centrais do Brasil, como a redução das desigualdades, a defesa da democracia e a promoção da justiça social e ambiental.
“Esse reinício ocupa um lugar muito especial para a Universidade de Brasília, por contribuir diretamente para a construção de políticas públicas comprometidas com a redução das desigualdades, a defesa da democracia e a justiça social e ambiental”, disse a reitora.
O evento também simboliza a consolidação de uma agenda de cooperação institucional construída ao longo do último ano, período marcado por intensos desafios e pela reconstrução de projetos estratégicos para a universidade e para o Estado brasileiro. No âmbito do Pensando o Direito, a proposta é fortalecer a atuação qualificada do MJSP no processo legislativo, oferecendo subsídios técnicos baseados em pesquisas acadêmicas, estudos empíricos e análises interdisciplinares.
A Universidade de Brasília será responsável pela operacionalização do projeto, incluindo a publicação de editais e a seleção de pesquisadores e bolsistas, em articulação com a Secretaria de Assuntos Legislativos. A execução contará com o envolvimento de diferentes áreas da universidade, como os decanatos e programas de pós-graduação, ampliando a abordagem multidisciplinar e o alcance das pesquisas desenvolvidas. A Secretaria Nacional de Drogas e Gestão de Ativos (Senad) atuará como parceira do projeto dentro do MJSP, contribuindo inclusive com a disponibilização de recursos.
O projeto reforça a missão institucional da UnB de articular ensino, pesquisa e extensão, promovendo a aplicação do conhecimento acadêmico nos territórios e no diálogo com a sociedade. Ao aproximar a produção científica das demandas concretas do poder público, o projeto contribui para soluções mais qualificadas para problemas complexos, especialmente em áreas sensíveis como a segurança pública e a formulação de políticas sobre direitos.
Com a assinatura do TED, o MJSP e a UnB reafirmam o compromisso com a construção de políticas públicas baseadas em evidências, no fortalecimento da democracia e na ampliação do diálogo entre o Estado e a sociedade. A reimplantação do Pensando o Direito consolida-se, assim, como um instrumento estratégico para qualificar o debate público e aprimorar a elaboração normativa no País.
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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