Agro
Queda do petróleo e câmbio volátil pressionam preços do açúcar nas bolsas internacionais
Queda do petróleo afeta mercado global do açúcar
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quinta-feira (11) sob pressão, refletindo a queda de cerca de 2% nas cotações do petróleo. Analistas apontam que, com o combustível fóssil em baixa, o etanol perde competitividade, o que incentiva as usinas a destinarem mais cana-de-açúcar para a produção do adoçante, aumentando a oferta global e pressionando as cotações nas bolsas.
De acordo com o portal Notícias Agrícolas, o mercado de petróleo segue enfraquecido por preocupações com excesso de oferta mundial, somadas ao mau desempenho das bolsas internacionais, o que reduziu o apetite por risco e as expectativas econômicas — fatores que também pesam sobre a demanda por energia.
Bolsas internacionais encerram em baixa
Na ICE Futures de Nova York, o mercado apresentou leve retração na maioria dos contratos do açúcar bruto. O contrato com vencimento em março de 2026, o mais negociado, encerrou o dia cotado a 14,85 centavos de dólar por libra-peso, queda de 6 pontos em relação à véspera.
As posições maio e julho/26 recuaram 2 e 1 ponto, respectivamente. Já os demais contratos oscilaram entre estabilidade e variações mínimas de um ponto.
Em Londres, na ICE Futures Europe, o contrato março/26 caiu US$ 1,90, com a tonelada negociada a US$ 424,20. O vencimento maio/26 registrou leve queda de US$ 0,90, sendo cotado a US$ 421,80 por tonelada.
Nova York encerra pregão com cotações mistas
O fechamento eletrônico da Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures US) mostrou comportamento misto. O contrato de março/26 recuou 0,06 centavo (-0,4%), enquanto o maio/26 caiu 0,13%, cotado a 14,47 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo analistas, o mercado ficou sem uma direção clara, já que o câmbio e o petróleo seguiram trajetórias opostas. A valorização do real frente ao dólar trouxe sustentação às cotações, ao tornar as exportações brasileiras menos atrativas. No entanto, a desvalorização do petróleo limitou os ganhos, pois reduziu a competitividade do etanol e ampliou a expectativa de maior produção de açúcar.
Há ainda suporte adicional vindo de informações de que agricultores na Tailândia, um dos principais produtores globais, podem reduzir o plantio de cana-de-açúcar e migrar para o cultivo de mandioca, em resposta à queda nos preços internacionais do adoçante.
Açúcar cai no mercado interno; etanol reage com leve alta
No mercado doméstico, o preço do açúcar cristal recuou novamente. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq (USP), a saca de 50 quilos foi comercializada a R$ 109,94 nas usinas, ante R$ 112,90 do dia anterior — uma desvalorização de 2,62%.
Já o etanol hidratado, negociado segundo o Indicador Diário Paulínia, voltou a subir após dois dias de queda. O biocombustível foi comercializado a R$ 3.012,50 por metro cúbico, alta de 0,50% em relação à cotação anterior (R$ 2.997,50/m³).
Perspectivas para o curto prazo
Especialistas afirmam que o mercado segue atento à tendência dos preços do petróleo, que continuam sendo um dos principais fatores de influência sobre o equilíbrio entre açúcar e etanol na produção global.
A movimentação cambial e a possível redução do plantio de cana na Tailândia podem, por outro lado, ajudar a conter a pressão de baixa sobre as cotações do adoçante nos próximos pregões.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Consumo de vinho bate recorde no Brasil e cresce 41,9% em 2025; especialistas destacam benefícios à saúde
O consumo de vinho no Brasil atingiu um marco histórico em 2025, consolidando o país como um dos principais destaques positivos do setor vitivinícola mundial. Enquanto diversos mercados internacionais registraram retração no consumo da bebida, os brasileiros ampliaram significativamente a demanda, impulsionando toda a cadeia produtiva nacional.
Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) mostram que o país consumiu 4,4 milhões de hectolitros de vinho ao longo do ano, volume recorde que representa crescimento de 41,9% em relação ao período anterior.
O avanço reforça a expansão da cultura do vinho entre os consumidores brasileiros e abre novas oportunidades para produtores, vinícolas, distribuidores e demais segmentos ligados ao agronegócio da uva e do vinho.
Vitivinicultura brasileira mantém trajetória de expansão
O crescimento do consumo foi acompanhado pela evolução da produção nacional. Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil ampliou sua área cultivada com vinhedos, alcançando 91 mil hectares em 2025.
O aumento de 9,6% em comparação ao ano anterior demonstra a confiança do setor na expansão do mercado interno e na valorização dos produtos nacionais.
A vitivinicultura tem se consolidado como uma importante atividade agroindustrial, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, contribuindo para a geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
Além da produção de vinhos, o segmento movimenta cadeias relacionadas ao turismo rural, gastronomia, logística e exportações, fortalecendo a presença do agronegócio brasileiro em mercados de maior valor agregado.
Interesse pela bebida cresce entre consumidores
O aumento do consumo reflete mudanças nos hábitos dos brasileiros, que passaram a incorporar o vinho com maior frequência em ocasiões sociais, refeições e experiências gastronômicas.
Especialistas apontam que a popularização da bebida também está associada ao maior acesso à informação sobre variedades, harmonizações e processos de produção, além da ampliação da oferta de rótulos nacionais e importados.
O cenário tem impulsionado investimentos em vinícolas, modernização de propriedades rurais e expansão de áreas destinadas ao cultivo de uvas viníferas.
Estudos associam consumo moderado à saúde cardiovascular
O crescimento da demanda ocorre paralelamente ao interesse da população por pesquisas científicas que investigam os efeitos do consumo moderado de vinho sobre a saúde.
Segundo a nutróloga e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra. Juliana Couto Guimarães, o vinho contém compostos bioativos, especialmente polifenóis, que apresentam ação antioxidante e ajudam a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Entre os compostos mais estudados está o resveratrol, encontrado principalmente na casca das uvas tintas, substância que vem sendo relacionada à proteção cardiovascular e à redução de processos inflamatórios.
Pesquisa aponta redução de risco cardiovascular
Estudos apresentados durante o American College of Cardiology (ACC) indicaram que o consumo moderado de vinho esteve associado a uma redução de 21% no risco de morte por doenças cardiovasculares quando comparado a indivíduos que não consumiam álcool ou o faziam apenas ocasionalmente.
De acordo com a especialista, esses resultados costumam ser observados em populações que seguem padrões alimentares semelhantes aos da dieta mediterrânea, reconhecida internacionalmente pelos benefícios à saúde.
Nesse modelo alimentar, o vinho é consumido em pequenas quantidades e integrado a uma rotina baseada em frutas, verduras, legumes, azeite de oliva, peixes e prática regular de atividades físicas.
Os compostos presentes na bebida podem contribuir para a proteção dos vasos sanguíneos, auxiliar na redução da oxidação do colesterol LDL e favorecer a saúde cardiovascular quando inseridos em um contexto de hábitos saudáveis.
Consumo deve ser feito com moderação
Apesar dos potenciais benefícios observados em estudos científicos, especialistas reforçam que o vinho não deve ser encarado como tratamento médico ou estratégia isolada de prevenção de doenças.
A recomendação para adultos saudáveis que optam pelo consumo da bebida é que ela seja ingerida com moderação e, preferencialmente, durante as refeições.
Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas não é indicado para gestantes, lactantes, crianças, adolescentes, pessoas com doenças hepáticas, histórico de dependência alcoólica ou que utilizem medicamentos com potencial de interação com o álcool.
Setor vê oportunidades para os próximos anos
Com recorde de consumo, expansão dos vinhedos e fortalecimento da produção nacional, a cadeia vitivinícola brasileira entra em uma nova fase de crescimento.
A combinação entre aumento da demanda, valorização dos produtos nacionais e investimentos em tecnologia e qualidade cria perspectivas favoráveis para produtores rurais, cooperativas e vinícolas, consolidando o vinho como uma das cadeias agroindustriais de maior potencial de agregação de valor dentro do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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