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Olivicultura busca espaço com seminário em Bagé

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Entre os dias 4 e 6 de dezembro, a cidade de Bagé (380km da Capital Porto Alegre, no Rio Grande do Sul) será palco de um evento que pode marcar um novo capítulo para a olivicultura no Brasil: o 1º Seminário Binacional de Olivicultura do Bioma Pampa. O encontro técnico e cultural vai reunir produtores, pesquisadores e autoridades do Brasil e do Uruguai — com objetivo de fortalecer a produção de azeite e impulsionar a cadeia nacional de oliveiras (olivas e azeite).

O evento cresce em importância justamente por causa da disparidade entre o consumo interno e a capacidade produtiva do país. De acordo com dados do International Olive Oil Council (IOOC), o Brasil consome cerca de 100 mil toneladas de azeite por ano — o que o coloca entre os maiores mercados fora da bacia do Mediterrâneo e o segundo maior importador mundial fora da União Europeia. Contudo, a produção nacional ainda é muito modesta: estima-se que menos de 1% do azeite consumido no Brasil seja produzido localmente.

A maior parte da olivicultura nacional está concentrada no estado do Rio Grande do Sul, que hoje responde por cerca de 75% da produção brasileira de azeite. Dados do registro estadual apontam cerca de 6,5 mil hectares plantados com oliveiras, com cerca de 5 mil hectares em idade produtiva. Mas, mesmo com essa estrutura, a produção está longe de atender a demanda doméstica. Em 2024, a safra gaúcha registrou cerca de 193,5 mil litros de azeite extraídos pelos 25 lagares atuantes — número que representa apenas uma fração do consumo nacional.

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O esforço de expansão enfrenta obstáculos: clima relativamente instável, custos de produção elevados, logística e escala restrita ainda são barreiras para que a olivicultura brasileira deixe de ser um nicho para se tornar competitiva em volume.

Nesse contexto, o Seminário em Bagé surge como uma aposta para unir ciência, mercado e cooperação binacional — com ganhos esperados tanto para o Brasil quanto para o Uruguai. Promovido pelo Ibraoliva (Instituto Brasileiro de Olivicultura), pela prefeitura de Bagé e por autoridades estaduais e uruguaias, o evento vai reunir debates sobre manejo, tecnologia, fenologia, fitossanidade, solos e clima — áreas consideradas cruciais para adaptar a oliveira às condições do Bioma Pampa.

Pesquisas recentes da área apontam que os olivais no Sul brasileiro têm potencial para azeites de qualidade reconhecida — especialmente extra-virgens, que vêm ganhando espaço no mercado nacional. A Ibraoliva estima que um aumento consistente na produção doméstica poderia reduzir a dependência de importações, dar valor agregado ao produto nacional e criar uma nova cadeia de exportação — além de incentivar o olivoturismo nas regiões produtoras.

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Analistas do setor apontam que o Brasil poderá seguir uma rota de nicho — produzindo azeites premium, com bom padrão de qualidade e destinados a mercados exigentes. Essa estratégia, porém, depende de investimentos contínuos em tecnologia, pesquisa e certificação. O risco é que, sem escala, a produção nacional continue marginal frente à importação — o país segue sendo um dos maiores compradores globais de azeite.

O seminário e a crescente atenção à olivicultura demonstram, porém, que há ambição para mudar esse quadro. Se a produção conseguir crescer com qualidade e sustentabilidade, o Brasil poderá começar a ocupar um espaço relevante na cadeia global de azeites — não como importador, mas como produtor e exportador. Para isso, será necessário converter expectativa em investimento, condições agronômicas em escala produtiva e conhecimento técnico em competitividade de mercado.

Fonte: Pensar Agro

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Genética bovina pode aumentar produção de leite em até 9,2% e reduzir emissões de metano, aponta estudo

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No Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, pesquisas reforçam o papel estratégico da genética no desenvolvimento de uma pecuária leiteira mais eficiente, rentável e sustentável. Estudos recentes indicam que a seleção genética pode elevar a produção de leite em até 9,2%, além de reduzir em 12,7% a intensidade das emissões de metano, contribuindo para a mitigação dos impactos ambientais da atividade.

O avanço da genética ocorre em um momento importante para o setor. Em 2025, o Brasil registrou a maior captação de leite de sua história, com 27,5 bilhões de litros adquiridos por laticínios sob inspeção sanitária. O cenário reforça a necessidade de adoção de tecnologias capazes de aumentar a produtividade sem ampliar proporcionalmente o uso de recursos naturais.

Rebanhos mais eficientes impulsionam produtividade

Estudos conduzidos pela Zoetis demonstram que animais geneticamente superiores apresentam maior capacidade produtiva mesmo em condições de estresse térmico, além de melhor eficiência alimentar e menor intensidade de emissão de gases de efeito estufa ao longo da vida produtiva.

Os resultados apontaram benefícios expressivos para os sistemas de produção leiteira:

  • Aumento médio de 9,2% na produção de leite;
  • Redução de 18,1% na taxa de reposição dos rebanhos;
  • Diminuição de até 12,7% na intensidade das emissões de metano;
  • Redução média de 9,5% na intensidade de nitrogênio associada à produção.

Segundo Henrique Hooper, coordenador de Serviços Técnicos de Ruminantes da Zoetis Brasil, a genética tem ampliado a capacidade dos produtores de tomar decisões mais precisas dentro das propriedades.

“A utilização de informações genéticas permite identificar animais com maior potencial produtivo, melhor eficiência alimentar e maior capacidade de adaptação aos desafios climáticos. Isso acelera o melhoramento genético e contribui para a formação de rebanhos mais eficientes e sustentáveis”, destaca.

Sustentabilidade passa a integrar a seleção genética

Os indicadores ambientais utilizados nas pesquisas foram desenvolvidos a partir do modelo científico RuFaS (Ruminant Farm System), reconhecido internacionalmente para avaliação da sustentabilidade na pecuária.

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A metodologia foi incorporada à atualização do Clarifide Dairy Plus, solução genética da Zoetis que utiliza o índice econômico DWP$ (Dairy Wellness Profit Index). A ferramenta considera características ligadas à produção e qualidade do leite, fertilidade, nutrição de precisão, bem-estar animal e uso racional de antibióticos para avaliar o potencial de rentabilidade dos animais.

Com a atualização mais recente, passaram a ser incorporadas também avaliações relacionadas à eficiência alimentar e à resiliência ao calor, ampliando a capacidade de seleção de animais mais adaptados às condições futuras de produção.

Resiliência ao calor ganha importância na pecuária leiteira

O aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos climáticos extremos têm colocado a adaptação dos rebanhos entre as prioridades da cadeia produtiva do leite.

Nesse contexto, a genética surge como uma ferramenta importante para identificar animais capazes de manter produtividade, fertilidade e saúde mesmo sob condições de estresse térmico.

Os estudos desenvolvidos pela companhia permitem diferenciar indivíduos mais adaptados dentro do mesmo rebanho, utilizando indicadores relacionados à temperatura, umidade e impacto climático sobre a produção.

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Eficiência alimentar reduz custos e impactos ambientais

Outro fator cada vez mais valorizado na pecuária leiteira é a eficiência alimentar. Animais geneticamente mais eficientes conseguem converter melhor os nutrientes consumidos em produção de leite, reduzindo desperdícios e melhorando o aproveitamento dos recursos nutricionais.

Além da redução dos custos de produção, essa característica contribui para diminuir a pegada ambiental da atividade, reduzindo a emissão de gases por litro de leite produzido.

Tecnologia genética apoia decisões mais precisas no campo

Para transformar dados em decisões práticas, ferramentas genômicas vêm sendo utilizadas para identificar animais mais produtivos, saudáveis e adaptados às condições de cada sistema produtivo.

Entre as soluções disponíveis está o Clarifide Dairy Plus, plataforma que realiza avaliações genômicas de bovinos das raças Holandesa e Jersey, permitindo identificar fatores de risco genético associados a doenças de importância econômica, além de características relacionadas à produtividade, bem-estar animal, eficiência alimentar e adaptação climática.

Com a integração entre genética, ciência e tecnologia, a tendência é que a pecuária leiteira brasileira avance na construção de sistemas mais competitivos, sustentáveis e preparados para atender às exigências dos mercados e dos consumidores nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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