Agro
Tarifas dos EUA continuam afetando parte do agro brasileiro: café solúvel, uva, mel e pescados seguem com taxa de 50%
Apesar das recentes decisões do governo dos Estados Unidos de retirar sobretaxas sobre centenas de produtos importados, parte do agronegócio brasileiro ainda sofre os impactos do chamado tarifaço. Itens como café solúvel, uva, mel e pescados continuam enfrentando uma alíquota de 50% para entrar no mercado norte-americano.
Esses produtos ficaram de fora das duas medidas divulgadas em novembro, que aliviaram as tarifas de 10% e 40% impostas desde abril e julho, respectivamente. A primeira decisão, publicada no dia 14, suspendeu a taxa de 10% para cerca de 200 produtos alimentícios. Já a segunda, no dia 20, isentou mais de 200 produtos brasileiros da sobretaxa de 40%, ampliando a lista de exceções que já somava quase 700 itens.
O alívio foi significativo para setores de peso, como o café em grão e a carne bovina — segundo e terceiro produtos mais exportados do agro nacional para os EUA, atrás apenas dos produtos florestais. No entanto, outros segmentos relevantes seguem à espera de medidas semelhantes.
Café solúvel perde espaço no mercado norte-americano
O café solúvel brasileiro, tradicional nas prateleiras dos supermercados dos Estados Unidos desde a década de 1960, foi um dos principais afetados pela manutenção das tarifas. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, o setor ainda não compreende por que o produto foi excluído das isenções.
Em 2024, as exportações de café solúvel para os EUA representaram cerca de 10% das vendas totais da indústria, enquanto o café em grão — agora isento — responde pela maior fatia. Dados do Departamento de Agricultura norte-americano mostram que, no ano passado, 38% do café solúvel importado pelos EUA veio do Brasil.
Desde a aplicação da tarifa adicional de 40%, em julho, as exportações caíram pela metade entre agosto e outubro, em comparação com o mesmo período de 2024. “Os estoques ainda estão sendo consumidos, mas, quando acabarem, os compradores buscarão fornecedores como México, Colômbia e Vietnã”, alerta Lima.
Abics e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) seguem em diálogo com o Itamaraty e o governo norte-americano. Uma reunião com o Ministério das Relações Exteriores está marcada para o dia 28 de novembro, e encontros com o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento (Mdic) também devem ocorrer nesta semana.
Uva brasileira enfrenta perda de competitividade nos EUA
O setor de uvas também foi impactado. A fruta segue sujeita à taxa de 50%, apesar de a categoria “frutas frescas” constar entre as exceções publicadas pela Casa Branca. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os EUA representaram 23% das exportações de uvas do Brasil em 2024, movimentando US$ 41,5 milhões.
Entre outubro e novembro, as vendas para o mercado americano recuaram 73% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, a exclusão se explica pela forte produção doméstica dos EUA e pela concorrência de países como Chile e Peru.
Mesmo com a realocação das vendas para a Europa e América do Sul, Brandão destaca que a menor demanda reduziu o poder de negociação dos produtores brasileiros, pressionando os preços.
Mel sofre dupla taxação e incertezas contratuais
O mel brasileiro é outro produto que permanece sob as restrições tarifárias. Além da taxa de 50%, o alimento já estava sujeito a uma tarifa adicional de importação de 8,04% nos Estados Unidos. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, alerta que as negociações ainda não resultaram em avanços concretos.
“Os contratos com os EUA estão garantidos até dezembro de 2025, mas não há confirmação sobre renovações”, afirma Sitônio Dantas, diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis).
Em 2024, quase 80% de todo o mel exportado pelo Brasil teve os Estados Unidos como destino, segundo dados do AgroStat, do Ministério da Agricultura. A preocupação agora é com a continuidade dos acordos e o impacto sobre os preços internacionais.
Setor de pescados cobra prioridade nas negociações
O segmento de pescados também ficou de fora das isenções e demonstrou frustração. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, criticou a falta de prioridade do governo brasileiro na pauta.
Segundo ele, as exportações para os Estados Unidos geram cerca de US$ 300 milhões por ano, quase metade de todas as vendas externas do setor em 2024. Lobo ressalta que a cadeia produtiva do pescado tem grande relevância social e econômica, especialmente em comunidades costeiras e ribeirinhas.
“Cada rodada de negociação em que o pescado é esquecido representa perda de espaço para concorrentes internacionais. O mercado americano é vital para o Brasil, e a ausência de avanços mostra que estamos ficando para trás”, afirmou o dirigente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito de ICMS ganha força no agronegócio como alternativa para reforçar o caixa e reduzir custos financeiros
Em um cenário de crédito rural mais restrito e custos financeiros ainda elevados, produtores e empresas do agronegócio têm buscado novas alternativas para fortalecer o fluxo de caixa e reduzir a dependência de financiamentos bancários. Entre elas, os créditos acumulados de ICMS deixaram de ser apenas uma questão tributária e passaram a ocupar posição estratégica na gestão financeira das propriedades e agroindústrias.
Mesmo após a redução da taxa Selic para 14,50% ao ano em 2026, o custo do dinheiro continua elevado para boa parte do setor produtivo, o que tem levado empresários rurais a revisarem processos internos em busca de recursos já existentes dentro das próprias operações.
Especialistas avaliam que valores acumulados de ICMS, quando corretamente apurados e recuperados, podem representar uma importante fonte de liquidez para financiar investimentos, aquisição de insumos e reorganização financeira das empresas.
Crédito tributário passa a ser visto como ativo financeiro
De acordo com Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária para o agronegócio e CFO da Palin & Martins, o crédito acumulado de ICMS deixou de ser tratado exclusivamente como uma obrigação fiscal e passou a integrar o planejamento financeiro das empresas rurais.
Segundo ele, esses recursos representam capital próprio, sem incidência de custos financeiros, podendo reduzir a necessidade de recorrer a linhas de crédito com juros elevados.
“Muitos produtores ainda buscam financiamento externo sem perceber que possuem recursos acumulados na própria operação. Quando bem administrado, o crédito de ICMS pode fortalecer o caixa e ampliar a capacidade de investimento da empresa”, afirma.
Recuperação de créditos pode ampliar liquidez no campo
Em um setor que depende fortemente de capital de giro para custeio das lavouras, compra de fertilizantes, defensivos, sementes e demais insumos, a recuperação de créditos tributários passou a ser considerada uma ferramenta importante para melhorar a saúde financeira das empresas.
Segundo o especialista, a utilização desses recursos pode contribuir para investimentos em tecnologia, ampliação da produção, modernização das estruturas e reorganização do fluxo financeiro, reduzindo a necessidade de contratação de crédito bancário.
No entanto, ele ressalta que muitos produtores ainda deixam de aproveitar esse potencial por desconhecimento ou pela falta de organização da documentação necessária para comprovar os créditos.
Organização fiscal é fundamental para transformar crédito em caixa
Embora o direito ao crédito esteja previsto na legislação, sua utilização depende do correto levantamento das informações fiscais e do atendimento às exigências específicas de cada estado.
De acordo com Altair Heitor, a crescente digitalização dos sistemas de fiscalização tornou ainda mais importante a qualidade das informações prestadas pelas empresas, já que os órgãos fazendários utilizam cruzamentos eletrônicos de dados para validar os pedidos de recuperação.
Nesse contexto, falhas na escrituração, inconsistências fiscais ou ausência de documentação podem impedir que créditos legítimos sejam reconhecidos e utilizados pelas empresas.
Planejamento tributário reduz dependência de financiamentos
Outro ponto destacado pelo especialista é que a gestão tributária deve fazer parte do planejamento financeiro permanente das empresas rurais, e não apenas ser acionada em momentos de dificuldade econômica.
Segundo ele, a organização preventiva amplia a capacidade de tomada de decisão, melhora o controle financeiro e reduz a necessidade de recorrer a soluções mais onerosas em períodos de maior pressão sobre o caixa.
“A gestão tributária precisa ser encarada como parte da estratégia do negócio. Quando bem estruturado, o crédito tributário deixa de representar apenas uma questão fiscal e passa a funcionar como um instrumento de geração de liquidez e fortalecimento financeiro”, destaca.
Eficiência financeira ganha protagonismo no agronegócio
A busca por maior eficiência na gestão financeira acompanha a evolução do agronegócio brasileiro, que nas últimas décadas incorporou avanços em tecnologia, mecanização, genética e gestão da produção.
Agora, especialistas apontam que o planejamento tributário tende a ocupar espaço cada vez mais relevante dentro das estratégias empresariais do setor, contribuindo para aumentar a competitividade, preservar o capital de giro e melhorar a capacidade de investimento das propriedades rurais.
Em um ambiente marcado por custos elevados, mudanças no crédito rural e maior rigor na fiscalização tributária, a recuperação e o aproveitamento adequado dos créditos de ICMS surgem como uma alternativa para fortalecer a sustentabilidade financeira das empresas do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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