Agro
Açúcar sobe em Nova York e Londres com menor oferta global, enquanto mercado interno registra queda nos preços
As cotações do açúcar voltaram a subir nas bolsas internacionais nesta terça-feira (25), impulsionadas pela desvalorização do dólar frente ao real, pela redução dos embarques indianos e pelo encerramento antecipado da safra na região Centro-Sul do Brasil. O movimento refletiu um cenário de menor oferta global e sustentou os preços pelo segundo dia consecutivo.
Na ICE Futures de Nova York, o contrato com vencimento em março de 2026 foi negociado a 14,91 centavos de dólar por libra-peso, alta de 9 pontos em relação à véspera. Já o contrato para maio/26 avançou 10 pontos, cotado a 14,45 centavos de dólar por libra-peso. Os demais vencimentos também registraram valorização entre 9 e 11 pontos.
Em Londres, os contratos do açúcar branco acompanharam a tendência positiva. O vencimento março/26 encerrou o pregão a US$ 424,90 por tonelada, com alta de 80 cents, enquanto a tela maio/26 subiu US$ 1,60, negociada a US$ 420,20 por tonelada.
Fundamentos sustentam preços com safra brasileira menor e estoques reduzidos de etanol
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, a consultoria Green Pool apontou fundamentos positivos para o mercado do açúcar. A antecipação do encerramento da safra no Brasil — maior produtor mundial — e a redução dos estoques de etanol, cerca de 20% abaixo do registrado no mesmo período de 2024, contribuem para o suporte de preços.
A menor disponibilidade de etanol tende a estimular as usinas a destinarem maior parte da cana para a produção do biocombustível, o que pode reduzir a oferta de açúcar no curto prazo, fortalecendo as cotações internacionais.
Mercado doméstico registra quedas consecutivas no açúcar cristal
Enquanto os preços internacionais avançaram, o mercado interno brasileiro apresentou queda nas cotações do açúcar cristal pelo quarto dia seguido. Segundo o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos foi comercializada a R$ 105,52, recuo de 0,57% em comparação com os R$ 106,12 da segunda-feira (24).
A retração reflete um cenário de menor demanda e maior disponibilidade imediata no mercado interno, apesar do movimento de alta observado nas bolsas externas.
Etanol hidratado também recua em Paulínia
O etanol hidratado seguiu em queda no mercado spot de Paulínia (SP). De acordo com o Indicador Diário Paulínia, o biocombustível foi negociado a R$ 2.963,50 por metro cúbico, redução de 0,20% em relação ao preço da véspera.
A baixa no etanol, somada à leve desvalorização do açúcar no mercado doméstico, indica um momento de ajuste interno, contrastando com a valorização observada nas praças internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
BNDES financia R$ 83,96 milhões para biotecnologia e impulsiona sementes sintéticas de cana-de-açúcar no Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamentos que somam R$ 83,96 milhões para três projetos estratégicos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), referência global em pesquisa e inovação na cana-de-açúcar.
As iniciativas incluem o desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar, a implantação de uma planta industrial de demonstração e a criação de uma variedade resistente ao besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo-da-cana.
Investimento total ultrapassa R$ 165 milhões
Os recursos serão viabilizados pela linha BNDES Mais Inovação e poderão ser aplicados em obras civis, aquisição de equipamentos, serviços técnicos especializados em pesquisa e desenvolvimento, além de custos operacionais.
No total, os três projetos somam R$ 165,54 milhões, com participação adicional da Finep (R$ 72,9 milhões) e do próprio CTC (R$ 8,68 milhões).
Sementes sintéticas podem transformar o plantio de cana
A principal inovação do pacote é o desenvolvimento das sementes sintéticas de cana-de-açúcar, tecnologia que promete mudar o modelo tradicional de plantio da cultura no Brasil.
Hoje, o sistema convencional utiliza grandes volumes de colmos e máquinas pesadas, o que gera alto custo operacional, consumo elevado de combustível e impactos como compactação do solo e erosão.
Com a nova tecnologia, o plantio passaria a se assemelhar ao de culturas como soja e milho, utilizando cerca de 400 kg de sementes sintéticas por hectare.
Entre os benefícios esperados estão:
- Redução da compactação do solo
- Menor consumo de combustíveis e insumos
- Diminuição do uso de água no plantio
- Eliminação de viveiros de colmos
- Maior rapidez na renovação dos canaviais
- Aumento da produtividade agrícola
As sementes são produzidas in vitro e envolvidas por uma estrutura protetiva que permite armazenamento, transporte e plantio mecanizado, além de já serem livres de doenças.
Planta-piloto será instalada em Piracicaba (SP)
Parte do investimento será destinada à implantação da primeira planta industrial de demonstração de sementes sintéticas, na Fazenda Santo Antônio, sede do CTC em Piracicaba (SP).
A unidade ocupará 10 mil metros quadrados e terá capacidade inicial para produzir sementes suficientes para até 500 hectares de cana por ano. A operação deve gerar 72 novos empregos diretos.
Segundo o CEO do CTC, César Barros, a tecnologia representa uma mudança estrutural no setor.
“Estamos dando um passo fundamental para colher os resultados dessa tecnologia. O uso da semente sintética será uma disrupção no plantio da cana, com ganhos de produtividade, margens agroindustriais e redução de emissões”, afirmou.
Pesquisa busca ampliar eficiência e escala da tecnologia
Outro eixo do investimento prevê avanços na qualidade das sementes sintéticas, com foco em maior taxa de germinação, maior seletividade do material biológico e ampliação da vida útil, permitindo armazenamento prolongado e logística mais eficiente.
A meta é expandir o alcance da tecnologia para produtores em regiões mais distantes dos centros de produção.
Nova variedade combate principal praga da cana no Brasil
O terceiro projeto apoiado pelo BNDES envolve o desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar resistentes a insetos, com destaque para o Sphenophorus levis, o bicudo-da-cana.
A praga é uma das mais agressivas à cultura no país, com registros significativos em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, podendo levar à morte da planta e perdas expressivas de produtividade.
CTC reforça papel estratégico na inovação do agro
Fundado em 1969, o CTC é hoje uma das principais instituições de pesquisa em biotecnologia agrícola do mundo. A entidade tem participação relevante no desenvolvimento de variedades de cana que respondem por cerca de 31% da produção nacional.
Com histórico ligado ao Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o centro evoluiu para uma sociedade anônima com forte atuação em melhoramento genético, biotecnologia e soluções sustentáveis para o setor sucroenergético.
A instituição também foi responsável pela primeira cana geneticamente modificada do mundo, aprovada em 2017 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), resistente à broca-da-cana (Diatraea saccharalis).
Inovação e sustentabilidade no centro da estratégia
Com os novos investimentos, o CTC reforça sua atuação em tecnologias voltadas à eficiência produtiva, redução de custos e menor impacto ambiental, alinhadas às demandas globais por sustentabilidade e transição energética no agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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