Agro
Carne rastreada do Pará chega ao Atacadão e marca novo passo da pecuária sustentável no Brasil
Carne rastreada chega às prateleiras do Atacadão em Belém
O Atacadão, rede de atacarejo do Grupo Carrefour Brasil, começou a vender o primeiro lote de carne bovina com rastreabilidade individual proveniente do Pará. A iniciativa, lançada em parceria com o Governo do Estado, a JBS, a The Nature Conservancy (TNC) e outros frigoríficos, integra o Programa Pecuária Sustentável, criado para fortalecer práticas de produção responsáveis na região amazônica.
O lote inaugural, com 12 toneladas de carne produzida pela Friboi, foi entregue no dia 3 de novembro e está disponível nas lojas Icoaraci e Portal da Amazônia, em Belém. Essa é a primeira vez que consumidores brasileiros podem adquirir carne proveniente de animais rastreados individualmente — identificados por meio de “brincos eletrônicos” que permitem acompanhar todo o ciclo produtivo.
Inovação na rastreabilidade e combate ao desmatamento
O Grupo Carrefour já utiliza rastreabilidade por lote, baseada na Guia de Trânsito Animal (GTA). No entanto, com essa nova etapa, o sistema avança para o rastreamento individual de cada animal, permitindo monitorar também os fornecedores indiretos.
Segundo a política pública do estado, a meta é identificar 100% do rebanho bovino do Pará até 2027, garantindo transparência total da cadeia e fortalecendo o combate ao desmatamento ilegal.
“A rastreabilidade individual é um avanço importante, pois amplia a transparência, valoriza o produtor local e aproxima o consumidor da origem do produto”, destaca Nelcina Tropardi, vice-presidente de Assuntos Corporativos, ESG e Jurídico do Grupo Carrefour Brasil.
Compromisso com a produção sustentável
Para o CEO do Atacadão, Marco Oliveira, o projeto reforça o papel do varejo na promoção de um modelo de negócios sustentável.
“O Pará está mostrando que é possível produzir com qualidade e responsabilidade. Essa parceria é um exemplo de como o varejo pode conectar o consumidor a práticas sustentáveis”, afirmou.
O presidente da Friboi, Renato Costa, também celebrou a iniciativa.
“Ao apoiar os produtores na adoção das melhores práticas, reforçamos nosso compromisso com uma produção cada vez mais sustentável e transparente”, ressaltou.
Valor agregado e inclusão produtiva
A política pública de rastreabilidade do Pará é fruto da união entre governo, empresas e sociedade civil, e funciona por meio do Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), que utiliza os brincos eletrônicos.
O Grupo Carrefour Brasil é parceiro estratégico e investidor do programa, com um aporte de R$ 10 milhões provenientes do Fundo de Florestas, que destina R$ 50 milhões a ações de combate ao desmatamento e proteção da biodiversidade.
Os investimentos estão distribuídos em três frentes principais:
- Rastreabilidade Individual: apoio à aquisição e uso dos brincos eletrônicos;
- Assistência Técnica e Regularização: assessoria gratuita a pequenos e médios produtores para adequação ambiental e acesso ao crédito;
- Engajamento da Cadeia: incentivo à adesão de outros varejistas e frigoríficos ao modelo sustentável.
“Com o apoio da JBS, estamos mostrando que é possível produzir com transparência e qualidade, gerando oportunidades para toda a cadeia”, afirmou Carlos Mafra Júnior, CFO da AgroCumaru, fornecedora dos bois rastreados.
Pará lidera avanço e inspira o país
De acordo com José Otávio Passos, diretor de Amazônia na TNC, o projeto representa uma transformação estrutural na pecuária brasileira.
“A comercialização do primeiro lote de carne rastreada marca o início de uma nova era. O programa fortalece a integridade socioambiental e abre caminho para uma produção valorizada e sustentável que pode inspirar todo o Brasil”, destacou.
O Programa Pecuária Sustentável do Pará é considerado referência nacional e tem potencial para abastecer outros estados, como São Paulo, com carne rastreada e livre de desmatamento até 2027, a partir das plantas frigoríficas paraenses certificadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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