Agro
Agropalma retoma produção de biodiesel no Pará com tecnologia pioneira e foco em sustentabilidade
A Agropalma, referência mundial em produção sustentável de óleo de palma, anunciou a retomada da fabricação de biodiesel com a inauguração de uma nova planta industrial em Belém (PA). O empreendimento marca o retorno da companhia ao setor de biocombustíveis após 15 anos e consolida o protagonismo do Pará na transição energética nacional.
A usina é a primeira do estado a operar com tecnologia 100% enzimática — uma inovação que substitui reagentes químicos tradicionais, como o ácido sulfúrico e o metilato de sódio, por enzimas naturais. O processo é menos agressivo ao meio ambiente e aos equipamentos, permitindo o uso de diversas matérias-primas oleosas, inclusive resíduos graxos e óleos de alta acidez.
Capacidade produtiva e impacto ambiental positivo
Com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a unidade tem capacidade de produção de 36 mil m³ de biodiesel por ano e deve iniciar as operações com 19 mil m³ anuais, atendendo principalmente ao mercado local. O objetivo é suprir a demanda de 7% do combustível no estado, com possibilidade de expansão para 14%.
De acordo com estimativas da empresa, a nova operação permitirá que cerca de 39 mil toneladas de CO₂ deixem de ser emitidas na atmosfera todos os anos, o que equivale à retirada de quase 20 mil carros das ruas.
Retomada estratégica para o mercado paraense
O consumo crescente de biodiesel no Pará foi um dos principais fatores que impulsionaram o retorno da Agropalma ao setor. Em 2024, o estado importou 268 milhões de litros do biocombustível, sendo 79% provenientes do óleo de soja de outras regiões do país.
Grande parte dos resíduos da cadeia de palma, principal cultura agrícola paraense, era exportada para depois retornar ao estado como produto final — um ciclo que a Agropalma agora pretende internalizar, gerando valor agregado e fortalecendo a economia local.
Expansão da mistura obrigatória de biodiesel impulsiona o setor
O avanço regulatório foi determinante para o investimento. O percentual obrigatório de biodiesel no diesel, que era de 10% em 2022, chegou a 15% em 2025 e deve atingir 20% até 2030. A medida deve elevar o consumo de biodiesel no Pará em 50% nos próximos cinco anos, passando de 448 milhões para 674 milhões de litros anuais.
Segundo André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma, o momento é favorável:
“Estamos muito contentes em retornar ao ramo do biodiesel em um cenário de crescimento e inovação. É um movimento alinhado à transição energética e às práticas de sustentabilidade”, destacou.
Gasparini também ressaltou que a nova estrutura tecnológica amplia a flexibilidade produtiva:
“No passado, trabalhávamos com uma única matéria-prima e uma demanda ainda incerta. Hoje, o mercado está consolidado, com regulação clara e consumo crescente.”
Economia circular e inovação ambiental
A construção da planta reforça o compromisso da Agropalma com a economia circular e a sustentabilidade. Os subprodutos antes considerados resíduos — como o óleo de lagoa e o ácido graxo — passam agora a ser transformados em combustível limpo, fechando o ciclo produtivo do óleo de palma.
“A cadeia da palma construída pela Agropalma é verticalizada, mas também circular”, explica Fabrício Menezes de Souza, coordenador da planta de biodiesel.
“O CO₂ gerado nas operações será reabsorvido pelas plantações, criando um sistema produtivo equilibrado e sustentável.”
Geração de empregos e impacto social positivo
A obra e o início das operações geraram mais de 340 empregos diretos e indiretos, fortalecendo o desenvolvimento regional. Segundo Edison Henrique Delboni, diretor Industrial da Agropalma, o projeto simboliza um marco para o estado e para a empresa:
“A construção envolveu mais de 300 pessoas e transformou vidas. Estamos entregando uma usina moderna, que reflete o papel do agronegócio na transição energética e no combate às mudanças climáticas.”
Biodiesel de palma como vetor da transição energética
Com a usina já em funcionamento e em fase de homologação comercial, a Agropalma reforça o papel da palma como vetor de energia limpa e renovável. O projeto serve de exemplo para a sustentabilidade amazônica e se alinha aos temas que serão debatidos na COP30, em 2026, em Belém (PA).
“Estamos moldando hoje o futuro que desejamos, mostrando que o desenvolvimento sustentável é possível e começa dentro de casa”, concluiu Delboni.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mercado de trigo mantém preços firmes no Brasil em maio apesar da baixa liquidez nas negociações
O mercado brasileiro de trigo encerrou o mês de maio com ritmo lento de negociações, mas com preços sustentados pela escassez de produto disponível nas principais regiões produtoras do país. A restrição de oferta, especialmente de trigo com padrão de qualidade adequado para moagem, limitou movimentos de baixa e manteve vendedores firmes ao longo do período.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, mesmo diante de compradores mais cautelosos e com dificuldades para repassar custos ao mercado de farinha e farelo, a oferta reduzida continuou sendo o principal fator de sustentação das cotações.
Segundo ele, o mercado permaneceu seletivo, mas sem pressão consistente para recuos nos preços. A disponibilidade limitada de trigo panificável foi determinante para manter o equilíbrio entre oferta e demanda.
Paraná registra valorização de 2% em maio
No Paraná, principal referência da formação de preços do trigo no mercado interno, a média FOB interior fechou maio em R$ 1.430 por tonelada, acumulando valorização de 2% no mês.
Nos últimos dias de maio, as cotações apresentaram estabilidade, refletindo um ambiente mais acomodado, embora ainda sustentado pela baixa disponibilidade de cereal no mercado físico.
No acumulado de 2026, os preços do trigo no estado avançam 22%. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a valorização chega a 2%.
Apesar da baixa fluidez nos negócios, o mercado paranaense consolidou uma recuperação importante ao longo do ano, apoiado principalmente pela restrição de oferta e pela busca dos moinhos por matéria-prima de melhor qualidade.
Rio Grande do Sul tem alta mais intensa e mercado segue pouco líquido
No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais expressivo durante maio. A média FOB interior subiu 5% no mês, encerrando o período em R$ 1.360 por tonelada.
A firmeza das cotações também foi observada na reta final do mês, com negócios pontuais realizados em patamares mais elevados e maior resistência por parte dos vendedores.
Segundo Bento, o mercado gaúcho continua operando com baixa liquidez, mas o encurtamento da oferta disponível e o escalonamento dos preços conforme os prazos de pagamento reforçaram a sustentação das referências internas.
Em 2026, o trigo gaúcho já acumula valorização de 32%, enquanto o avanço frente ao mesmo período de 2025 é de 5%.
Trigo argentino segue sustentando mercado brasileiro
No cenário internacional, a Argentina — principal fornecedora de trigo ao Brasil e referência importante para a formação da paridade de importação — encerrou maio com preços estáveis em US$ 250 por tonelada.
Mesmo sem variações no mês, o cereal argentino acumula alta de 11% em 2026 e avanço de 4% na comparação anual.
Para o analista, o comportamento do mercado externo mostra que o custo de reposição via Mercosul continua acima dos níveis observados no início do ano, fator que segue oferecendo sustentação ao mercado brasileiro.
Além disso, a qualidade do trigo argentino permanece como variável estratégica para os moinhos nacionais, especialmente diante da necessidade de abastecimento com cereal panificável de melhor padrão.
Mercado de trigo segue atento à oferta e à qualidade do cereal
Com estoques internos mais ajustados e compradores priorizando lotes de melhor qualidade, o mercado brasileiro de trigo deve continuar operando com viés firme no curto prazo.
A combinação entre oferta restrita, custos elevados de importação e necessidade de trigo de padrão superior para moagem segue limitando pressões baixistas, mesmo em um ambiente de comercialização ainda lenta no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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