Agro
Mercados globais têm início de semana volátil com balanços corporativos e lucros na Ásia
Os mercados globais começaram a semana com movimentos mistos, refletindo tanto o otimismo em torno de novos balanços corporativos quanto ajustes de portfólio em bolsas asiáticas.
Nos Estados Unidos, os investidores seguem atentos à divulgação dos resultados de grandes companhias, como Spotify, Uber, McDonald’s e DoorDash. Mesmo com a ausência de dados econômicos — consequência da paralisação do governo, que já dura dois meses —, o apetite por risco manteve o mercado aquecido.
Na última sessão, os índices de Wall Street encerraram sem direção única: o S&P 500 avançou 0,17%, aos 6.852,04 pontos, o Nasdaq ganhou 0,46%, aos 23.834,72 pontos, enquanto o Dow Jones recuou 0,47%, aos 47.337,32 pontos.
Europa acompanha resultados e aguarda decisões monetárias
As bolsas europeias também registraram variações moderadas, com investidores à espera de novas decisões dos bancos centrais e atentos aos balanços corporativos.
A Ryanair abriu a temporada de resultados na região com um lucro de 1,72 bilhão de euros no segundo trimestre e 2,54 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos próximos dias, companhias como Ferrari, Aramco, BMW e AstraZeneca devem divulgar seus números, o que deve influenciar o desempenho do mercado.
No fechamento, o STOXX 600 subiu 0,02%, o DAX da Alemanha teve alta de 0,73%, enquanto o FTSE 100 do Reino Unido caiu 0,16%, e o CAC 40 da França recuou 0,14%.
Acordo entre China e EUA impulsiona Ásia, mas bolsas caem em seguida
Na Ásia, as bolsas iniciaram a semana em alta, impulsionadas pelo otimismo após o acordo comercial entre China e Estados Unidos, que prevê redução de tarifas e suspensão de novas restrições sobre exportações chinesas de minerais raros.
O SSEC de Xangai subiu 0,55%, o CSI300 avançou 0,27%, o Hang Seng de Hong Kong teve alta de 0,97%, e o Kospi, da Coreia do Sul, liderou os ganhos, com valorização de 2,78%. Taiwan, Cingapura e outras praças também fecharam em alta, enquanto o Nikkei de Tóquio não operou.
Entretanto, no pregão seguinte, o cenário mudou. As bolsas da China e Hong Kong registraram quedas generalizadas, com investidores realizando lucros nos setores que mais se valorizaram no ano. O movimento reflete uma migração para setores defensivos, em meio à escassez de novos balanços corporativos para os próximos meses.
Realização de lucros e tensões geopolíticas pesam sobre a China
O índice de Xangai recuou 0,4%, enquanto o CSI300 — que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen — caiu 0,8%. O Hang Seng, de Hong Kong, também perdeu 0,8%.
De acordo com analistas do UBS, a pausa nas divulgações corporativas deve levar a uma correção natural nos preços, reduzindo as diferenças de avaliação entre setores. Já especialistas da AllianceBernstein destacam que as tensões geopolíticas e a incerteza sobre a recuperação econômica chinesa reforçam a atratividade de empresas estatais e de setores voltados a dividendos.
Bolsas da Ásia-Pacífico seguem tendência de baixa
O movimento negativo se estendeu a outras bolsas da região. Em Tóquio, o Nikkei cedeu 1,74%, a 51.497 pontos. Em Seul, o Kospi caiu 2,37%, a 4.121 pontos.
O Taiex, de Taiwan, recuou 0,77%, a 28.116 pontos, enquanto o Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,59%, a 4.418 pontos. Já na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou em queda de 0,91%, a 8.813 pontos.
Panorama global aponta semana de ajustes e cautela
Com os investidores atentos aos próximos resultados corporativos e às decisões de política monetária, o mercado global inicia a semana com sinais mistos, alternando momentos de otimismo e realização de lucros.
A expectativa é que o comportamento dos índices continue volátil nos próximos dias, refletindo o equilíbrio entre o apetite por risco e a busca por segurança diante das incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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