Brasil
MTE resgata 57 trabalhadores de condições análogas à escravidão no Paraná
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), resgatou 57 trabalhadores de condições análogas à escravidão no município de Itambé, na região noroeste do Paraná. A operação foi conduzida por auditores-fiscais do Trabalho lotados em Maringá e contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
A maioria dos trabalhadores resgatados, 36 indígenas de três etnias diferentes, havia sido recrutada no Mato Grosso do Sul para atuar no corte de cana-de-açúcar. A contratação foi realizada por uma empresa paulista terceirizada por uma usina localizada em São Pedro do Ivaí (PR).
De acordo com informações da equipe de auditores-fiscais do trabalho, com base em relatos colhidos durante a fiscalização, os trabalhadores iniciaram as atividades em julho de 2025 e foram submetidos a um sistema de servidão por dívida. No primeiro dia de trabalho, eram obrigados a comprar produtos em um supermercado local, cujos valores eram posteriormente descontados dos salários — resultando em débitos que somavam cerca de R$45 mil.
Após o rompimento do contrato entre a usina e a empresa terceirizada, os trabalhadores foram impedidos de continuar o serviço e abandonados em alojamentos com o aluguel atrasado. Sem receber salários, alimentação ou transporte para retornar às comunidades de origem, passaram a depender de doações do sindicato rural e do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) local.
Durante a inspeção, os auditores-fiscais do Trabalho constataram que nenhum trabalhador havia recebido pagamento ou realizado exame médico admissional. As condições dos alojamentos eram consideradas degradantes, com quartos pequenos, sem armários e infestados por insetos e roedores. Um dos trabalhadores chegou a ser hospitalizado após ser picado por uma aranha no local.
Diante das evidências, a fiscalização reconheceu a ocorrência de trabalho análogo à escravidão, tanto por parte da empresa terceirizada quanto da usina contratante. O Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a usina, que se comprometeu a quitar as verbas salariais e rescisórias devidas, além de garantir o retorno dos trabalhadores ao Mato Grosso do Sul.
Os auditores-fiscais emitiram as guias do seguro-desemprego dos trabalhadores resgatados, que asseguram o pagamento de três parcelas de um salário mínimo a cada trabalhador. Um relatório detalhado será encaminhado ao MPT e ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração das responsabilidades criminais e de eventuais danos morais coletivos.
Os dados dos trabalhadores resgatados também serão encaminhados às unidades de assistência social dos municípios de origem, a fim de garantir acompanhamento contínuo e inclusão na rede de proteção social.
Denúncias
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, disponível em https://ipe.sit.trabalho.gov.br.
Lançada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a plataforma tem como objetivo fortalecer o combate a essas violações, estimulando a participação ativa da sociedade.
Também é possível registrar denúncias pelo Disque 100, serviço telefônico gratuito, anônimo e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. O canal pode ser acessado de qualquer telefone fixo ou móvel e recebe relatos de violações de direitos humanos em todo o país. O serviço ainda oferece atendimento via WhatsApp, Telegram e videochamada em Libras, garantindo acessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência auditiva.
Brasil
Atendimento aos povos indígenas: terceira edição do curso mobiliza profissionais da segurança dos estados da Amazônia Legal
Brasília, 17/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou, nesta quarta-feira (17), a terceira edição do Curso de Atendimento aos Povos Indígenas, voltado aos profissionais do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Criada pela Diretoria de Ensino e Pesquisa (DEP), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a formação busca aprimorar o trabalho das forças de segurança no atendimento às populações indígenas, promovendo uma abordagem baseada no respeito aos direitos humanos, na sensibilidade cultural e na compreensão das especificidades dos diferentes povos, com atenção especial aos territórios da Amazônia Legal.
Desenvolvido em parceria com a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o curso reúne conhecimentos técnicos e boas práticas para qualificar a atuação dos agentes públicos diante dos desafios enfrentados nos territórios indígenas, principalmente aqueles relacionados ao crime organizado e às violações de direitos.
Durante o lançamento, a diretora de Ensino e Pesquisa, Michele Ramos, ressaltou que a ação traduz o compromisso permanente do Governo Federal com a proteção dos povos indígenas, destacando a importância da articulação institucional para consolidar o trabalho.
“O curso traduz o compromisso do MJSP com a proteção dos povos indígenas e a segurança dos seus territórios. Compreendemos que o papel das forças de segurança é central para a garantia dos direitos dessas populações. Esta formação foi construída a muitas mãos, com o apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do CNJ, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) e da Força Nacional. É fruto da troca de boas práticas e do fortalecimento de caminhos para uma atuação cada vez mais qualificada”, afirmou.
A secretária da Senad, Marta Machado, destacou que a capacitação é estratégica para fortalecer a presença do Estado em regiões onde o tráfico de drogas e outros crimes impactam diretamente as comunidades indígenas.
“A qualificação para um enfrentamento mais eficiente é fundamental. A terceira edição do curso demonstra que esta é uma ação permanente do Ministério. Precisamos de profissionais preparados, com sensibilidade cultural e compromisso com os direitos humanos. Os desafios enfrentados nessas regiões são cada vez mais complexos. O tráfico de drogas se articula com outras atividades ilegais que afetam profundamente os povos indígenas, e a resposta do Estado precisa ser qualificada, baseada em inteligência, fortalecimento comunitário e integração institucional”.
Marta Machado explicou ainda que cada território indígena possui uma dinâmica própria, e compreender essas particularidades é essencial para reduzir os impactos da criminalidade. “Temos aprendido que não é possível enfrentar desafios complexos com políticas isoladas”.
Representando a presidência da Funai, Léia Bezerra do Vale, enfatizou que a qualificação dos profissionais é uma demanda histórica das comunidades indígenas.
“Desde 2006, quando realizávamos seminários sobre a Lei Maria da Penha, as mulheres indígenas já demonstravam a necessidade de agentes públicos preparados para compreender suas especificidades. O Brasil possui mais de 390 povos indígenas, com diferentes etnias, línguas e culturas. Muitas vezes, essas pessoas chegam a uma delegacia e não conseguem ser compreendidas. Ter profissionais capacitados e sensíveis para atender essa população é fundamental”, concluiu.
Na sequência, o diretor da Amazônia e Meio Ambiente da PF ministrou uma aula magna sobre as particularidades do atendimento aos povos indígenas.
A nova edição do Curso de Atendimento aos Povos Indígenas reforça a estratégia do Ministério da Justiça e Segurança Pública de investir na formação continuada dos profissionais do Susp, promovendo um trabalho cada vez mais integrado, qualificado e alinhado aos princípios da cidadania, da diversidade cultural e da proteção dos direitos fundamentais.
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