Agro
Redução de ICMS beneficia 5 mil produtores de látex em Goiás
Cerca de 5 mil pessoas, entre produtores cooperados e trabalhadores da produção de látex em Goiás, serão beneficiadas com a redução da alíquota do ICMS sobre a borracha natural. A alteração, sancionada pelo governador Ronaldo Caiado, modifica a Lei nº 13.194/97 e atende especialmente aos produtores da Cooperativa de Heveicultores do Centro-Oeste (Cooperlatex). A ação foi articulada pelo Sistema OCB/GO em parceria com o Governo de Goiás.
Cooperativa de látex com produção significativa
A Cooperlatex reúne 92 produtores, principalmente no Vale do São Patrício, abrangendo os municípios de Goianésia, Vila Propício, Barro Alto e São Luiz do Norte. Cada cooperado emprega, em média, mais de 10 trabalhadores no cultivo de seringueiras. A cooperativa produz cerca de 3 mil toneladas de látex por ano, enquanto o estado de Goiás tem uma produção total de aproximadamente 14 mil toneladas/ano.
Redução do ICMS aumenta competitividade
Segundo Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, a alíquota do imposto estadual caiu de 19% para 12%, corrigindo um regime de apuração do ICMS que gerava acúmulo de créditos tributários e oneração de cerca de 7% nas vendas interestaduais.
“Com a implantação do diferimento, a Cooperlatex reduzirá custos, aumentará a competitividade no mercado e gerará maior renda aos cooperados. Acreditamos que a alteração da lei estimulará novos produtores a se organizarem em cooperativas”, afirmou Pereira.
Entendimento com o governo e atuação decisiva
A demanda foi apresentada diretamente ao governador Ronaldo Caiado, que encaminhou a proposta à Secretaria da Economia. Após reuniões com produtores rurais e acompanhamento do Sistema OCB/GO, houve acordo sobre a necessidade de simplificar o regime tributário.
O presidente da Cooperlatex, Agnaldo Gomes da Cunha, destacou que a cooperativa operava com margens muito pequenas e, por vezes, em prejuízo.
“Agora, o imposto será pago apenas na saída do produto para estados como São Paulo, Bahia e Mato Grosso do Sul, já que não temos usina de beneficiamento em Goiás”, explicou.
Agnaldo Gomes ressaltou ainda que a mudança reduz a burocracia, pois não será mais necessário pagar guias antecipadas para depois compensar o ICMS nas vendas interestaduais.
Expectativa de impacto positivo na produção
Com a adequação do regime tributário, espera-se efeito imediato na atividade dos cooperados, com melhorias na gestão da cooperativa, aumento da produção e elevação do rendimento dos produtores de látex em Goiás.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões
As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.
Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.
As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.
No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.
O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.
A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.
A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.
Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.
O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.
A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.
Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.
O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.
Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.
O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.
No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.
Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.
A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.
Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.
Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.
Fonte: Pensar Agro
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