Agro
Safra de arroz 2025/2026 enfrenta preços baixos e incertezas no RS e SC
O plantio da safra de arroz 2025/2026 já teve início em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principais estados produtores do Brasil. Apesar do começo do ciclo, produtores e indústrias enfrentam estoques elevados, retração nas exportações e preços abaixo do custo de produção, gerando preocupação em toda a cadeia produtiva. A recuperação do setor só é esperada a partir de 2027.
Em Santa Catarina, a área plantada está projetada em 143,4 mil hectares, queda de 1,3% em relação ao ano anterior, e a produção deve atingir 1,2 milhão de toneladas, 6,14% menor que a safra passada, segundo dados da Epagri/Cepa. O engenheiro agrônomo Douglas George de Oliveira alerta que a menor capitalização dos produtores impacta diretamente a produtividade.
Produtores enfrentam preços abaixo do custo de produção
No município de Nova Veneza (SC), o agricultor Claudionir Roman relata que os preços atuais não cobrem os custos. A saca de 50 kg, que chegou a R$ 92 em fevereiro, hoje é negociada a R$ 51, enquanto o valor mínimo para cobrir despesas seria de R$ 75. Roman ressalta a preocupação com a sobrevivência do setor:
“Se o preço não reagir, vem a quebradeira. Por isso, alguém tem que tomar alguma atitude.”
Indústrias orizícolas sob pressão
Além dos produtores, as indústrias de arroz enfrentam dificuldades operacionais e financeiras. Com altos custos e estruturas complexas, muitas empresas estão operando com margem mínima ou negativa.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), Walmir Rampinelli, destaca a necessidade de medidas governamentais:
“O governo precisa adquirir pelo menos 1 milhão de toneladas para desafogar os estoques. Assim, gradativamente, o mercado poderá voltar ao patamar inicial.”
No Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional, os efeitos das enchentes de 2024 ainda impactam a economia do setor, mesmo sem comprometer a safra atual de 920 mil hectares. O presidente do SindArroz-RS, Carlos Eduardo Borba Nunes, projeta:
“Teremos que operar por pelo menos dois anos com rentabilidade próxima a zero, se não ficarmos no vermelho.”
Pressão do mercado internacional
O cenário interno é agravado pela depressão do mercado externo, causada pelo excesso de produção em países como Índia, que adicionou 30 milhões de toneladas ao mercado nos últimos anos. Segundo Nunes, essa situação deve persistir até o segundo semestre de 2027, quando os preços podem se recuperar.
Rampinelli reforça que a solução depende de ação coordenada entre governo, produtores e indústria:
“A cadeia produtiva está fazendo a sua parte, mas não vai resistir sozinha. É preciso união e sensibilidade para atravessar este período crítico e preservar uma atividade essencial para a segurança alimentar do país.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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