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Mercado de café oscila entre lucros e ajustes técnicos, com clima e tarifas dos EUA influenciando negociações

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O mercado de café segue em compasso de ajustes técnicos nesta sexta-feira (17), após registrar uma sequência de altas expressivas nas últimas sessões nas bolsas internacionais. Os preços realizam lucros diante das incertezas climáticas, da queda contínua dos estoques certificados na ICE (Intercontinental Exchange) e das indefinições em torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro.

De acordo com analistas, o cenário mantém o mercado volátil, com variações rápidas e intensas nos contratos futuros. Na quarta-feira (15), o anúncio de uma possível reunião entre autoridades brasileiras e norte-americanas trouxe instabilidade às negociações, provocando recuos nas posições mais próximas na Bolsa de Nova York.

O Brasil segue em tratativas com o governo dos Estados Unidos para tentar reverter a taxação de 50% sobre a exportação de café nacional, medida que tem elevado custos e afetado a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Preços recuam com ajustes técnicos e expectativa por novas conversas entre EUA e Brasil

Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o café arábica apresentava queda de 445 pontos, sendo negociado a 389,35 cents/lbp para o vencimento de dezembro/2025. O contrato de março/2026 recuava 430 pontos, a 369,10 cents/lbp, enquanto o de maio/2026 registrava baixa de 450 pontos, a 354,75 cents/lbp.

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No caso do robusta, o contrato de novembro/2025 caía US$ 109, cotado a US$ 4.505 por tonelada. O vencimento de janeiro/2026 apresentava desvalorização de US$ 100, a US$ 4.424 por tonelada, e o de março/2026 registrava recuo de US$ 107, sendo negociado a US$ 4.340 por tonelada.

Na sessão anterior, a Bolsa de Nova York encerrou com preços mistos. O contrato de dezembro/2025 fechou a 393,80 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 0,3%, enquanto o contrato de março/2026 teve leve alta de 0,02%, a 373,40 centavos de dólar por libra-peso.

Clima favorável pode impulsionar próxima safra, mas mercado segue cauteloso

Um relatório recente do Itaú BBA aponta que o mercado cafeeiro atravessa semanas decisivas, com a volatilidade persistindo diante de um balanço global apertado. Segundo o documento, as próximas semanas serão fundamentais para confirmar o pegamento das floradas — etapa essencial para o desenvolvimento da safra de 2026.

Os modelos climáticos indicam bons volumes de chuva até dezembro, o que pode favorecer o florescimento e garantir um bom potencial produtivo, especialmente para o café arábica. “Caso o clima permaneça favorável, a produção do próximo ano poderá ser significativamente melhor. No entanto, um bom pegamento é apenas o primeiro passo”, destaca o relatório.

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Dólar e fatores técnicos também pesam sobre o comportamento das cotações

A volatilidade também é influenciada pela movimentação cambial. A desvalorização do dólar frente ao real e a outras moedas tende a pressionar as cotações internacionais, ao mesmo tempo em que as preocupações com o clima no Brasil sustentam parte dos ganhos.

Durante o pico das negociações na quinta-feira, o contrato de dezembro chegou a superar a marca técnica e psicológica dos US$ 4,00 por libra-peso, mas os ganhos foram limitados pelo movimento de realização de lucros e pela cautela dos investidores diante da indefinição sobre as políticas comerciais dos EUA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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